Crónica: As Boas Festas, a Boa Vontade e outras Idiossincrasias

Sociedade 2019-01-06

Introdução

De quantas formas, ou cores, se veste o Natal? De que espírito? De que vontades? Quem somos nesta época, ou o que nos leva a agir de outras formas?!

Há realmente qualquer coisa nesta altura que vivemos, a findar o ano que nos pesa e que queremos soltar, a ver se tudo melhora. Há qualquer coisa de religioso, sim, o nascimento que se revela numa enorme montanha de metáforas que teimamos em ver.

Depois há as tradições, as luzes, os figuras, a família, a necessidade de apregoar Paz e Amor num mundo saturado, tão cansado de nós quanto nós dele. Vem entretanto a Fé, a esperança, o querer algo maior e melhor e a culpa de mais um ano que passou com tanta coisa por fazer, por mudar.

No Natal começamos, sem dúvida, a preparar o final do ano. O bipolar mês de dezembro, numa “antevisão da antevisão,” acaba por ser, todo ele, um martírio insuportável para uns no "tomara dia 1 a ver se isto tudo passa" ou em 30 dias de magia, com tudo o que a época nos traz de bom, de luz, de paz, como que a dizer que tudo está bem quando acaba bem. E bolas, há sempre tanta coisa que corre bem. E bolas, há sempre tanta coisa que corre mal.

Por falar em bolas, mais as estrelas e os sinos, há-as por todo o lado. Respondendo assim, à primeira questão em cima, são estas as formas, em vermelho, dourado ou na cor que quisermos.

Foi quando se começou a pensar na decoração natalícia, cheios de espírito festivo, que se reuniu no meu local de trabalho um grupo que se autoapelidou de "Brigada da Boa Vontade" e que quis porque sim, só porque sim, em resposta ao "porque não?", que é assim que se fazem as coisas, enfeitar as rotundas na Vila de Mação pelo Natal. 

Desenvolvimento

Esta Brigada de funcionárias e funcionários da Câmara Municipal de Mação fez-se assim ao objetivo, que era ter uma mensagem espalhada pelas rotundas da Vila:

À entrada da vila um celestial Coro de Anjos acolheu os Munícipes e dava as boas-vindas a quem entrava em Mação. Possivelmente as figuras mais simples e as que mais impacto causaram. Sim, há aqui uma mensagem subliminar, ainda que não planeada, que é o que isto tem de giro.

Logo depois, na rotunda na Zona Industrial os Duendes da casa do Pai Natal preparavam os presentes olhando em todas as direções para perceber o que cada um queria! Ficaram giros!

Na rotunda do Tribunal uns outros Duendes descansavam preparando-se para ir no dia 25 distribuir as prendas com o Pai Natal. Fiz um destes e fiquei feliz. Se não gostarmos dos nossos duendes, quem gostará?!!!!

Na rotunda junto à segurança social, solarenga e com uma boa relva, as Renas pastaram todo o mês. Simples, giras e pachorrentas, as nossas renas!

A rotunda junto ao Centro de Saúde simbolizou o tempo deste mês mágico em que o frio dos engraçados bonecos de neve é apaziguado com o calor das velas e lareiras na esperança de que todos os lares tenham Calor, Paz e Amor! Foi a rotunda mais difícil, grande, difícil de conseguir colorir, fazer brilhar. Tinha, ainda assim, 3 bonecos de neve muito bem conseguidos feitos pelos colegas da Carpintaria da Câmara que foram, como se percebeu nas rotundas, inexcedíveis. Pesados, os frondosos bonecos de neve, deixaram algumas de nós a "voltaren" que é como quem diz, sim, deram-nos cabo das costas. Mas passou!

Mais tarde, porque a coisa começou a entusiasmar ainda se deu cor ao anfiteatro junto à GNR que foi dedicado ao pai-natal. E no jardim do Largo dos Bombeiros as sobras, o que seriam apenas sobras daqui e dali deram vida a mais duendes, arranjos natalícios e muita cor ao jardim.

Esta foi a singela oferta dos funcionários da Câmara Municipal de Mação que, nas horas de almoço e fins de tarde se juntaram na esperança de que o Natal tivesse mais sentido e colorido!

Se foi uma experiência divertida?! Sim, foi. A busca comum por algo, o fazer acontecer, o querer, acreditar e concretizar, as ideias que fazem surgir novas ideias, esteve lá tudo. E a obra que se foi criando ficou em Mação no mês de dezembro, a lembrar o Natal, a dar forma e cor ao Natal, a lembrar o espírito em que todos nos envolvemos nesta época. Bem, todos menos um dos anjos da entrada da vila…

Conclusão

Creio que nem tinha passado uma semana e já um tinha desaparecido. Quer dizer, desapareceu mas não saiu dali sozinho pois era "apenas" um pedaço de madeira com uma bola de esferovite espetada, coroada por fita dourada das árvores de natal e umas asas, das mais baratas, do chinês. Ainda assim, foi subtraído o pobre anjo e, de 8, passaram a ser 7 (que vai-se a ver e é o número perfeito!!) A onda de indignação que se gerou chegou a incomodar-me. No bom sentido, atenção. Mas tive que pensar na energia e sentimento de pertença que se consegue gerar à volta de algo tão simples. Se calhar o anjo fugiu mesmo, para nos testar, para nos fazer pensar se conseguimos todos, lutar por algo comum. Será?!!!

Virou-se esta página, mais uma metáfora para o começar de um novo ano. Que as festas tenham sido boas, que alguns dos desejos de ano novo se concretizem. Porque dependem de cada um, sim?!!!

Ah! E as idiossincrasias do título?! É só uma palavra de que gosto. Porque gosto do som e de como é difícil dizê-la sem me enganar. É uma palavra que requer concentração e que me dá trabalho. Pronto, também remete para aquilo que é uma característica de comportamento peculiar de um indivíduo ou de determinado grupo. E realmente esta época que vivemos está cheia delas. De idiossincrasias. Tentem lá dizer isto alto, sem se engarem!

Bom ano! Que a força do anjo (onde quer que esteja) esteja connosco!

 

Por Vera Dias António