CARTA ABERTA

Sociedade 2018-12-06

Sinto-me triste!
Sou associado e pai de um menino que frequenta o CAO-Centro de Atividades Ocupacionais no CRIA-Centro de Recuperação e Integração de Abrantes.

Testemunho, por conhecimento de causa, que o CRIA merece todo o nosso respeito pelo trabalho que desenvolve, em prol daqueles que muitas vezes, digo quase sempre, a própria sociedade marginaliza e exclui!!

Anteriormente chamados por clientes e agora por utentes, designações que considero muito tristes e infelizes. Para mim são, e serão sempre, os meninos!!!

Os meninos que precisam de conforto, carinho e estabilidade e que nos retribuem com um sorriso puro e honesto.

E é a pensar neles que hoje me sinto triste, depois de assistir à Assembleia Geral do passado dia 29 de novembro, e vejo uns quantos Associados em discussões de vaidades, a tentar salvar a sua pele… enfim, um resultado de muitos recalcamentos, ódios, invejas e muita hipocrisia!!! Sem qualquer pejo em prejudicar a instituição e o seu bom nome.

Refugiam-se no indefensável e utilizam meia dúzia de termos técnicos uns pertinentes outros nem por isso..... e os meninos o que são? Números? Rácios? Não meus amigos, são seres humanos que precisam que tratem deles e que continuemos a pensar sempre primeiro no seu bem-estar!!!

E é por essa razão que aqui estou a demonstrar publicamente, enquanto pai e associado, a minha repugnância pelo que infelizmente assisti. Foi inqualificável.... e por isso, sinto-me triste!!!

Pergunto, onde está a consciência de cada um? Isso não importa!!! Importa o quê???? O umbigo, o estatuto! Não importa se sou ou não profissional!!

Muitos gostam de afirmar publicamente eu fiz eu aconteci eu sou o maior.... eu diria antes são uns pobres de espírito.

O que cada um faz e dá pelos meninos e por conseguinte pela instituição está na sua consciência e quando fazemos desprendidamente e damos o nosso melhor estamos de consciência tranquila e os meninos agradecem de alma e coração!

Eu acreditava que nesta instituição a maior parte das pessoas eram movidas por valores, princípios e dignidade, mas afinal isso tudo não passa de visões, diria mesmo alucinações…enxerguem-se, ponham-se no vosso lugar, olhem para vocês, se se lembrarem olhem para o vosso berço!!!

Caso já não se lembrem, berço é educação que os nossos pais nos transmitem, eu tenho muito orgulho na minha e tento transmitir essa educação ao meu filho. E vocês lembram-se do vosso berço??

A natureza, para quem acredita em Deus, ou em algo superior, não se pode esquecer de que os grandes desafios são dados aos grandes Homens e não é, nem pode ser considerado uma cruz.... sim, todos nós ambicionamos o perfeito, algo em quem muitas vezes vemos nos outros aquilo que não conseguimos ser e não é por isso que nos temos que sentir inferiores. A sociedade está competitiva cada vez mais, mas não pode por em causa os valores de cada um, o que nos é intrínseco, o nosso berço a nossa educação!

Não podemos ser somente estatísticas e números.

Reconheço que este é um sentimento partilhado por muitos outros pais ou associados que estiveram presentes na última Assembleia Geral do CRIA. Por isso, peço a todos os intervenientes neste processo difícil pelo que está a passar a Instituição que pensem antes de tudo nos meninos que precisam da instituição para o seu bem-estar, muitos até para a sua sobrevivência e deixemo-nos de palermices.

E termino este meu desabafo com uma frase de Nelson Mandela para reflexão:

Devemos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe conflito, e inspirar esperança onde há desespero”

António José Craveiro Marques Lourenço