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Pedalar pela Nacional 2: Crónica de uma aventura

29/07/2019 às 00:00
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Sobre a aventura do Daniel Simões e do Nuno Gomes muito já se falou. Do desafio de percorrer 738 quilómetros em 24 horas a pedalar, com menos de 27 horas de viagem no total.

O planeamento foi longo e cuidado. Todos os dias, que antecederam a data certa, o Daniel tinha no bolso uma tirinha de papel com as temperaturas previstas para a sexta-feira, dia 26 de julho. A data que haveria de ficar na memória, e história, dos desportistas aventureiros. Foi mesmo a data de partida desta odisseia que atravessou Portugal de norte para sul.

Mas as coisas começaram bem cedo. Ao longo dos últimos meses muito treino. Treinos diários, com distâncias longas. Foi preciso trabalhar os músculos e a mente para o desafio das 24 horas.

Depois, no último mês, foi preparar uma alimentação cuidada e de acordo com a demanda que os dois viriam a empreender, com sucesso. Muita proteína e vitamina. Muita carne e peixe e muitos vegetais com ausência de massas, pão ou arroz. Ausência de gorduras ou açúcares. Retirar os hidratos de carbono fez parte da preparação.

Três dias antes da partida para Chaves, fita do tempo completamente vista e revista começou a nova fase do empreendimento. Últimos treinos. Descanso. Inversão na alimentação. Se durante um mês imperou a ausência de hidratos agora era a vez de começar com a carga de massas, pão, bolos. “Os hidratos é que são a energia. Agora vamos comer disso tudo para garantir a energia para as 24 horas”, explicou o Daniel Simões na Antena Livre, ainda nos momentos de preparação, pormenorizada, da viagem.

A alimentação dos ciclistas foi um cuidado que eles próprios tiveram. Prepararam a alimentação para todo o percurso de acordo com as necessidades particulares de cada um deles, com acompanhamento de perto de uma nutricionista. Ela não os acompanhou, mas esteve sempre presente no momento de alimentar.

A viagem até Chaves aconteceu na quinta-feira, à tarde. As três viaturas saíram de Abrantes cerca das 16 horas.

A boa disposição imperou no momento da partida. Alguns familiares dos aventureiros. Confirmação de todos os materiais necessários.

O Pedro Costa, fisioterapeuta, sempre preocupado com os pormenores físicos dos dois atletas, um militar e um professor de matemática.

O Jorge Bairrão com toda a logística. Desde a alimentação, às bebidas, à parte mecânica das bicicletas. Aquele jipe foi, sempre, a base de toda a operação.

O José Martinho Gaspar com a força e, depois no decorrer da aventura, com a alimentação da página do Pedalar Por. Uma fonte de apoio dos dois.

O Nuno Estrada e o João José, a partes, como outros elementos fulcrais no apoio necessário a toda a aventura.

Depois juntaram-se os intrusos neste grupo. Eu e a Maria Clara. Uma espécie de outsiders da aventura. Observadores. E uma ajuda suplementar em caso de alguma necessidade.

Vamos à viagem. Seguida até Chaves por IP’s e estradas. Paragem em Bigorne (Lamego). No alto da serra chovia e estava um nevoeiro intenso, a contrastar com o calor que havíamos deixado em Abrantes. A paragem serviu para testar a logística. Do jipe do Jorge saíram as primeiras bebidas e doces. Tigeladas, broas, e as caixas de Palha de Abrantes que haveríamos de distribuir por alguns dos locais de passagem como forma de agradecimento por algumas simpatias que fomos recolhendo. E também, claro, como o doce embaixador da cidade onde vivem o Daniel e o Nuno e que até está nas meias-finais do concurso das 7 Maravilhas Doces de Portugal.

A chegada a Chaves aconteceu mais ou menos na hora prevista. Entrada para o Regimento de Infantaria 19 (RI 19). Ali, a Messe de Oficiais tinha os quartos à espera da comitiva. Este apoio foi fruto dos conhecimentos militares do Daniel Simões e do Pedro Costa.

Os quartos, normais da “tropa” estavam quentes. Bastou abrir as janelas para que pudessem refrescar. E simpatia com que fomos recebidos foi ao ponto de termos, para cada um, três peças de fruta (laranja, banana e pera) e uma garrafa de água de litro e meio.

Depois de conhecidos os cantos da dormida, caminhada a pé até ao restaurante “O Bitoque” onde haveríamos de jantar. Comitiva escolheu à carta. Os ciclistas tinham a sua ementa definida. Um tacho de massa. Uma travessa de atum. Entre as gargalhadas sobre aquele jantar, carregado de hidratos, a chegada do capelão do RI 15, António Dias, tornou a noite ainda mais animada. Aliás, um capelão que já esteve em Santa Margarida, no Campo Militar, daí um conhecimento apropriado desta região, central, do país.

Dez da noite, entre as ideias de um passeio por Chaves ou o descanso, o Daniel Simões, sempre muito concentrado no plano, lá disse que eles tinham de ir descansar as últimas horas antes do desafio. Fomos todos.

Dia 26 julho 2019

05:30. RI 19, em Chaves. Tocam os despertadores que ecoam pela unidade militar em silêncio absoluto. A noite tinha sido de alguma ansiedade. Descansada, mas modo geral, mal dormida.

Nos corredores entre os quartos e os duches vamos cruzando os primeiros olhares, e os primeiros bons dias. O Nuno confirmou que tinha dormido bem, mas pouco. Às 04:30 tinha acordado. O mesmo tinha acontecido com o Daniel.

Já no estacionamento, prontos a sair para o Km 0 da Estrada Nacional 2, chegam o comandante, segundo comandante e capelão do RI 15. Fizeram questão de ver, pelos próprios olhos, os dois aventureiros e de os abraçar, antes da saída. O momento ficou registado com uma fotografia com o edifício principal do regimento em pano de fundo.

Saída para o km 0 da Estrada Nacional 2. Fica no centro de uma rotunda. O Daniel e o Nuno, que já vinham equipados tiram as bicicletas do jipe para o centro da rotunda. Está lá outro ciclista que também haverá de partir daquele marco, mas com outros objetivos em mente.

O chefe da Divisão de Turismo da Câmara Municipal de Chaves marca presença na partida. Traz com ele os passaportes da Estrada Nacional 2 e o carimbo para marcar o início da aventura.

Faltam 2 minutos. A manhã está fresca. Convida a ter o casaco vestido. Mas não há nuvens, o sol começa a despontar. Abraços e cumprimentos de despedida dos que ficam em Chaves. Abraços de incentivo e força ao Daniel e ao Nuno.

Quase 07:00 horas. O Pedro Costa faz a contagem. Às 06:59:00 o Daniel Simões e o Nuno Gomes deram a primeira pedalada e arrancaram com a aventura de os iria fazer percorrer os 738 quilómetros até à cidade de Faro, até ao marco final da Estrada Nacional 2.

Eles seguiram pela Nacional 2 rumo à serra, enquanto nós seguimos em busca de uma caixa dos famosos pastéis de Chaves, tenros e saborosos.

Depois, em caravana, os três carros seguiram no encalço dos ciclistas. Assim que os apanhámos fizeram sinal que estava a correr bem. Eram os primeiros 30 minutos de uma longa viagem. Mais à frente paragem para o pequeno-almoço do grupo de apoio e mais umas palavras de incentivo aos aventureiros.

Passagem por Vila Real, pelo trânsito da capital de distrito, com muito movimento, sem qualquer entrave e até com a colaboração de muitos automobilistas. É que nas provas oficiais há batedores e agentes de autoridade por todo o percurso. Aqui, os “nossos” ciclistas tinham de percorrer as vias pelo trânsito normal de cada uma das localidades por onde passa a Nacional 2.

Paragem em Santa Marta de Penaguião, mesmo em frente à Câmara Municipal. No centro da vila alguma dificuldade em poder montar o abastecimento, mas quando o Jorge aborda dois soldados da GNR que ali estavam imediatamente permitem a paragem à beira da Nacional 2.

Enquanto se monta o abastecimento para a primeira “refeição dos ciclistas” chega à praça o presidente da Câmara Municipal que é igualmente o presidente da Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2. Luís Machado que saudou os nossos aventureiros, carimbou os passaportes da Nacional 2 e explicou que a rota é uma marca e pretende ser um produto ainda mais turístico. Os entraves a uma sinalética geral para a Nacional 2 terão de ser ultrapassada para que a via que liga Chaves a Faro possa ser facilmente identificável. “Há troços que são das Infraestruturas de Portugal e outros dos municípios. Logo gestão diferente. Mas temos de ultrapassar essas diferenças e cultivar melhor esta rota”. Luís Machado crê que são 6 a 7 dias para fazer toda a Nacional 2 para ficar a conhecer bem as localidades por onde passa a estrada.

Enquanto o Jorge prepara a mesa, as duas cadeiras para eles se sentarem, o Pedro Costa agarra numa folha de papel e começa a separar as refeições. Massa triturada para o Daniel. Parece pudim, ou leite-creme. Já o Nuno tinha lentilhas com batata ou com massa. “Eles escolhem os sabores, mas têm de ingerir 500 quilocalorias em cada refeição. Mais uns açúcares e muita água para hidratação”. A explicação é do fisioterapeuta Pedro Costa que explicou que todo o plano foi desenvolvido por uma nutricionista: Célia Lopes. Todos os pormenores estavam ali, nos homens do staff no nas malas térmicas que seguiam no jipe, que levava ainda uma bicicleta suplente não fosse dar-se o caso de alguma avaria mais complicada.

Assim que chegam ao ponto de abastecimento sentam-se e comem. Sempre a correr. Sempre a olhar para o relógio. Os cinco ou dez minutos previstos para cada paragem são curtos. Daniel segue a planificação e acelera todo o processo. Enquanto eles se alimentam o Pedro prepara os barris de líquidos para colocar nas bicicletas e quando necessário pedem abastecimento em andamento.

Depois de Lamego é o staff que faz a paragem técnica para alimentação. Mas primeiro ver como subiam os dois ciclistas.

Paragem seguinte antes de Viseu. Debaixo de um viaduto do IP3, perto do Rio de Mel monta-se, novamente o apoio. Mais uma subida e repete-se todo o processo. O Jorge trata da logística e o Pedro a alimentação dos ciclistas.

Depois lá seguem de novo, dentro dos horários previstos, depois de terem tido a passagem do Marão e as descidas para Peso da Régua, nas íngremes encostas do Douro vinhateiro. E, claro, depois a subida para Lamego, nada fácil.

Mesmo assim em modo superação o Daniel e o Nuno iam a fazer o percurso dentro dos tempos e nós, muitas vezes, a “correr” atrás deles. É que quando apanham descidas, curvam-se nas bicicletas para ganharem mais aerodinâmica e “voam”.

Conseguimos parar, depois de Viseu num posto de abastecimento de combustível. Entre um café e carga nos telemóveis ou computadores, aproveitar para ver nova passagem do Daniel e do Nuno.

Novo alento para a nossa viagem até ao ponto seguinte. Depois das rotundas de Viseu esperava-nos o troço, talvez, mais confuso da Nacional 2. Entre Santa Comba Dão e a Livraria (Penacova) a Nacional 2 e o IP3 misturam-se. De tal forma que em determinados troços a Nacional 2 parece uma estrada florestal paralela à via rápida.

É na Livraria, à beira do Mondego que se faz nova assistência. Aqui o Daniel tem uma surpresa. Pedro Alagoa, colega militar, a passar férias naquela zona aparece com a mulher para dar um abraço forte ao colega e amigo. Também ali surge o senhor Moura. Habitante no Luso, teve conhecimento da aventura e, como é entusiasta da Nacional 2 e já foi ciclista, aparece para dar força, tirar umas fotos e garantir que quer fazer o percurso, mas de mota. “Quero sair de Chaves até aqui, para dormir em casa, depois daqui a Montargil e no terceiro dia até Faro”.

Na Livraria o Daniel mostra o joelho “raspado” pelos toques no quadro da bicicleta, mas nada que os preocupe demasiado. Eram 15:30.

A seguir ao Mondego vem nova dificuldade. Passar a zona serrana. Rumo Poiares, Góis e Amieiros onde há uma altitude de 777 metros. Subidas difíceis. Duras e com muitas curvas. Para esta “etapa” os ciclistas pedem abastecimento em andamento até porque o dia não está exageradamente quente, mas o sol provoca maior desgaste e, logo, necessidade de ingerir mais líquidos e evitar a desidratação.

Depois do ponto mais alto do centro, neste circuito, pois em Bigorne já tinham apanhado a altitude de 975 metros, rumo à Picha. Localidade do concelho de Pedrógão Grande, e que fica antes da Venda da Gaita, para quem faz o sentido descendente.

Monta-se o ponto de abastecimento junto ao Café Restaurante da Picha. Enquanto vou beber um café tento saber que pode ser o entrevistado para a edição das 18:00 da Antena Livre. Falo com João Aníbal, empregado do café, que explica o fluxo de clientes muito por causa do nome da terra. “As mentes é que são assim, nós moramos aqui, somos da Picha. É um nome como outro qualquer”. Já o colega primeiro não acreditou que dois “malucos” estivessem a fazer toda a Nacional 2 de uma vez. Depois, quando percebeu a realidade, limitou-se a aplaudir e a incentivar e ainda a ir buscar gelo para as malas de refrigeração do jipe do Jorge.

É ali que o Nuno e o Daniel recordam o Ferrão, colega das lides das bicicletas e que participou nas aventuras anteriores, nomeadamente o Pedalar por Pedrógão, já que é onde ele vive. Depois a pergunta do Nuno: “Jerónimo, achas que estará muita gente em Abrantes?”

Sim, a pergunta sem uma resposta clara, embora tivéssemos todos uma expectativa positiva. Iniciávamos na Picha, poucos minutos depois das 18:00, a etapa do meio desta jornada. “Temos mais ânimo porque temos a nossa família lá em Abrantes para nos incentivar. É uma injeção de ânimo”. Era assim a boa disposição e o pensamento sempre positivo de ambos. E foi mais uma etapa dura, embora com a chegada a Abrantes como tónico.

A descida para Pedrógão embalou os dois que passaram a Barragem do Cabril em direção à Sertã e depois Vila de Rei. Foi neste trajeto que enfrentaram mais uma dificuldade, a subida para a Melriça, onde fica o Centro Geodésico de Portugal a uma altitude de 495 metros.

Depois de Vila de Rei o Sardoal e a entrada em Abrantes com gritos de incentivo de quem estava à beira da estrada, nos cafés. Muitas buzinadelas de automobilistas. E sem imaginarem como estaria a rotunda do Rossio, quando atravessaram a ponte e perceberam que estavam dezenas de pessoas à espera, foi um dos momentos altos desta aventura.

A família e amigos. Presidente e vereadores da Câmara de Abrantes. Pessoas que Abrantes que quiseram dizer presente a esta passagem. Até o Palhinhas, a mascote da Palha de Abrantes, marcou presença para o grito final de incentivo à partida para a etapa seguinte, a primeira noturna. A paragem em Abrantes foi mais demorada do que o habitual, mas animou os dois aventureiros.

É também em Abrantes que há uma mudança no staff. Ficam o José Martinho Gaspar e o João José e entra na aventura o Nuno Estrada que haverá de ser mais um elemento para o resto da aventura, quando já todos começamos a denotar alguma fatiga. É certo que vínhamos de carro, mas desde as 06:00 em pé e sempre em movimento também cansa. Seguramente muito menos do que o Daniel e o Nuno que em Abrantes já tinham 381 quilómetros nas pernas.

Entre as muitas fotografias e abraços lá seguimos atrás dos dois, que vamos apanhar já depois da Bemposta, nas retas de acesso à cidade de Ponte de Sor. Passamos por Montargil onde os dois seguem pelo Alentejo como dois pirilampos pelo negro da noite.

Montamos nova paragem em Mora. E neste troço notou-se um maior atraso dos dois, que tinham sempre cumprido a fita de tempo prevista. O primeiro troço da noite causou algum frio ao Nuno, que teve de mudar de equipamento e levar uma pequena massagem do Pedro, por causa das costas. Sentiam algum cansaço, natural com os 451 quilómetros.

Depois de Mora, próxima paragem em Alcáçovas, concelho de Montemor-o-Novo. E é da etapa mais complexa da aventura da Nacional 2. É o maior atraso, até ao momento. Quando os dois chegam a Alcáçovas ficamos a saber dos dois percalços. O Daniel furou. O Nuno caiu. Nada de grave, mas que provocou atraso. Aliás, o Nuno pede mesmo que não de diga nada da queda para evitar preocupações na família que estava a acompanhar a emissão e o site da Antena Livre e a página desta aventura, Pedalar Por.

Aqui notou-se algum desânimo. Não iam conseguir cumprir os horários previstos. As 24 horas a pedalar iria ser possível, mas as 25 horas, do percurso total, seria mais complicado. Mesmo assim, enquanto o Pedro trata do joelho do Nuno, o Jorge e o Nuno tratam das bicicletas. Mais ar no pneu do Daniel e acerta a luz da do Nuno.

Nova partida para outra etapa difícil. De Alcáçovas até perto de Aljustrel, naquela que seria a penúltima paragem. Mais um troço de estrada com piso difícil. Muito irregular e que, por isso, torna mais difícil rolar. E de noite também complica mais. A noite está fresca e sem luar. Pelo que lá seguem eles, com a iluminação no capacete e na bicicleta, pelas longas retas do Alentejo.

Amanhece nos campos do baixo Alentejo. Temos a informação de que em Lisboa chove e em Abrantes está um dia muito cinzento. Em Almodôvar não. Algumas nuvens permitem desfrutar de um nascer do sol dentro do carro de reportagem, parado ao lado de uma quinta onde uns cães de guarda ladram incessantemente a casa carro ou motorizada que passa. O Nuno e o Daniel passam por nós à beira da placa de início de Almodôvar. Nota-se que vão muito cansados. Levam 637 quilómetros nas pernas. Faltam 13 quilómetros para a última paragem em Dogueno, pequena aldeia do Baixo Alentejo, quase a entrar no Algarve.

É em Dogueno que encontramos o peixeiro que nos conta que tem a sardinha fresca de Sines a 7 euros e que a dona Sílvia, enquanto nos tira o café, explica que ouviu falar desta aventura. “Aqui passam muitos, mas é de mota, principalmente. Mas podiam passar mais, fazia bem ao negócio.” Café bebido à pressa pois dizem-nos que os ciclistas estão a chegar.

Muito cansados. Trazem 650 quilómetros nas pernas. O Daniel conta que tiveram sono e o Nuno queixa-se do piso de alguns troços da Nacional 2. Mesmo assim, à frase “vamos, está quase”, reagem com sorrisos francos e abertos.

O Pedro Costa passa gelo nas coxas, enquanto comem a última massa da jornada: “Em Faro vamos comer qualquer coisa que não seja massa.”

Após a última refeição antes da meta o sinal de ambos: “São 13 quilómetros a subir, depois é sempre a descer.”

O Pedro Costa conforma o estado de cansaço dos dois, natural nesta jornada, mas confiante que tudo vai correr bem.

Despedimo-nos dos amigos de Dogueno e atiramo-nos à serra, para entrar no Algarve.

Passamos por eles na subida. No rosto a marca do esforço, mas sempre um sorriso e, por vezes, uma palavra deles a incentivarem-nos. Sim, a nós.

Descemos a serra. Entramos em Faro e percebemos que os últimos dois ou três quilómetros também serão difíceis. Não pelo terreno, mas pelo trânsito.

Percorremos o final da Nacional 2. Percebemos onde fica o marco 738,5. Algumas caras conhecidas que fizeram questão de saudar os corajosos aventureiros.

Alguns minutos entre abraços e algumas das histórias que fomos colecionando ao longo da viagem.

O nosso cansaço é ultrapassado pela alegria de poder levar aos ouvintes da Antena Livre, em direto, a chegada a Faro, de uma jornada que foi acompanhada a par e passo. Tal como a Maria Clara que registou o abraço final dos amigos ciclistas que tinham partido no dia anterior de Chaves, às 07:00.

Chegaram cansados, mas felizes. 24:03:43. A marca.

24 horas, 3 minutos e 43 segundos a pedalar.

Velocidade média de 29.53 km/h.

Velocidade máxima 71.92 km/h

Frequência cardíaca média 128 bpm.

Frequência cardíaca máxima 163 bpm.

Calorias 10307.

À chegada, momento de superação. Conseguiram. Perceberam que a diferença entre a projeção e a realidade só falhou porque foram muito ambiciosos e quiseram comer em 5 ou 10 minutos, o que é manifestamente pouco.

Ambos se mostraram cansados, mas felizes pela superação. Momentos difíceis a noite, a queda do Nuno e o furo do Daniel. Momento mais alto e emocional a chegada a Abrantes. Ambos manifestaram o agradecimento a todos quantos acompanharam a aventura. Os mais próximos e aqueles que acompanharam nas redes sociais ou nas marcas do grupo Media On, através das emissões da Antena Livre, replicadas na radiotagide.pt ou no site da Antena Livre e no do Jornal de Abrantes ou ainda no Facebook da Antena Livre. Ou mesmo através das nossas páginas pessoais das redes sociais.

O desafio foi cumprido. O desejo era um bom banho, uma refeição quente e o regresso a Abrantes. Mesmo assim tanto o Nuno como o Daniel poderão estar já a magicar uma nova aventura. “Ideias e sonhos, temos muitos. Esta já está. A próxima, bom, quem sabe uma partida de França…”

Sim, quem sabe.

 

Reportagem de Jerónimo Belo Jorge

Fotografia de Maria Clara

 

PS 1: Até para nós foi um desafio, mas um prazer poder partilhar com ouvintes da Antena Livre e radiotagide.pt e leitores do site e do Jornal de Abrantes esta aventura. Sim, foi uma aventura.

PS 2: Uma palavra de agradecimento ao Daniel e ao Nuno, mas também a toda a equipa. Jorge Bairrão. Pedro Costa. José Martinho Gaspar. João José. Nuno Estrada.

PS 3: Um agradecimento especial à Maria Clara que fez fotografias fantásticas, mesmo sendo uma estreia para ela estas andanças. Mas uma estreia em grande.

PS 4: A todos os amigos e ouvintes/leitores das marcas do grupo Media On (Antena Livre – radiotagide.pt – Jornal de Abrantes), primeiro, por nos acompanharem na “viagem” e, em segundo, pelas palavras de incentivo ao Daniel e ao Nuno.

PS 5, e último: Ah, temos os primeiros carimbos no nosso Passaporte da EN 2. Venham agora as nossas viagens para completar do documento.