Covid-19: Novas variantes ameaçam regresso à normalidade

2021-02-20

Dada esta situação, e com o aumento da circulação destas variantes mais transmissíveis, o ECDC aconselha os Estados-membros (já que a saúde é uma competência nacional) a apostar em “intervenções de saúde pública imediatas, fortes e decisivas são essenciais para controlar a transmissão e salvaguardar a capacidade de cuidados de saúde”.

“A menos que as intervenções não-farmacêuticas [medidas restritivas] se mantenham ou sejam reforçadas em termos de conformidade durante os próximos meses, é de prever um aumento significativo dos casos e mortes relacionados com a covid-19 na UE/EEE”, avisa o centro europeu.

Capacidade de sequenciação na UE abaixo do definido

Na maioria dos Estados-Membros, a capacidade de sequenciação para identificação de variantes do SARS-CoV-2 está abaixo da recomendação definida pela Comissão Europeia para sequenciar 5%-10% das amostras positivas para SARS-CoV-2, alerta o ECDC.

Embora a maioria dos países da UE / EEE esteja investigando ativamente o surgimento de variantes da SARS-CoV-2, três países não o estão fazendo.

Muitos países estão a aumentar ou a planear aumentar a sua capacidade de sequenciação, mas indicaram a necessidade de apoio do ECDC.

As necessidades específicas incluem suporte com capacidades de sequenciamento e protocolos e com bioinformática em particular.

Para muitos países, o tempo de resposta para os resultados da pré-triagem PCR compartilhados com as autoridades de saúde pública é superior a 48 horas.

A resposta das vacinas contra as variantes

A UE pretende acelerar os procedimentos de autorização de vacinas melhoradas para responder às diferentes variantes do novo coronavírus, indicou recentemente a comissária da Saúde dos 27.

“Analisamos com a Agência Europeia do Medicamento os procedimentos e decidimos que, doravante, se houver uma vacina melhorada por um fabricante para lutar contras as novas variantes com base numa vacina já existente” e certificada “não haverá a necessidade de passar por todas as etapas da autorização”, disse a comissária Stella Kyriakides.

A Comissão Europeia tem sido criticada pela lentidão ligada ao início das campanhas de vacinação contra a covid-19 nos Estados membros, por causa dos procedimentos de certificação das primeiras vacinas, considerados muito longos em comparação com o Reino Unido ou com os Estados Unidos, mas também no que diz respeito aos pedidos de vacinas.

Um vírus que compete com ele próprio

O vírus que provoca a covid-19 está a “competir com ele próprio neste momento”, gerando novas variantes que vão predominar em qualquer parte do mundo em função da eficácia de disseminação que apresentarem, afirmou o virologista Pedro Simas.

Segundo o especialista do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, enquanto o SARS-CoV-2 apresentar características pandémicas, ou seja, provocar um elevado e generalizado número de infeções diárias, as variantes que surgirem com uma maior capacidade de disseminação “vão-se espalhar por todo o mundo” e não apenas numa determinada área geográfica.

“As variantes que forem mais eficientes a disseminar serão as que vão predominar em qualquer parte do mundo. Há tantas infeções nos vários continentes que as mutações aparecem de forma aleatória. Como há tanta infeção, há uma grande possibilidade dessas mutações aparecerem”, explicou Pedro Simas.