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2 a pedalar pela Nacional 2: A Aventura

27/07/2019 às 00:00
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Começou às 07:00 (de sexta-feira, dia 26) a aventura do Daniel Simões e do Nuno Gomes.

Saída do Km 0, em Chaves, com o passaporte da Nacional 2 carimbado pelo chefe da divisão de Cultura da Câmara de Chaves e na presença do comandante do Regimento de Infantaria 15, de Chaves.

Passagem por Vidago, em festa, pelas Pedras Salgadas, por Vila Meã e Vila Pouca de Aguiar, ao km 36.

09:40 a primeira paragem em Santa Marta de Penaguião, junto à Câmara Municipal. O presidente da autarquia quis cumprimentar o Daniel e o Nuno que, em modo alimentação de sólidos, garantiram estar bem após duas horas e meia de percurso.

Enfatizaram as paisagens serranas após Vila Real e as encostas vinhateiras "de uma beleza incrível".

Quanto ao seu estado, conseguiram mesmo adiantar-se em relação à hora prevista para Santa Marta de Penaguião "pois a descida deu-nos alguma embalagem", afirmou o Daniel, enquanto morde com vontade uma sandes de presunto.

Aqui a comitiva de Abrantes oferece Palha de Abrantes ao autarca local, como forma de promover o doce de Abrantes que está nas meias-finais do concurso das 7 Maravilhas, doces de Portugal.

Luís Machado é o presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião e o presidente da Associação de Municípios da Rota da EN 2. Salientou este tipo de iniciativas como fundamentais para a promoção da rota e revela que o melhor é mesmo fazer este percurso em 6 ou 7 dias.

Desejou as felicidades aos ciclistas fazendo votos para que cumpram a linha de tempo que está definida.

Depois de Santa Marta de Penaguião a subida para Lamego, depois da descida para Peso da Régua, afigurava-se mais complicada. Em Bigorne os aventureiros atingem uma altitude de 975 metros, o ponto mais alto da Nacional 2.

Depois de Lamego, o Daniel e o Nuno continuam a sentir-se bem fisicamente. Na assistência das 21:21, a 20 km's de Viseu, na Ribeira de Mel (assim mesmo) bem debaixo dos viadutos da A24, entre o repouso de 8 minutos ambos mostraram boa disposição e confirmaram que estavam bem fisicamente. "Estamos preparados para isto, não há momentos mais fáceis ou difíceis", afirmou o Nuno. Já o Daniel confirmou a forma física e indicou que é preciso é chegar bem a Abrantes. "Até Abrantes é que temos algumas inclinações mais difíceis. Depois é mais rolar", explicou o Daniel Simões enquanto comia a sua massa.

A alimentação é feita à base de hidratos de Carbono. Sandes de presunto sem gordura, massas e, depois, muitas barras energéticas com os açúcares rápidos para o organismo absorver. A alimentação não é a mesma. A base é a mesma, mas os gostos são diferentes. Enquanto o Daniel prefere massa sem grandes temperos o almoço do Nuno é uma massa mais avermelhada.

Após a paragem o Daniel grita que está na hora. "Temos de ir". Tudo é controlado ao minuto. Não se pode perder tempo. "Queremos chegar antes das 8 da manhã a Faro".

A assistência prepara tudo com minutos de antecedência. O José, o Jorge, e o Pedro (fisioterapeuta) tratam de todos os pormenores. Os sólidos para eles comerem quando chegam. As barras para colocarem nas bolsas das camisolas, para a viagem. Aguas e bebidas energéticas.

Sem esquecer o saco do lixo, para todos os resíduos. Sim, as preocupações ambientais existem.

Ambos se mostram satisfeitos com a ajuda e o comportamento simpático dos automobilistas com quem se vão cruzando, naquilo que é um claro incentivo à jornada.

A paragem seguinte vai ser em Penacova para mais um ponto de alimentação.

Nota para a meteorologia, dia com sol, algumas nuvens, mas na altitude de Penude (Lamego) o vento é fresco e convida mesmo a vestir o casaquinho.

Nota para as paisagens do douro vinhateiro, das encostas de colinas e serras, das torres de energia eólica e de património cultural e religioso. Podemos apreciar, mesmo que em passo rápido da viagem, alguns pormenores de monumentos de outras épocas.

Sinal também para as gentes destas terras que, em muitos casos, saúdam os ciclistas e gritam a dar força, mesmo sem saber qual a aventura em que estão metidos.

De Viseu a Penacova o andamento foi rápido apesar das subidas. A passagem por Viseu não atrapalhou os ciclistas que fizeram as médias necessárias para cumprirem com os tempos previstos no planeamento.

No “escritório”, em Penacova, o Jorge Bairrão e restante equipa de logística, João José, José Martinho Gaspar e o Pedro Costa param num desvio para montar a estrutura de apoio a mais uma dose de abastecimento.

Mas massas com carne ou o puré com lentilhas, as sandes de presunto ou paio, e bolos fazem parte da dieta preparada para o desafio pela nutricionista Célia Lopes. Tudo preparado para ajudar os dois atletas a terem a melhor performance possível.

É nesta paragem que surge o Paulo Alagoa e a esposa. O Paulo é amigo e colega de trabalho do Daniel Simões e “como estava de férias por esta zona, pensei e vir dar uma força”. Assumindo que é um desafio a superar, o Paulo não duvida que vão conseguir chegar a Faro.

É também ali que marca presença outro entusiasta da Nacional 2. Um habitante do Luso que chega de mota e vai tirando umas fotografias. Espera um dia destes fazer todo o percurso da Nacional 2, em três etapas. Uma de Chaves ao Luso, a outra do Luso a Montargil e depois, a terceira para fechar, Montargil até ao atlântico algarvio.

Após a refeição segue-se um novo rumo, no meio da serra e das zonas mais íngremes e com grandes dificuldades. Passagem por Góis e avanço, entre subidas e descidas, até à Picha. A terra que tem um restaurante e uma bomba de gasolina e que levou João Aníbal, funcionário do restaurante a dizer, de forma genuína, que ninguém, por ali, sabe bem qual a origem do nome. “Mas é o nome da terra, temos de o usar. As pessoas é que têm mentes complicadas”, atirou enquanto espreitava pela janela para ver se conseguia ver os ciclistas.

Já o colega, que tinha duvidado da realidade da aventura, ao perceber o andamento dos ciclistas acabou por dar força ao grupo.

Depois da Picha, foi descer até Pedrogão, passar a barragem para o outro lado, para o distrito de Castelo Branco. Sertã e Vila de Rei surgem nos esquemas como passagem para a cidade de Abrantes, a cidade onde tudo começou.

Quando entram na malha urbana Daniel Simões e Nuno Gomes nem imaginam que há, após a ponte sobre o Tejo, uma receção preparada. Assim que cruzam a ponte percebem que os abrantinos quiseram aplaudir a iniciativa e recebem os aplausos com um sorriso muito rasgado. Entre família, amigos e executivo da Câmara de Abrantes, todos quiseram deixar o apoio e o abraço aos aventureiros. Entre a alimentação e os cumprimentos, ainda ouve tempo para carimbar os passaportes da Estrada Nacional 2 e para provocar um atraso nos tempos dos ciclistas.

Ficaram de ego bem cheio, e era esse o objetivo, mas acabaram por perder algum tempo, levando a algumas alterações nos horários seguintes.

Passagem por Bemposta, Ponte de Sor e Montargill em bom ritmo com paragem em Mora. Tratou-se de mais uma paragem de alimentação com o Daniel a dizer que já não conseguirão chegar antes das 08:00, mas mesmo assim que deverão fazer um tempo bem inferior às 27, 4 horas que constituem o recorde anterior.

O Nuno Gomes necessita de um toque nas costas, por forma a fazer passar uma dor que o vinha a incomodar.

Depois de Mora seguem no mesmo ritmo, embora com o atraso a marcar as suas pedaladas. Ali Costa usou a sua formação para ajudar a debelar o “problemita” nas costas para que arranque para as etapas finais. “Agora já falta pouco, temos de conseguir chegar ao final”, gritou Daniel Simões, enquanto dava andamento a um pastel de Chaves que tinha vindo de manhã do ponto de partida, ou seja, do quilometro zero

Alentejo fora com destino ao Algarve, passagem por Montemor e, pelas 3 da madrugada o inesperado. Na zona entre Escoural e Alcáçovas o Daniel fura um pneu: “Fizemos milhares de quilómetros sem furar. Tinha de ser logo aqui, de noite”. Mais à frente o azar bateu à porta do Nuno: Uma pequena queda a fazer uma rotunda. Chegam, ambos fatigados e chateados com os contratempos ao ponto de abastecimento de Alcáçovas. Mesmo assim, o Pedro trata o Nuno e a restante equipa da bicicleta do Daniel. Depois da alimentação, siga a Rota da Nacional 2.

A madrugada foi mais morosa. Cansaço acumulado. Sono. E algum atraso nos tempos definidos. Mesmo assim não desanimaram e seguiram o rumo. Depois de passar por Almodôvar a última paragem para subir a serra algarvia até S. Brás de Alportel. “São 13 km’s a subir e o resto, mais de 40 a descer”, atira o Daniel, enquanto o Nuno refere que “Está na hora do último esforço”.

Já em Faro, quando passaram as ruas cheias de trânsito até ao local do Km 738,5 da EN 2, sorrisos abertos. Chegaram. Mais darde do que o esperado. Mas sorrisos no rosto e aquele abraço quando deixaram as companheiras das últimas 26 horas 50 minutos e 19 segundos, com um tempo total a pedalar de 24 horas e 03 minutos 43 segundos. Assim mesmo.

Apesar de não terem conseguido um dos objetivos conseguiram tudo o resto, as 24 horas, a superação, o querer e acima de tudo a vontade de pensarem num outro desafio.

 

De Chaves a Faro, pela Nacional 2 foi cumprido. Venham outros desafios.

Reportagem de Jerónimo Belo Jorge

Fotografia de Maria Clara

 

PS: Até para nós foi um desafio, mas um prazer poder partilhar com ouvintes da Antena Livre e radiotagide.pt e leitores do site e do Jornal de Abrantes esta aventura. Sim, foi uma aventura.

Ah, e temos os primeiros carimbos no nosso Passaporte da EN 2. Venham viagens para completar o documento.