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Crónica: Desafios para 2017

31/12/2016 às 00:00
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1. Só uma coisa temos certa para este ano, a incerteza. Donde, um dos bens mais necessários é saber lidar com a incerteza.

A nível mundial, duas grandes personagens estão a agarrar as pontas da incerteza: Trump e Putin. Nenhum deles vai querer perder a oportunidade. E a China ronda-os de muito perto, o que vai fazer? E a Europa… vai saber aproveitar o momento? E para fazer o quê? Será que ainda pode? A Turquia vai usar os refugiados como arma contra a Europa? Putin vai cortar o gás à Europa? A Europa tem uma janela cada vez mais estreita para redefinir o seu destino. Alguns dizem “projeto”, mas ainda o é? A questão europeia é simples na formulação: ou se redefine ou perde relevância no tabuleiro mundial. Vários dos seus países membros parece que ainda não perceberam: sozinhos têm ainda menos relevância. Os dados estão lançados, e rolam ainda sobre a mesa.

O Brasil vai lançar mais gasolina na fogueira em que já arde? A Venezuela estilhaça-se? e sobre quem tombam os estilhaços? quantos portugueses lá vivem? E a Espanha, aqui tão perto, vai construir uma solução estável?

A Índia e o Paquistão desafiam a sorte, algum dia sai-lhes o azar, ambos têm a bomba atómica.

Guterres na ONU consegue fazer alguma diferença?

A Turquia continua… para onde? e a Coreia do Norte? e o Daesh? e Angola sem Eduardo dos Santos?

Por cima de tudo isto, o aquecimento global tem agora novos aliados, oferecidos por Trump. Quem vai pagar com a vida?

No Congo, longe das notícias, as pessoas continuam a morrer nas guerras entre tribos locais e entre empresas multinacionais. Nós, por cá, todos bem?

 

2. Em Portugal, a dívida pública sobe ou desce? A “geringonça” avança ou recua? O investimento recupera ou cai? O interior… bem, alguma coisa vai passar das palavras aos atos? Ah, e os bancos, sempre os bancos. Vamos ter de continuar a pagar ou pagam-nos o que nos devem? Se o BCE fecha a torneira, como nos aguentaremos?

Este ano vamos ter muita Fátima, para gosto de muitos e desespero de muitos outros. 

Mas as questões essenciais são outras, embora reflexo daquelas: o desemprego sobe ou desce? há ou não mais criação de emprego no interior? a pobreza diminui ou aumenta? a saúde das pessoas vai melhorar ou piora?

Politicamente, o PSD precisa de se reencontrar e o PCP precisa de gerir o seu apoio ao Governo. O BE parece estável e o CDS em processo de afirmação. Mas são as políticas concretas que fazem a diferença. Quais a vão fazer?

As autárquicas vão colocar os partidos em movimento. Que mexidas por dentro e que efeitos terão os resultados? Se bem que nas Câmaras o essencial vai ficar na mesma (as mudanças foram na eleição passada).

Mas a grande incógnita é: como se vai refletir em Portugal a incerteza internacional?

 

3. Localmente, a única agitação previsível anda à volta das autárquicas. A tendência é para que tudo fique na mesma, mas os resultados vêem-se no fim. Mas o grande desafio é o mesmo: criar emprego, criar emprego, criar emprego. Vamos ter novidades?

Entretanto, os fundos europeus vão começar a pingar em fase de obra. A (in)segurança vai continuar na ordem do dia. Mas os problemas da sustentabilidade e da digitalização das várias formas de vida são decisivos em termos de futuro da economia local.

O Tejo continua lindo, e poluído.

A falta de notícias também é notícia?

 

4. Só uma coisa temos certa para este ano, a incerteza. Por isso é ainda mais importante concentrarmo-nos nos valores que contam. E, por dentro, construir o mundo que queremos com base neles. Esse é o grande desafio. Feliz 2017!

 

Alves Jana