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Sociedade

Antigo mercado diário vai ser pavilhão multiusos

10/12/2019 às 00:00
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Depois do Cine-Teatro S. Pedro, desbloqueado com aquisição do imóvel por 470 mil euros, ficou também revelado, oficialmente, que onde está o antigo mercado diário de Abrantes vai nascer um pavilhão multiusos.

O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara de Abrantes na conferência de imprensa desta segunda-feira, dia 9 de dezembro, onde foi anunciada a solução para o S. Pedro. Manuel Jorge Valamatos disse que “vamos resolvendo coisas para atingir um todo. Fechando as questões culturais, em termos de instalações, podemos pensar nesta altura na requalificação do antigo mercado diário”. O autarca vincou que “aquilo que nós consideramos que é fundamental [porque andando com a a tenda às costas para desenvolver vários eventos] é tornar o antigo mercado diário num pavilhão multiusos.” E, neste contexto, foi mais longe quando afirmou que quer construir um multiusos “à séria”. Na racionalidade entre a sustentabilidade económica e aquilo que a autarquia pretende: “precisamos de um excelente espaço para dar resposta aos inúmeros eventos no nosso concelho, mas que seja prático e funcional, e sem loucura nos investimentos.”

O presidente da Câmara disse ainda, em relação a este “novo” multiusos que “queremos coisas grandes, com pujança, com robustez, mas simultaneamente com inteligência bastante para nãos serem investimentos megalómanos e desajustados com a realidade, com os dias de hoje dos abrantinos e dos portugueses (…) sem grandes loucuras e sem grandes loucuras do ponto de vista arquitetónico.”

Manuel Jorge Valamatos, quando questionado sobre salvaguarda das fachadas do edifício construído em 1933, garantiu que isso é um objetivo seja qual foi o projeto para o interior do edifício: “Nem se põe em causa destruir o rosto do antigo mercado (…) essa é uma discussão que comigo não a vamos ter.”

Ainda sobre o futuro multiusos, Valamatos, deixou claro que é o local ideal até porque tem ao lado um parque de estacionamento com dimensão suficiente para receber os visitantes dos eventos que ali se venham a realizar. Trata-se da do parque da Tapada do Fontinha.

“Queremos um espaço capaz de acolher qualquer evento de grande dimensão (…) para concertos, conferências (…) temos um exemplo bem recente que agudizou este sentido. Esta última Feira Nacional de Doçaria provou que Abrantes tem capacidade e competência para atrair muita gente. E queremos ter um multiusos, por exemplo, que consiga acolher uma Feira Nacional de Doçaria com muita dignidade”, explicou o autarca de Abrantes.

O antigo mercado diário de Abrantes, encerrado pela ASAE por falta de condições sanitárias para a venda de produtos frescos, em 2010, vai ser o pavilhão multiusos de Abrantes.

A aquisição do Cine-Teatro S. Pedro à sociedade Iniciativas de Abrantes, pelo valor de 470 mil euros, permite desbloquear o processo do antigo mercado diário de Abrantes que tem sido, nos últimos anos, um problema para a maioria socialista da Câmara de Abrantes.

Com a aprovação do Plano de Urbanização de Abrantes a oposição vislumbrou uma possibilidade de ataque político que assentava no facto desse documento poder prever a demolição do edifício, tido por muitos, com valor histórico, patrimonial ou apenas afetivo. Apesar das justificações do executivo municipal de que o antigo mercado não iria ser demolido PSD e Bloco de Esquerda avançaram com moções para impedir que o edifício fosse demolido, mesmo que fosse uma possibilidade remota.

Nestes termos o PS sempre disse que não haveria demolição, mas a oposição fez desse caso um cavalo-de-batalha, alicerçado nos movimentos e petições das redes sociais que queriam impedir a destruição do edifício que estava fechado, tinha deixado de ser uma aposta e começava a mostrar sinais de degradação pela inatividade ao longo dos anos.

Na Assembleia Municipal de 26 de setembro o presidente da Câmara de Abrantes tinha deixado escapar, propositadamente, as possíveis soluções para aquele edifício. Na altura Manuel Jorge Valamatos não quis adiantar mais pormenores sobre as ideias que poderiam estar em cima da mesa, mas foi das primeiras vezes que, publicamente, se falou num pavilhão multiusos.

A 1 de outubro a Antena Livre já tinha avançado com esta possibilidade. Na altura Manuel Jorge Valamatos tinha deixado transparecer que o desfecho do Cine-Teatro S. Pedro poderia ser a chave para desbloquear outros processos. O autarca tinha dito há dois meses que havia três possibilidades em cima da mesa: em centro cultural, um pavilhão desportivo e/ou o pavilhão multiusos. Ficou claro, na altura, que com S. Pedro haveria um multiusos e sem o S. Pedro a solução poderia ser um novo centro cultural, a ser construído, muito provavelmente, no antigo campo de futebol do Barro Vermelho. Só que, segundo algumas fontes contactadas, na altura, pela Antena Livre referiam que ganhava mais força o desfecho positivo do Cine-Teatro S. Pedro. O que viria a acontecer na Assembleia Geral da Iniciativas de Abrantes, a 8 de dezembro, e o anúncio público da compra do imóvel, por parte da autarquia, na última segunda-feira (9 de dezembro).

Recorde-se que o mercado municipal de Abrantes foi encerrado pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) em 16 de março de 2010 por falta de higiene e segurança. Na altura, a autarquia avançou para uma solução temporária dividindo o mercado em dois locais distintos até à construção do novo edifício que resultou da requalificação das antigas oficinas dos Claras, na rua Nossa Senhora da Conceição.

A 25 de abril de 2015, o novo mercado municipal foi inaugurado apesar das muitas criticas pelo abandono do antigo edifício que ainda serviu como Mercado Criativo, um espaço dedicado às artes, e onde se chegou a realizar a Feira Nacional de Doçaria Tradicional de Abrantes.

Nove anos depois do encerramento, resta saber os planos e a forma como vai ser desenvolvido o projeto, sendo que há a garantia do presidente da Câmara de Abrantes da salvaguarda das fachadas do edifício seja qual for o plano de desenvolvimento do seu interior.

Jerónimo Belo Jorge

 

Notícia relacionada: Um multiusos, um centro cultural ou um pavilhão desportivo