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Sociedade

Reportagem: Mouriscas. a feira que "já não é o que era" (C/FOTOS)

31/08/2020 às 00:00
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A feira anual da freguesia de Mouriscas, que decorre no último domingo do mês de agosto, é (ou era) um dia muito esperado pelas pessoas da região, mas, nos últimos anos, chegar àquele recinto é, para muitos, "uma desilusão, porque o mercado já não é o que era há uns tempos atrás".

Elisabete Brunho, uma feirante que vende os seus artigos na feira das Mouriscas há mais de 50 anos, afirmou que a afluência de pessoas "tem vindo a diminuir sempre" e, este ano, ainda não vendeu nada, porque esta foi a primeira feira à qual foi desde o início da pandemia.

"Não me lembro de ter passado por tanta miséria como passei nos últimos anos. As pessoas não têm dinheiro e, portanto, não compram nada, não comercializam, e o Estado também não ajuda", afirmou a feirante com um tom de desalento.

A pandemia do covid-19 também piorou a situação. Alguns afirmam que existe "uma certa desconfiança" e, por isso, muitas pessoas, com medo do vírus, dizem "chega-te um bocadinho para lá", contou-nos Maria Joaquina, uma freguesa que andava pela feira.

"O pior, este ano, é termos de andar com isto [a máscara] na cara, porque parece que nem nos conhecemos uns aos outros, e esta feira, no fundo, era um ponto de encontro para convivermos, principalmente com aqueles que não víamos há muito tempo", disse um pouco desanimada.

Para quem está habituado ao toque, este distanciamento físico "é triste", mas as pessoas continuam esperançosas de que falta pouco para tudo voltar à normalidade.

No que toca à doçaria tradicional, o cenário é semelhante e muitos boleiros deixaram até de confecionar os famosos 'pirulitos'. É o caso de Fernanda Clemente, uma boleira que vende as suas iguarias nesta feira há mais de 30 anos.

"As vendas estão um bocado fracas e pirulitos é uma das coisas que já não vale a pena fazer, porque as pessoas não compram e, como têm pouca duração, começam a amolecer", referiu a boleira, frisando, no entanto, com um tom nostálgico que "era um doce que, antigamente, se vendia mesmo muito".

A opinião do presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, Pedro Matos, não é diferente. "Há menos feirantes e menos clientes, atualmente, devido à pandemia, mas também porque existe muito mais oferta, outros preços e menos tradição".

Por outro lado, os trabalhadores dos estabelecimentos que se encontram perto do recinto da feira dizem que a mesma atrai um pouco mais de clientes, "mas nada comparado há uns anos atrás, porque o mercado semanal que temos também é muito bom e, portanto, as pessoas que antes vinham a esta feira anual, agora já não vêm", transmitiu Maria Celestina, dona de um café perto do espaço da feira.

A feira anual desta freguesia, que antes era um recinto repleto de feirantes a fazer aquilo que mais gostam, pessoas a conviver com quem já não viam há muito tempo e crianças 'apaixonadas' pelos brinquedos, agora é, nada mais nada menos, que uma feira com um pouco da sua tradição perdida ao longo dos anos que foram passando.

Reportagem de Marta Bessa