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Sociedade

VN Barquinha: Câmara e Exército celebram protocolo com vista à construção dos Trilhos Panorâmicos (C/ ÁUDIO)

14/06/2021 às 17:11
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Já falta pouco para que os Trilhos do Tejo venham a ser uma realidade. A Câmara de Vila Nova da Barquinha e o Exército Português, nomeadamente o Regimento de Engenharia n.º 1, assinaram esta segunda-feira, 14 de junho, o aditamento ao protocolo de colaboração celebrado em 2008.

O Município passou a ser o administrador do Castelo de Almourol e dos respetivos acessos e agora, com esta alteração, passa a ter permissão para utilização e implementação nos terrenos da Engenharia dos Trilhos Panorâmicos.

 

Ter presente a história é essencial para melhor compreendermos a vida”

Numa cerimónia que teve lugar dentro das muralhas de Almourol e que se iniciou com música medieval na guitarra do artista barquinhense Fernando Espanhol, Fernando Freire classificou esta segunda-feira como “um dia de alegria” e disse estarmos “perante um castelo ímpar em Portugal”.

No seu discurso, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha fez um resumo da história do Castelo de Almourol até à atualidade e lembrou as obras de requalificação do monumento que celebra agora 850 anos e sobre o qual o Município vai, ainda neste mês de junho, publicar um livro “onde vamos contar todas as intervenções, com relatos objetivos e concretos para fontes históricas”.

“Almourol é monumento nacional por decreto de 16 de junho de 1910 e foi adaptado, já no Séc. XX, a residência oficial da República Portuguesa, aqui tendo lugar alguns importantes eventos do Estado Novo. Tem a especial característica de estar plantado numa ilha no meio do Tejo, o que concorre para a grandeza temporal e intemporal deste lugar”, explicou o autarca.

No entanto, há algo que poderá não ser muito certo pois, como afirmou Fernando Freire, “torna-se impossível fixar a data da fundação de Almourol. A antiguidade do sítio poderá ter origem num castro lusitano, reconstruido durante o domínio romano, séc. I a. C., e logrará ter sido alterado por alanos, visigodos e muçulmanos, designadamente ao nível das fundações, com a utilização de restos de materiais daquela época. Uma coisa temos como certa: a fortaleza foi reconstruida por Gualdim Pais. As fontes escritas aqui presentes (lápides epigráfica) permitem documentar a intervenção do Grão-Mestre dos Templários, iniciada em 1171, a quem terá ficado a dever-se a sua reedificação. Comemoramos, portanto, este ano 850 anos”.

Quanto ao protocolo agora assinado, este “regula as intervenções no âmbito do desenvolvimento do «Projeto de Musealização do castelo de Almourol» e dos projetos de conservação do castelo e outros investimentos de valorização do mesmo e da ilha, bem como o projeto “Trilhos panorâmicos do Tejo, Rotas e percursos no Médio Tejo” que terão uma largura até 2,5m e que permitirá o acesso a peões e a bicicletas, que o Município viu aprovado no âmbito do Programa Portugal 2020 e que ligará o Parque Ribeirinho ao Centro Náutico de Constância”.

“Ter presente a história é essencial para melhor compreendermos a vida”, afirmou Fernando Freire que terminou citando Miguel Torga: “O que me vai valendo nesta penitenciária pátria é nunca perder de vista alguns recantos que nela são oásis de libertação e de esquecimento. Empoleirado no terraço desta fortaleza lírica que os Templários ergueram no meio do Tejo – em Almourol - debruçado sobre o abismo a deixar o rio deslizar brandamente na retina, quero lá saber se a política vai bem ou mal, se a literatura anda ou desanda, se a nau coletiva singra ou soçobra! Extasio-me, apenas. Ou melhor: numa espécie de petrificação emotiva, acabo por fazer corpo com as muralhas, e ser o próprio baluarte erguido na pequena ilha, inexpugnável a todas as agressões do real.”

Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha

Está materializada a oportunidade de desenvolver um espaço envolvente ao castelo”

O comandante do Regimento de Engenharia N.º1, Raul Gomes, disse ser “naturalmente para mim, enquanto comandante do Regimento de Engenharia N.º1, um prazer e uma honra muito grande estar a representar o Exército Português neste ato formal que, na minha opinião, materializa o conceito de proximidade do Exército”. Isto porque, segundo afirmou, “o Exército Português tem uma disposição territorial que lhe permite estar junto daqueles que serve, os portugueses”.

A assinatura do Protocolo é “um desses casos”. O comandante Raul Gomes explicou ainda que “umas das missões principais do Exército Português é apoiar o desenvolvimento e o bem-estar das populações onde está implantado”.

Falando do castelo, Raul Gomes descreveu Almourol como “um monumento único a nível nacional” e afeto ao Ministério da Defesa e à responsabilidade do Regimento de Engenharia N.º1 “porque também constitui o símbolo da Engenharia Militar Portuguesa”.

Para o desenvolvimento deste conceito e da área circundante do castelo, “o Exército aceitou aceitar este protocolo porque entendemos que aqui está materializada a oportunidade de desenvolver um espaço envolvente ao castelo, criando novas áreas que poderão ser utilizadas para bem-estar da população mas também permitir pontos de observação que não tinham sobre a beleza deste castelo”.

Raul Gomes, comandante do Regimento de Engenharia N.º1

 

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