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29 set 2021
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Sociedade

Limpeza da floresta não pode ser esquecida (C/ÁUDIO)

22/04/2020 às 00:00
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Os tempos têm sido de grande preocupação com a saúde e com as questões sanitárias, mas não nos podemos deixar de preocupar com a floresta. Apesar de parecer ter deixado de estar na ordem do dia, a última coisa que queremos é que subam as temperaturas e que se junte à COVID-19 um problema nacional que são os incêndios florestais.

A 15 de março terminou o prazo dado pelas autoridades para que os proprietários tivessem de limpar terrenos com queimadas. 15 de abril seria a data final para fazer a devida limpeza daquilo que são as faixas de combustão ou a própria matéria verde dos terrenos, mas pro causa do Estado de Emergência o prazo foi prorrogado até 30 de abril.

Miguel Borges presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil explica que apesar das preocupações mediáticas estarem viradas para a COVID a preocupação com a floresta não para.

Miguel Borges, presidente da Proteção Civil Distrital e da Câmara de Sardoal

Também a Associação de de Agricultores de Abrantes, que tem várias equipas de sapadores florestais, está no terreno na limpeza das matas e no trabalho de redução do material de combustão junto das estradas, como explica Luís Damas. 

Luís Damas presidente da Associação de Agricultores

 

Equipa de sapadores florestais da Associação de Agricultores na desinfeção de espaços públicos

Mesmo com o estado de emergência a reduzir alguns trabalhos, nomeadamente onde há muita gente junta, é preciso ter atenção que a limpeza dos terrenos é fundamental. É que, como diz Miguel Borges, presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil e presidente da Câmara de Sardoal, juntar incêndios à pandemia é qualquer coisa que não se imagina, sequer.

O que estava previsto era que, em relação a outros anos, há um prolongamento de datas para o final de abril. “O que se pede é que as pessoas, dentro das contenções do COVID-19, façam aquilo que têm obrigação de fazer. É que ninguém quer terminar uma batalha e começar outra. Ou pior ainda, ter as duas ao mesmo tempo, e com os mesmos soldados” vincou o presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil.

Miguel Borges explica ainda que se pensarmos na realidade dos bombeiros e da proteção civil, na forma como têm de fazer o seu trabalho, têm uma exposição muito maior. E deixa mesmo uma vontade de não querer pensar em duas batalhas em simultâneo, prefere pensar que as pessoas cumprem o seu papel na limpeza das redes secundárias e que o Estado fará o seu nas redes primárias.

Miguel Borges, presidente da Proteção Civil Distrital e da Câmara de Sardoal

Luís Damas diz, no entanto, que algumas pessoas são lembradas porque há cidadãos, e alguns associados, que receberam coimas pela falta de limpeza de terrenos. Mesmo assim não chega. “Este tempo vem aumentar a matéria de combustão e se não tivermos essa atenção poderá vir a ter problemas quando o tempo começar a aquecer”. Ao nível dos trabalhos que são feitos há a limpeza de terrenos, de linhas de água, das faixas de combustão junto às estradas e às povoações porque o risco de incêndios não diminuiu em 2019.

E depois acrescenta outros dados relacionados com esta área concreta, nos apoios à substituição das espécies de crescimento rápido pelas espécies autóctones.

Luís Damas revela que é preciso continuar a trabalhar na floresta, que é preciso mudar a floresta e que há apoios para isso.

Luís Damas presidente da Associação de Agricultores

 

Sapadores florestais no trabalho de limpeza de terrenos junto a estradas

Quanto à gestão de combustível, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já realizou 682 hectares dos 3.500 planeados para este ano e foi assegurada instalação das faixas de gestão e de interrupção de combustível da rede primária em 674 hectares dos 2.468 previstos.

A secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar afirmou, na semana passada, que existem cerca de 24 mil processos de incumprimento da limpeza dos terrenos

Patrícia Gaspar, Secretária de Estado da Administração Interna

Quanto à prevenção, a grande novidade de 2020 é a implementação de uma estrutura de vigilância da mata que estará a cargo da GNR.

Patrícia Gaspar, Secretária de Estado da Administração Interna

Há ainda, diz a governante, a rede nacional de torres de vigia que funcionam como meios de deteção de ocorrências

Patrícia Gaspar, Secretária de Estado da Administração Interna

Seja como for, agora até ao final de abril, mantém-se o alerta, com as devidas precauções por causa da pandemia. Os proprietários de terrenos devem fazer a sua limpeza e contribuir para a diminuição do risco de incêndios rurais.