Deputados do PSD criticam “irresponsabilidade” do ministro do Ambiente e defendem solução para a Central do Pego. Ministro reage: “Caiu a máscara ao PSD”

Região 2019-09-04

O PSD quer saber se o anúncio do encerramento da central termoelétrica do Pego, em Abrantes, em 2022, se baseou em “algum estudo ambiental e económico” e se o Governo tem um plano para mitigar os impactos da decisão.

Numa pergunta ao ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes, entregue a 3 de setembro no parlamento, os deputados sociais-democratas eleitos pelo distrito de Santarém questionaram se a opção de encerrar a central do Pego antes da de Sines “teve por base algum estudo ambiental e económico que comprovasse a necessidade do seu encerramento ser feito antes das demais centrais a carvão”.

O deputado Duarte Marques, em declarações ao Jornal de Abrantes, falou das preocupações dos deputados do PSD, afirmando que a “principal preocupação” do Partido “é o ambiente”.

O deputado questionou depois “o plano do Governo, de facto, para priorizar o encerramento da Central a carvão no Pego, em vez de Sines”.

Duarte Marques lembrou que “a Central do Pego é a central termoelétrica mais moderna e mais amiga do ambiente da Península Ibérica. É a que polui menos”. O deputado explicou ainda que “se o Pego fechar, outras centrais da Península Ibérica serão utilizadas no despacho para fornecer energia elétrica, portanto, fechar o Pego antes de outras, só está a beneficiar outras centrais mais poluidoras e não protege nada o ambiente”.

“É por isso que nós queremos perceber qual é a razão do Governo. Se há um estudo que explique isto ou se é apenas uma bandeira política da parte do ministro do Ambiente”, disse o deputado, afirmando ainda que “por outro lado, também queremos saber se o Governo está disponível para permitir a esta Central produzir com biomassa e com resíduos da floresta”.

Duarte Marques considerou esta como “uma medida importante não só para esta Central mas também para a região em que está inserida”. Este é, na opinião do deputado “e dos próprios acionistas e da gestão desta Central, um caminho possível para garantir o funcionamento desta Central, garantindo também a limpeza do território e, por outro lado, sendo uma reserva estratégica energética para o país”.

Duarte Marques falou ainda das preocupações sociais que o encerramento da central a carvão pode trazer pois “é fundamental para a região e para cerca de 300 pessoas e famílias que trabalham na Central”. O deputado considerou as declarações do ministro, “sem qualquer tipo de estudo ou plano de funcionamento e, sobretudo, de minimização de impactos”, de “alarmistas para uma comunidade que está estabilizada. São preocupantes e criam instabilidade nas pessoas”.

O social-democrata avançou que “esta declaração, sem mais, por parte do Ministério e do Governo, é apenas irresponsável e alarmista”.

 

Ministro: “Caiu a máscara ao PSD”

João Pedro Matos Fernandes, presente em Rossio ao Sul do Tejo por ocasião da cerimónia de apresentação da equipa de cinco novos vigilantes da natureza, comentou estas questões dos social-democratas e disse que “caiu a máscara ao PSD”.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética referiu que o PSD “de uma forma clara, deu um passo seguro para que a sociedade portuguesa se não descarbonize e para que Portugal não seja neutro em carbono em 2050”. O ministro disse achar “inaceitável a afirmação que foi proferida pelo Partido Social Democrata”.

João Pedro Matos Fernandes explicou depois que “as duas centrais a carvão em Portugal irão ser encerradas. Ao serem encerradas, num movimento de transição justa, têm que ter necessariamente um acompanhamento sócio-laboral e sócio-profissional para que todos os seus trabalhadores venham a ser integrados”. No entanto, o governante lembrou que “a Central do Pego é uma central privada, portanto, o Governo não encerra centrais”.

“É absolutamente fundamental aproveitar o território e uma parte muito expressiva das infraestruturas que existem no Pego para continuarmos a ter um backup de energia num país que em 2030 já vai ter 80% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis”, proferiu o ministro.

João Pedro Matos Fernandes adiantou que “os próprios donos da Central do Pego têm um projeto. Projeto esse no qual o emprego é globalmente mantido e, com pequenas alterações, são mesmo capazes de ter essa central, a partir agora de formas de produção de eletricidade que não envolvem combustíveis fósseis e o Governo acompanha este processo. E fica muito satisfeito por saber que há condições, por parte dos promotores, que respeitam todas as condições laborais e que estão integradas naquilo que são os objetivos dos compromissos do país, com ser neutro em carbono em 2050”.

Relativamente à reconversão da central a carvão para uma central de biomassa, o governante disse saber a resposta mas disse que a pergunta terá que ser feita ao promotor.