ESSA assinalou 65 anos em conferência com antigos e atuais alunos e professores

Sociedade 2019-06-04

O Agrupamento de Escolas N.º1 de Abrantes realizou esta terça-feira, 4 de junho, uma conferência no âmbito dos 65 anos da Escola Industrial e Comercial de Abrantes, Escola Secundária Nº1 e Escola Secundária Dr. Solano de Abreu (ESSA).

O tema da conferência passou, inevitavelmente, pelo passado, com o tema “65 anos, a escola de ontem e a escola de hoje”, e contou com um painel de convidados, antigos e atuais alunos, funcionários e professores que partilharam diversas memórias sobre a sua passagem e evolução da escola.

No auditório, pequeno para tanta gente, Carlos Grácio, professor na ESSA, fez as honras da casa, lembrando que o marco dos 65 anos aconteceu já em novembro do ano passado mas que nunca é tarde para reviver a história daquela que começou por ser a EICA.

Auditório da ESSA encheu para receber a conferência dos 65 anos da escola

O discurso de abertura coube ao diretor do Agrupamento de Escolas N.º1 de Abrantes, Jorge Costa, que começou por mostrar satisfação por ter como antigos professores e antigos alunos seus como atuais colegas.

Jorge Costa destacou que a escola “tem tido a preocupação durante estes anos todos de manter alguma qualidade no ensino” e que, mesmo apesar de “alguns comentadores dizerem que o ensino está muito mal, na verdade, nós temos mantido bastante qualidade face a muitos constrangimentos que temos sofrido”.

Diretor do Agrupamento de Escolas N.º1 de Abrantes, Jorge Costa

Admite ainda que “principalmente para os jovens, o que importa mais é a forma como saem daqui” e que “se calhar não interessa tanto a nota que têm no final do ano” mas sim “saírem daqui a saber alguma coisa” e que a escola “seja útil para o futuro”.

Refere ainda que “a nota não vale tudo” e que “o que importa mais é “como é que saímos daqui e aquilo que fazemos com o conhecimento que aqui adquirimos”. Jorge Costa incentivou ainda os atuais alunos da ESSA a “não ir atrás do facilitismo”.

Presente também na iniciativa a responsável pelo pelouro da Educação da Câmara Municipal de Abrantes, a vereadora Celeste Simão, que destacou 65 anos de história como sinónimo de “muita gente, muitos alunos, muitos funcionários que contribuíram desde o primeiro dia com um bocadinho para aquilo que temos hoje aqui”, lembrando que é importante “não esquecer aquilo que está para trás”.

Celeste Simão reforçou que “quem faz a escola são todos e o que queremos é que [os alunos] saiam com ferramentas para enfrentar o mundo lá fora” e defende que “os professores e as pessoas que se preocupam com os alunos são todos”.

A vereadora deixou, por último uma mensagem: “Estimem a escola, levem daqui boas aprendizagens e aquilo que é o mais importante – olhar uns para os outros com muita atenção”.

Seguiu-se uma viagem no tempo, até aos primórdios da escola, através de um vídeo que mostrou as primeiras instalações da escola, no edifício da Rua Santos e Silva, em 1953, bem como a primeira transferência para o Edifício Carneiro, e a segunda mudança para o atual edifício, em 1959, situado na Avenida das Forças Armadas.

A mesa da conferência “65 anos, a escola de ontem e a escola de hoje” foi composta por Rosa Barralé, antiga aluna e antiga presidente da Junta de Freguesia do Tramagal, por Rui Moleirinho, atual professor de informática na ESSA, por Helena Bandos, antiga professora, por Henrique Jesus, presidente dos antigos alunos da EICA, e por Pedro Sousa, atual aluno da ESSA e representante da Associação de Estudantes.

Começou por falar Rosa Barralé, que admitiu que “a escola vale a pena”, e relembrou os tempos difíceis em que “andava 7 km a pé para vir para a escola [na altura EICA]”, no ano de 1956.

Rosa Barralé, antiga aluna da Escola Industrial e Comercial de Abrantes

A antiga aluna relembrou o primeiro dia de aulas em que faltou às aulas e foi “para casa, por ser dia de apresentações”, e falou também da aprendizagem e da adaptação que teve de fazer sozinha, uma vez que estava sozinha, chegando a estar “um mês sem ver pai nem mãe”.

Rosa Barralé deixou uma mensagem aos atuais alunos, para que “nunca desistam e estudem sempre”, porque “quem tem os conhecimentos tem valor”, mesmo que hoje em dia os atuais alunos tenham “uma dificuldade que não havia no meu tempo, que é arranjar o primeiro emprego”.

Já Rui Moleirinho, que conta com 20 anos de história na Escola Secundária Solano de Abreu, destacou a constante evolução e mudança do mundo e necessidades, destacando que “aquilo que hoje é suficiente amanhã já não é” e que “nada se consegue sem trabalho”.

Rui Fernandes Moleirinho, atual professor na ESSA

O professor admitiu que é “fantástico estar nesta escola, acompanhar a sua evolução” que hoje tem “condições fantásticas” e admite que hoje se vive “numa era em que a evolução tecnológica é brutal”, permitindo a existência de telemóveis, internet e outros meios que facilitam a vida a alunos e professores.

A palavra passou para Helena Bandos, antiga professora que disse: “Se eu tivesse de fazer um filme sobre a minha história seria uma longa metragem, porque foram 34 anos desta história”.

Helena Bandos, antiga aluna e professora da EICA

Lembrou os tempos em que foi professora de Português e as lágrimas vieram ao cimo quando lembrou os momentos pelos quais passou durante 34 anos, destacando que "a escola também dá aos professores" e não só aos alunos. 

A antiga docente reforçou as ideias defendidas pelos oradores anteriores, dizendo que "a escola dá-nos valores".

De seguida falou Henrique Jesus, também ele emocionado ao contar que vinha "todos os dias a pé de Rio de Moinhos para aqui".

Henrique Jesus, presidente dos antigos alunos da EICA

Por fim, deu-se enfoque à juventude e atuais alunos da ESSA, na voz de Pedro Sousa, aluno do 12º ano e membro da atual Associação de Estudantes, que se mostrou feliz por ter vindo de Vila de Rei para Abrantes, para a ESSA.

Pedro Sousa, atual aluno da ESSA

O aluno disse ainda que é preciso "que o foco seja no futuro" e que os atuais alunos não devem "ficar sentados no mesmo sítio" porque, de outra forma, a evolução não acontece e o panorama não se altera. 

Pedro Sousa destacou ainda que "a escola serve para nos preparar para o mundo" e que a própria visão da palavra 'mundo' tem de ser mais ampla e não apenas com uma perspetiva local.

A iniciativa terminou com uma atuação do grupo de cantares do Agrupamento de Escolas N.º1 de Abrantes.

Atualmente, o Agrupamento de Escolas N.º 1 de Abrantes é composto por doze escolas: Jardim de Infância de Abrantes, Jardim de Infância do Carvalhal e Jardim de Infância de Mouriscas, Escola Básica de Alvega, Escola Básica de Bemposta, Escola Básica de Mouriscas, Escola Básica do Pego, Escola Básica Maria Lucília Moita, Escola Básica n.º 1 de Abrantes, Escola Básica do Rossio ao Sul do Tejo, Escola EB 2/3 D. Miguel de Almeida e Escola Secundária Dr. Solano de Abreu.

Reportagem: Ana Rita Cristóvão

Fotos: Carolina Ferreira