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Sociedade

Abrantes recebeu primeiro colóquio sobre Ética no Desporto com casa cheia

19/05/2018 às 00:00
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O primeiro colóquio sobre “Comportamentos Éticos no Desporto”, organizado pela União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, decorreu na noite de 17 de maio e teve como convidados Jorge Maia, presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Santarém, e João Capela, árbitro de futebol internacional e embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto. A principal ideia que passou foi a importância de se promover valores e a urgência de se fazer uma "mudança de mentalidades", que deve começar "na formação dos nossos jovens".

João Capela alertou para a necessidade de se “promover a ética junto das crianças e jovens nas várias modalidades”, uma vez que eles são "mais recetivos aos bons e aos maus exemplos", atribuindo à Comunicação Social um papel importante nessa divulgação. Entre muitas outras ideias, o conhecido árbitro sublinhou a importância dos valores que se passam aos mais novos, como a cooperação, o respeito e a entreajuda. Nessa linha de pensamento, destacou que os mais pequenos devem ser preparados para acreditar que, mais do que ganhar ou perder, o que importa é que sejam felizes naquilo que fazem.

João Capela - que tem protagonizado alguns episódios mediáticos que mostram a capacidade que um árbitro tem que ter para aguentar toda a pressão de um jogo de futebol, assim como os comportamentos desadequados de jogadores, treinadores, dirigentes e público - acredita que o seu papel em campo não é só o de punir, mas também o de valorizar comportamentos. Por isso, apresentou-se em Abrantes como um claro defensor do 'cartão branco' nas competições desportivas, instrumento que visa premiar e valorizar os comportamentos éticos, tanto por parte dos atletas como dos responsáveis, técnicos e massas adeptas.

João Capela

Embora um elemento da assistência tenha notado que nem todos os árbitros têm os cartões brancos para poder utilizar, João Capela acredita que esta forma de premiar bons comportamentos no âmbito dos jogos de futebol venha a ser uma realidade, na primeira liga, daqui a dez anos. Para já, ficam os bons exemplos das escolinhas de futebol, como o do jovem Bernardo que, prestes a rematar à baliza não o fez, quando se apercebeu que o guarda-redes se tinha lesionado. Podia ter marcado golo, mas não o fez, por respeito pelo guarda-redes adversário. Teve, por isso, direito a 'cartão branco'.

Para mudar comportamentos, João Capela defende que se deve "fazer o desenvolvimento positivo dos jovens, para o desporto e para a vida". Nesse sentido, apresentou a sua estratégia, que passa por apostar em cinco "c's": confiança, conexão, competência, caráter e cuidado. Numa das muitas intervenções do público, alguém sugeriu que se juntasse a coerência, sugestão que foi de imediato aceite. Até porque uma outra mensagem passada ao longo da noite foi que "os pais não podem dizer aos filhos para se portarem bem na escola e depois vão para o estádio chamar nomes ao árbitro".

Atendendo à pouca adesão de novos árbitros nos escalões de formação desportiva, Jorge Maia referiu o desenvolvimento do emblema “Árbitro Protegido”, como modo de “incentivar os jovens menores de 18 anos” à obtenção de cursos de arbitragem, protegendo-os de eventuais atitudes menos éticas. Isto porque, pela idade que têm, ainda não possuem uma estrutura emocional que lhes permita lidar com comportamentos desadequados da mesma forma com que lida um árbitro com anos de experiência.

Jorge Maia

Jorge Maia defendeu que é normal que alguém diga que "não é falta", mas que a agressão não é aceitável. Reconheceu que "chamar nomes (ao árbitro) se tornou uma rotina que serve como desabafo do dia a dia", mas acrescentou que estes comportamentos têm que ser alterados. Assim como tem que ser alterada outra ideia generalizada: "qualquer erro do árbitro é visto como corrupção". Sublinhando que "é importante perceber que o árbitro erra" como erra qualquer outro profissional, Jorge Maia adiantou que, quando isso acontece, o árbitro é alertado e ajudado, para que não volte a cometer o mesmo erro.

No final da conferência, houve espaço para ouvir e esclarecer vários dos membros da assistência, que ativamente colocaram questões e deram pontos de vista. Um deles foi Nuno Pedro, atual delegado da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, um abrantino que voltou à sua cidade para participar neste colóquio que ajudou a organizar.

Com o objetivo de dar continuidade a este projeto, Bruno Tomás, em declarações finais, revelou “a vontade de voltar a organizar outras sessões”, com outros protagonistas no painel de convidados e debater o mesmo tema inserido noutras modalidades. Com estes debates, o que se pretende é que “todas as pessoas possam tomar uma atitude para mudar os seus comportamentos éticos, não só no desporto, mas também no seu dia a dia”.

Luís Dias e Bruno Tomás

Também presente no evento, Luís Dias, vereador da Câmara Municipal, incentivou a criação de uma “nova filosofia no desporto em Abrantes”, justificando que “jamais a violência pode ser legitimada”.

 

Texto: Rafael Sousa, Rita Pedroso e Rafael Franco, alunos de Comunicação Social da ESTA

Fotos: Joana Margarida Carvalho