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Sociedade

Dia da Floresta: Crianças fazem renascer Mação

22/03/2018 às 00:00
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Esta quarta-feira, Dia da Floresta, cerca de 200 crianças do 1º ciclo tornaram Mação mais verde, com a plantação de um conjunto de árvores no Vale do Rato.

Os mais novos tiveram oportunidade de proceder à plantação das árvores com o apoio dos técnicos presentes, participaram num conjunto de ações formativas com a GNR e a Proteção Civil e fizeram uma ação de sensibilização junto da comunidade, na qual distribuíram folhetos para uma floresta mais limpa e segura.

A entidade organizadora foi a Câmara Municipal em parceria com o Agrupamento de Escolas. No local, Vasco Marques, vereador, começou por referir que a ação se revestia de “grande simbolismo”.

Vasco Marques, ao centro, a explicar os objetivos da iniciativa

“Este dia, tem um grande simbolismo por representar o princípio da primavera. A primeira primavera depois de um verão muito mau que tivemos aqui em Mação e esta primavera para as crianças e para todas as pessoas de Mação significa um recomeçar”, salientou Vasco Marques.

O vereador explicou que nem todas as árvores “morreram, a maior parte, irão sobreviver e as outras que morreram estão a ser repostas por uma empresa que nos patrocinou. E com ajuda das crianças e dos funcionários estamos a dar um sinal que um novo futuro começa”.

O responsável lembrou que muitas das crianças que ontem participaram na ação, viveram o flagelo dos incêndios do último verão.  

“Muitas das crianças que estão aqui, que vieram de Cardigos e principalmente as de Carvoeiro, viveram um verão muito dramático. Algumas delas tiveram de ser evacuadas e pelas suas tenras idades ainda não percebem bem o ciclo da vida e pensam que pelos fogos as árvores morreram”, fez notar Vasco Marques, realçando que muitas crianças do concelho “ficaram marcadas pela negativa por aqueles dias e por todas as situações muito desagradáveis que envolveram os fogos”.

O vereador salientou que “o homem que destrói, também é o homem que constrói e essa a mensagem que queremos transmitir. Iremos certamente construir uma nova floresta e construir o futuro destas crianças”.

Ontem, no Vale do Rato, foram plantadas diversas espécies de árvores, desde o pinheiro bravo, o medronheiro, carvalhos e sobreiros.

“As árvores estão a ser colocadas em determinados locais para evitar que em situações de fogo, os mesmos não avancem com a violência que avançaram no passado. E depois, estamos a tentar manter as espécies aqui de Mação”, disse Vasco Marques, dando conta que é intenção do Município “colocá-las em locais onde não haja tanto perigo de novas situações”, como as que aconteceram em 2003 e em 2017.

Questionado sobre os trabalhos de limpeza que estão a decorrer no concelho, Vasco Marques explicou que a aposta está centrada “nas zonas que ainda não arderam”, a freguesia de Cardigos e uma boa parte da freguesia de Amêndoa.

“Nesta fase, estes locais terão de ser alvo da nossa maior atenção para conseguirmos preparar o próximo verão e para tentar que continuem verdes conforme estão. Apesar de ser uma pequena área do concelho que não ardeu, as exposições climatéricas e também a quantidade de hectares que estão em causa fazem com que seja muito difícil cumprirmos os prazos” impostos pelo Governo, fez notar.

Vasco Marques recordou que as equipas do concelho “são limitadas” e os recursos também e que as áreas de intervenção “são muito significativas”. Outro fator a ter em conta, é que o Município pode contar cada vez menos “com as populações porque estão ausentes ou porque parte das presentes são idosas. Mas os trabalhos continuam a ser efetuados”, garantiu.

 

 José António Almeida a explicar a ação às crianças

Na receção às crianças, José António Almeida, diretor do Agrupamento de Escolas, deixou presente a ideia que é muito importante que as crianças fiquem integradas do que se passou no território e que possam contribuir para melhorar as potencialidades do mesmo.

“Para nós, é muito importante que as nossas crianças sejam desde muito cedo integradas no território, conheçam o mesmo, as suas potencialidades e os seus problemas”, afirmou António José Almeida.

“Elas sabem e já têm essa consciência que um dos problemas de Mação têm sido os incêndios, mas os incêndios não nos deixam definitivamente em baixo. E é importante que elas também contribuam, mesmo que seja de uma forma muito simbólica para o renascimento de uma paisagem que venha a ser mais organizada, mais ordenada e é um bocadinho essa formação que eles vão receber em contexto real”, acrescentou o diretor.

Por fim, António José Almeida considerou que “seria pouco inteligente da nossa parte afastarmo-nos completamente da realidade que nos circunda e onde estamos integrados”.