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Sociedade

Bairro a Bairro, Aldeia a Aldeia: O projeto que leva a Junta de Freguesia até aos cidadãos

23/11/2019 às 00:00
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Tal como o nome indica, a ideia é ir de bairro a bairro, de aldeia a aldeia, para reunir com a população das várias comunidades da União de Freguesias de Abrantes (São João e São Vicente) e de Alferrarede.

Abertas a todos os cidadãos, estas sessões de debate e partilha promovidas pela Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede têm como intenção “ouvir as pessoas” numa “conversa franca de café”, em que se esperam “criar soluções para alguns dos problemas que nos possam identificar”, conforme explica o presidente da União de Freguesias, Bruno Tomás.

“Este projeto começou desde o primeiro dia em que fomos eleitos, há cerca de dois anos. A intenção é ouvir as pessoas porque aquilo que nós partilhamos com elas para nos poderem confiar o voto são para quatro anos e ao fim de um ano às vezes as prioridades mudam e nós precisamos da ajuda delas. Há aqui uma interatividade entre as pessoas sobre o que é que se pode fazer, o que é que se pode melhorar”, explicou o autarca à Antena Livre.

Bruno Tomás explica que estas sessões, que ocorrem mensalmente, acontecem “um mês na nossa parte mais rural, nas nossas aldeias, e depois no mês a seguir fazemos na urbanidade, nos bairros”.

A primeira vez que Junta de Freguesia e população se reuniram foi em 2017, aquando do início de mandato do atual executivo após as eleições autárquicas.

“A primeira sessão foi nos Casais de Revelhos, uma sessão muito participada, por sinal”, relembra Bruno Tomás que revela ser nas aldeias onde as pessoas mais aderem.

“O balanço que faço é positivo. Na ruralidade corre muito bem, as pessoas quando são convocadas ficam sempre disponíveis. (…) Quando tivemos, por exemplo, nos Casais de Revelhos ou nas Sentieiras ou na Abrançalha tivemos salas cheias, nem cadeiras tínhamos para as pessoas se sentarem. Na urbanidade há muito menos participação. Há aqui qualquer coisa que ainda não percebemos, mas não desistimos. Temos que ter mais gente, porque, efetivamente, temos tido as pessoas não que nós achamos que eram normais ter”, diz o presidente da União de Freguesias.

E este sábado, dia 23 de novembro, aconteceu uma nova sessão do Bairro a Bairro, Aldeia a Aldeia, desta vez na Escola Nº4 de Abrantes, na Chainça. Apesar do “convite que é distribuído na caixa do correio, porta-a-porta”, a pouca adesão foi notória, com o autarca assumir que “devíamos ter muito mais gente do que o que tivemos”.

Reunião da Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede este sábado, na Escola Básica da Chainça

Bruno Tomás não esconde o espanto de “como é que é possível que numa freguesia destas, com tanta gente e tanta gente instruída a nível de literacia digital, quando nós lhes pedimos para nos virem ajudar a pensar não vêm” e afirma que “há aqui qualquer coisa que não é só as instituições que têm que mudar, é o cidadão comum que também tem de começar a dizer ‘presente’ ” e a deixar “o conforto do lar” para “vir à reunião e partilhar”.

No entanto, destaca que esta iniciativa “está a acontecer há dois anos e é uma rotina e um hábito que temos de criar nas pessoas” e que desistir não é opção num caminho de “política participativa”.

E “nem que esteja só uma pessoa, a reunião decorre tal e qual como estava perspetivada”. E assim foi.

Hora e meia de troca de ideias e possíveis soluções para questões que afetam o dia-a-dia da comunidade, debatidas entre o executivo da Junta de Freguesia e cinco fregueses que marcaram presença.

Desde o pedido de estacionamento para certos bairros à repavimentação de várias estradas na freguesia, ao pedido para se agir contra a poluição de ruas e ribeiras e a velocidade excessiva com que os veículos circulam, até ao aumento do número de contentores de lixo pela freguesia e passando ainda por questões de outra ordem, como a falta de apoio à terceira idade e o futuro da antiga Sociedade da Chainça, vários foram os pontos abordados nesta sessão.

Mas se expor os problemas e apresentar sugestões é o primeiro passo, o segundo passará por resolver. Nesse sentido, quando questionado pela Antena Livre sobre até que ponto é que as questões apresentadas pelos cidadãos serão postas em prática, Bruno Tomás explicou que é “muito simples: Nós fazemos sempre uma ata de cada reunião desta tipologia. São vários pontos que são compilados e sempre que podemos, na semana a seguir, o pedido de um sinal, disto e daquilo, tentamos estar no terreno e cumprir com esse desígnio. E só assim, não vale a pena ser por palavras, só por atos. O que hoje aqui foi dito nós registámos e já na próxima semana estamos no terreno para tentar ir ao encontro daquilo que nos foi pedido, naquilo que é possível no trabalho direto da Junta – há outras coisas com outra estratégia que vamos também fazer chegar ou ao senhor presidente da Câmara Municipal ou na reunião do executivo da Junta”.

A próxima sessão vai acontecer em fevereiro e pretende “voltar à ruralidade. Vamos voltar à Abrançalha de Cima, Paul e Senhora da Luz, juntando estas três comunidades numa só reunião”, adianta Bruno Tomás.

O compromisso que saiu da reunião com a comunidade

E prova de que a junção da Junta de Freguesia à comunidade pode originar ideias e soluções é, por exemplo, a questão da antiga Sociedade da Chainça.

Uma habitante da freguesia questionou sobre qual o futuro da antiga Sociedade e, após discussão, o executivo da Junta assumiu o compromisso de “em janeiro, nas instalações da Junta de Freguesia, na Chainça” ter lugar uma sessão de debate extraordinária com o propósito de entender qual o futuro que as pessoas querem para a antiga Sociedade.

“É um ponto importante que temos que discutir com as pessoas. Nós, Junta de Freguesia, não temos legitimidade nenhuma para dizermos se é A ou se é B. O que nós temos é legitimidade para ouvir as pessoas da Chainça, as que participaram, as que querem participar naquele processo de decisão, e encontrarmos, em conjunto com elas, a melhor solução para a antiga Sociedade da Chainça”, reiterou Bruno Tomás.

Que trabalho faz uma Junta de Freguesia?

Apresentação do trabalho desenvolvido pela Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede

Além de ouvir a população, nestas sessões a Junta de Freguesia dá também a conhecer o trabalho que desenvolve ao longo dos 64 quilómetros quadrados de freguesia. O propósito, diz Bruno Tomás, é que “toda a gente perceba que a Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede não limpa só valetas e varre ruas”.

E como a lista é longa, tentámos resumir por pontos: limpeza urbana e rural (exemplo das festas da cidade e celebrações de ano novo); conservação e manutenção dos cemitérios municipais (Cemitério dos Cabacinhos, de Santa Catarina e de Alferrarede); gestão e conservação de jardins e espaços ajardinados; manutenção, conservação e funcionamento dos escolas do 1º ciclo do ensino básico (Escolas Nº1, Nº2, Nº4 de Abrantes, Jardim de Infância de São João Batista, Escola Lucília Moita, Escola António Torrado); transporte escolar de 25 crianças para o centro escolar de Chainça; transporte no âmbito da higiene oral; manutenção e conservação da rede viária e passeios; colocação e manutenção de abrigo de passageiros (já foram recuperadas 20 paragens de autocarro e criadas 12); colocação de mobiliário urbano; criação de parques (parque infantil da Chainça e do Condoal e parques de fitness); manutenção do jardim do Castelo e Aquapolis Norte (no âmbito do contrato interadministrativo celebrado com a Câmara Municipal); trabalho a nível de Proteção Civil (10 pessoas com formação para combate a incêndios rurais, através de kits de intervenção da junta, no âmbito de contrato interadministrativo celebrado); organização da prova 25 de abril, do almoço da terceira idade e das festas de São Lourenço; colóquios e apoios ao associativismo, ao desporto escolar e ao turismo sénior.

 

Ana Rita Cristóvão