Sardoal: Plano de reestruturação da misericórdia passa pela não renovação de contratos dos trabalhadores (C/ÁUDIO)

2020-10-27

A Santa Casa da Misericórdia de Sardoal tem em marcha um plano de reestruturação do seu quadro de pessoal e que passa pela não renovação dos contratos de trabalho a termo. De acordo com o plano não está colocada de lado a necessidade de despedimentos, mas para já está fora de equação.
Esta foi a informação mais relevante de uma reunião que ocorreu nesta segunda-feira, dia 26 de outubro, entre elementos do executivo da Câmara Municipal de Sardoal e elementos da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal.
Depois de duas semanas de muita informação a circular no diz que disse na vila de Sardoal e nas redes sociais, o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges, fez uma curta declaração da reunião do executivo na quarta-feira da semana passada, dia 21 de outubro, para dizer que estava preocupado com o que se ouvia falar e que, nesse sentido, tinha pedido uma reunião “com caráter de urgência” à estrutura que lidera a Instituição Particular de Solidariedade Social.
Nessa mesma reunião o presidente da Junta de Sardoal, o socialista Miguel Alves, revelou que tinha, igualmente, muitas preocupações porque aquilo que se ouvia é que seriam “despedidas” cerca de 30 pessoas.
Ainda nessa reunião, foi revelado que a IPSS tem um quadro de pessoal de 97 trabalhadores, não tendo, nesta altura, recursos financeiros que sustentem esta quantidade de trabalhadores. E uma das questões abordadas tem a ver com a comparticipação da Segurança Social no apoio a cada utente da Instituição.
Recorde-se que o Provedor da Santa Casa da Misericórdia tinha dito, em entrevista à Antena Livre, a propósito do encerramento da creche que havia utentes sem comparticipação da Segurança Social e que não “os podia deixar numa valeta sem apoio”. Já na altura Anacleto Babtista tinha referido que era preciso olhar para as finanças da instituição e que o encerramento da creche era inevitável.
Nesta segunda-feira Miguel Borges fez-se acompanhar dos vereadores Jorge Gaspar e Pedro Rosa para uma reunião em que pretendia inteirar-se daquilo que são as intenções da Mesa Administrativa nesta reorganização dos recursos humanos.
Miguel Borges diz que pediu a reunião para saber ao certo a veracidade das informações que têm corrido “à boca pequena” e até para “dar resposta a pessoas que abordam o presidente da Câmara mostrando a preocupação naquilo que é a sua vida futura”, revelou o presidente da autarquia salientando que fez a pergunta direta sobre dispensas e qual a dimensão, até para “perceber o enquadramento social”.
O presidente da Câmara disse que a resposta que teve foi de que a Mesa Administrativa não tinha, neste momento, qualquer processo de despedimento. O que está em cima da mesa, diz o autarca, é a não renovação dos contratos de trabalho. Ou seja, de acordo com o que terá sido explicado ao autarca é que à medida que os contratos forem terminando não serão renovados.
 

Miguel Borges, Presidente da Câmara de Sardoal

Miguel Borges confirma que lhe foi dito que um cenário de despedimentos está, neste momento, fora da equação. No entanto, não houve informação sobre a dimensão do número de pessoas que poderão ficar no desemprego por via desta não renovação de contratos de trabalho.
A Santa Casa da Misericórdia de Sardoal tem um quadro de pessoal de quase uma centena de funcionários nas suas diversas valências, tendo já rescindido com algumas trabalhadoras que exerciam funções na creche que fechou em junho e não reabriu em setembro deste ano.
Miguel Borges disse ainda que a autarquia vai continuar a acompanhar, como preocupação, esta situação da IPSS já que há uma envolvente social da qual não se pode desvincular, porque o aumento de desemprego tem sempre preocupações para um presidente de Câmara.