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25 jul 2021
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Sociedade

Abrantes: Palestra mostra técnica para travar progressão da vespa velutina (C/ÁUDIO)

24/05/2021 às 13:05
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A vespa asiática chegou à Europa em 2004 e, daí para cá, espalhou-se tendo entrado em Portugal. Estima-se que a cada ano a espécie possa “andar” entre 80 a 100 quilómetros. Como espécie predadora, depois dos estudos sobre o seu comportamento, sabe-se que eliminam as abelhas e que têm uma capacidade muito grande de reprodução.

Há casos em que a eliminação de um ninho, de forma errada, fez com que nascessem nas imediações mais de uma dezena de novos ninhos. É por esse motivo que é tão importante detetar os ninhos de vespa asiática e fazer a sua eliminação por técnicas de “envenenamento” por forma a que as vespas morram e não criem outros ninhos, se ficarem sem a rainha.

Foi neste sentido que o Serviço Municipal de Proteção Civil de Abrantes organizou na sexta-feira, 21 de maio, uma palestra dirigida às juntas de freguesia, apicultores, forças de autoridade e bombeiros. Porque todas estas entidades têm de lidar com esta realidade que, nalguns casos preocupa, os cidadãos.

Para melhor explicar os comportamentos das vespas velutinas, a espécie das vespas asíaticas que cresce entre nós, Carlos Filipe da Associação Modelismo Centro Portugal foi o convidado para uma sessão de esclarecimento sobre este tema. E trouxe com ele a técnica que, na sua opinião, é a que melhor defende o ambiente e tem mais sucesso na eliminação das vespas predadoras.

A ferramenta usada é uma espécie uma cana (de pesca) de carbono e alumínio com uma agulha na extremidade. Esta cana extensível, com diversos metros, tem uma bomba elétrica e um tubo que liga à extremidade e que permite injetar os produtos nos ninhos. Esta técnica faz com que as vespas não se sintam ameaçadas e que, por isso, não tenham reações de defesa do ninho.

O líquido que é injetado nos ninhos não tem qualquer produto repelente porque o que interessa é precisamente o inverso. É utilizada uma solução química que contem feromonas que atraem as vespas que ao ingerir o líquido acaba por morrer.

O objetivo é fazer com que as vespas não “fujam” para criar um outro ninho. Se for utilizadauma outra técnica de destruição do ninho as vespas que fogem são potenciais criadoras de outras colónias. É por isso, diz o especialista, que é preciso conhecer bem como vivem para perceber como se devem atacar. E a técnica, segundo Carlos Filipe, é aceite pelo INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária.

E se, em geral, na região temos ninhos encontrados em árvores e zonas mais florestais, Carlos Filipe disse à Antena Livre que as vespas velutinas podem fazer os ninhos em qualquer local. Telhados, balseiros, casas abandonas e podem ter uma atração por barris de vinho já inutilizados. Pode haver uma proteína no vinho que atrai as velutinas, tanto mais que o vinho é, em geral, um dos ingredientes para a solução líquida que é colocada nas armadilhas.

Depois há mais outras notas a ter em conta, segundo o especialista. O período entre fevereiro e maio é onde se devem espalhar as armadilhas para capturar as vespas velutinas. E neste período porque é o espaço temporal em que qualquer vespa pode ser uma fundadora, já que os ninhos primários são, em geral, menos detetados.

Carlos Filipe diz que depois é que se devem colocar armadilhas junto aos apiários, já que as velutinas atacam as abelhas produtoras de mel à porta das colmeias.

E sendo esta espécie um grande problema para os apicultores, Carlos Filipe, revela que há um grande exagero e alarme social em relação a estas vespas. “Elas não atacam ninguém se não se sentirem ameaçadas ou se não sentirem em perigo o seu ninho”, explica ao mesmo tempo que acrescenta, com recurso à exibição de diversos vídeos, que pode ver-se a agulha a injetar o veneno no ninho e “elas não reagem”. Ou seja, como qualquer espécie, só reage se sentirem ameaça para o ninho. E aí, numa reação dessas, podem ser perigosas porque libertam uma feromona que atrai toda a colónia.

É por este motivo que o investigador e a Proteção Civil de Abrantes alertam para a necessidade de serem as autoridades a eliminar os ninhos de vespa velutina. E os Bombeiros Voluntários de Abrantes têm uma equipa que elimina os ninhos. Assim que a informação chega, com a localização do ninho, num período de 24 a 48 horas o serviço é executado.

Mesmo assim há, ainda, muitos apicultores que eliminam os ninhos de velutinas que ameaçam os seus apiários. E, nestes casos, estes não entram nas estatísticas porque não chegam ao conhecimento das autoridades.

Trata-se de um processo errado, pelo que a descoberta ou identificação dos ninhos deverão ser comunicados à Proteção Civil de Abrantes. E, neste contexto, Paulo Ferreira, coordenador garante que, neste momento, a reação do serviço é de 24 a 48 horas.

Paulo Ferreira revelou à Antena Livre os números oficiais de 2020 no concelho de Abrantes: foram eliminados 13 ninhos primários e 68 secundários. Um número inferior a 2019, em que foram identificados pelas autoridades 140 ninhos de vespa.

É por este motivo que o investigador e a Proteção Civil de Abrantes alertam para a necessidade de serem as autoridades a eliminar os ninhos de vespa velutina. E os Bombeiros Voluntários de Abrantes têm uma equipa que elimina os ninhos. Assim que a informação chega, com a localização do ninho, num período de 24 a 48 horas o serviço é executado.

Mesmo assim há, ainda, muitos apicultores que eliminam os ninhos de velutinas que ameaçam os seus apiários. E, nestes casos, estes não entram nas estatísticas porque não chegam ao conhecimento das autoridades.

Trata-se de um processo errado, pelo que a descoberta ou identificação dos ninhos deverão ser comunicados à Proteção Civil de Abrantes. E, neste contexto, Paulo Ferreira, coordenador garante que, neste momento, a reação do serviço é de 24 a 48 horas.

Paulo Ferreira revelou à Antena Livre os números oficiais de 2020 no concelho de Abrantes: foram eliminados 13 ninhos primários e 68 secundários. Um número inferior a 2019, em que foram identificados pelas autoridades 140 ninhos de vespa.

Carlos Filipe, Associação Modelismo Centro Portugal

Vespa Velutina identifica-se por ser maior e ter as patas amarelas

Vespa asiática chegou a Portugal em 2011

Segundo os dados do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), a vespa velutina é uma espécie não indígena e é predadora das abelhas-europeias, produtoras de mel. É originária das regiões tropicais e subtropicais do norte da Índia, leste da China, Indochina e da Indonésia. A chegada à Europa terá ocorrido em 2004, em França. A sua presença foi confirmada em Espanha, Bélgica, Portugal e Itália. Os especialistas dizem que a sua progressão na Europa tem sido de 100 quilómetros por ano. Em Portugal os números indicam uma progressão de 70 a 80 quilómetros por ano.
Ainda segundo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária a vespa velutina constrói ninhos de grande dimensão, em locais isolados e altos. Os especialistas indicam ainda que preferem locais com água ou com outras colmeias nas proximidades. Esta espécie distingue-se da vespa crabro (a europeia) pela coloração do abdómen (mais escuro e com uma lista amarela) e pelas patas (amarelas, no caso das asiáticas). A vespa velutina é uma espécie carnívora e predadora das abelhas, mata-as mesmos nas suas colmeias.

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