Abrantes: Vidas Cruzadas inaugurou serviço de atendimento a migrantes (C/ÁUDIO)

2020-10-13

O 108.º Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) abriu portas esta terça-feira, dia 13 de outubro, em Abrantes depois da assinatura de um protocolo entre a associação Vidas Cruzadas e o Alto Comissariado para as Migrações.

Com esta apresentação simplista poderá levar a muitas interpretações até porque, nestes tempos, quando se ouve falar em migrantes de imediato se faz a associação a refugiados. Mas não é nesses termos que este protocolo foi desenvolvido.

A primeira nota vai para a associação Vidas Cruzadas que sentiu, segundo as palavras da presidente da direção, a necessidade de encontrar uma resposta para aquelas pessoas oriundas dos mais variados cantos do mundo que lhe batiam à porta. Em 2019 a Vidas Cruzadas atendeu cerca de três dezenas de pessoas oriundas de outros países e este ano, até agora, já foram mais de 100 que ali entraram em busca de ajuda.

Vânia Grácio explicou que foi neste âmbito do trabalho social que contactaram o alto comissariado que viu uma janela de oportunidade para a criação de mais um serviço de apoio a estes cidadãos.

Vânia Grácio deixou claro que, muitas vezes, estas pessoas iam em busca de apoio social, escolar ou outro, por via de já estarem legalizados. Uma parte com trabalho regular e outra, de acordo com a dirigente, constituída por mulheres que saíram dos países de nascimento com os filhos em busca de uma vida melhor.

Vânia Grácio, presidente da direção da Vidas Cruzadas

Se estes números podem parecer elevados atente-se nos revelados pela secretária de Estado para a Integração e Migrações, Cláudia Pereira, que veio a Abrantes “apadrinhar” esta abertura. A governante diz que os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras apontam para 500 residentes no concelho de Abrantes oriundos de 40 nacionalidades. Para Cláudia Pereira, esta pode ser uma forma de aumentar a população nos territórios que agora têm o nome pomposo de “baixa densidade populacional”.

Cláudia Pereira, secretária de Estado para a Integração e Migrações

A governante diz que não se pode olhar para os imigrantes de forma depreciativa e que estes, os que estão legais e a trabalhar, representaram em 2019 cerca de 651 milhões de euros em contribuições para a Segurança Social. Cláudia Pereira diz que estes serviços de apoio podem ajudar estas famílias a encontrar trabalho e a fixarem-se nestas zonas do país. E depois referiu que no concelho de Abrantes o número de residentes estrangeiros cresceu 20% entre 2018 e 2019.

Cláudia Pereira, secretária de Estado para a Integração e Migrações

E são, segundo a secretária de Estado, estes números que “criaram” esta necessidade de um atendimento de proximidade para tentar resolver os problemas destas pessoas. Mesmo que seja preciso ajuda mais diferenciada há sempre a possibilidade de poderem ser encaminhados para um dos três centros regionais, que são uma espécie de loja do cidadão com os serviços destinados a esta população. Ou seja, podem ter os serviços tributários, de segurança social e do SEF, entre outros.

Cláudia Pereira destacou a importância destes centros locais que representam aquilo que, porventura, poderá fazer a diferença para a fixação desta população estrangeira: ser mais que um serviço, ser uma porta amiga.

Cláudia Pereira, secretária de Estado para a Integração e Migrações

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, disse estar satisfeito por ver uma associação a “agarrar” este serviço. Segundo o autarca mostra que Abrantes tem um tecido associativo forte e mostra que há mais formas de servir bem a população sem ser sempre o setor público. E este, segundo afirmou, é um dos bons exemplos, até porque há no país algumas autarquias com este tipo de protocolos. Em Abrantes não é feito com a Câmara, mas com uma associação que tem um trabalho com provadas dadas na área social.

Manuel Jorge Valamatos destacou ainda que hoje, na reunião que teve com a secretária de Estado, é que percebeu bem a dimensão das pessoas de fora de Portugal que estão na região, e vincou o facto de haver habitantes de 40 nacionalidades.

Manuel Jorge Valamatos, Presidente da Câmara Municipal de Abrantes

Vânia Grácio, presidente da direção da Vidas Cruzadas revelou que nesta altura os residentes que mais procuram a associação são brasileiros, seguindo-se os romenos e ucranianos. E a maior parte são cidadãos já em situação de legalidade, porque não se sabe que número de eventuais estrangeiros ilegais possam viver por estas zonas. Este serviço, afirmou, vai permitir ligar melhor as necessidades dos cidadãos com as instituições que podem dar os apoios pretendidos. E depois destacou que este não é um projeto que envolva verbas financeiras. Trata-se de mais um serviço que vem ao encontro das necessidades que são sentidas no trabalho desenvolvido no terreno.

Vânia Grácio, presidente da direção da Vidas Cruzadas

A Vidas Cruzadas é uma associação de cariz social com 13 anos de vida e que tem um trabalho assente uma rede de parcerias com outras instituições. O CAFAP - Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental, O SAAS - Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social, a Loja Social, a Rede Local de Intervenção Social, o Centro de Recursos de Ajudas Técnicas e o Banco de Livros Escolares são os projetos em que Vidas Cruzadas está envolvida. A partir de hoje junta-se o CLAIM – Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes.