Movimento ALTERNATIVAcom apresenta compromisso com empresas e emprego

2021-01-27
Créditos: ALTERNATIVAcom
Créditos: ALTERNATIVAcom

O movimento independente ALTERNATIVAcom que tem Vasco Damas como candidato anunciado a presidente da Câmara de Abrantes emitiu esta semana um comunicado que apresenta como o compromisso para com as empresas e emprego do concelho.
Começa o texto por referir que “aos municípios compete fomentar o desenvolvimento, promovendo e apoiando atividades económicas de interesse local. Só o desenvolvimento sustentável – baseado numa forte capacidade empreendedora e empresarial, de investimento e formação, de incentivo à fixação de pessoas e de baixos custos de contexto – pode gerar emprego, rendimentos e bem-estar. Os cidadãos são os principais atores económicos, sociais e culturais desta obra exigente, competindo aos órgãos locais do Estado abrir caminhos, regular, incentivar, apoiar e fiscalizar”.
Depois apresenta uma caracterização daquilo que consideram ser a realidade atual: “Todos devemos ter consciência da lamentável situação em que nos encontramos, e de como – e porquê – aqui chegámos. Dos treze municípios do Médio Tejo, Abrantes é responsável por 25,9% dos desempregados inscritos no IEFP (1.498), quase o dobro do município que se lhe segue (Ourém). Estes desempregados representam cerca de 10% da população ativa, a mais alta taxa da região. No mês passado (dezembro de 2020), o número de desempregados aumentou em Abrantes (+11,5%), tendo diminuído no Médio Tejo (-1%). São números arrasadores que nos devem preocupar e indignar”.
No mesmo texto os membros do ALTERNATIVAcom revelam que “estes dados não surpreendem, se tivermos em conta que não há uma promoção séria do empreendedorismo e que os programas de incentivo “Abrantes Invest” e “+ Comércio no Centro” são um fracasso. Em maio do ano passado, o movimento ALTERNATIVAcom questionou o município sobre esta matéria, não tendo havido qualquer resposta. Permanece um manto de opacidade sobre os custos e a eficácia dos instrumentos municipais de desenvolvimento económico, incluindo o parque tecnológico Tagusvalley.
Ainda assim, foi revelado que ao abrigo do programa “+ Comércio no Centro” foram investidos nos últimos seis anos 62.117,13 euros para apoiar o arrendamento e a criação de apenas 46 novos postos de trabalho em 34 novos estabelecimentos (aproximadamente 1 a cada dois meses). Todavia, nada se disse sobre os estabelecimentos encerrados e os postos de trabalho extintos no mesmo período (uma realidade que salta à vista de todos), sendo legítimo assumir que Abrantes tem regredido, não apenas em termos relativos (comparativamente com outros municípios), mas também absolutos”.
No seguimento daquilo que é a posição do movimento, pode ler-se que “no entanto, a máquina de propaganda do município reforça-se continuamente e procura fazer crer, sobretudo em vésperas de eleições autárquicas, que são feitos importantes investimentos e criados muitos e bons postos de trabalho. Tal até seria verdade, se as promessas políticas feitas na última década tivessem sido cumpridas, o que não foram. Só os anunciados projetos Tectania, RPP Solar e Ofélia Club teriam criado mais de 2.650 postos de trabalho, absorvendo todo o desemprego de Abrantes e, até, fixando novos habitantes. Como se sabe, tal não aconteceu e nunca foram dados esclarecimentos plausíveis.
É certo que o novo restaurante McDonald's criou postos de trabalho, a maioria deles precário e a tempo parcial, mas quantos estabelecimentos de restauração e bebidas encerraram? Com inusitada pompa e circunstância, foi inaugurado um stand automóvel nas instalações onde outro havia anteriormente soçobrado, mas quantas concessões e oficinas automóveis fecharam em Abrantes, um concelho onde algumas grandes marcas deixaram de estar representadas? O mesmo se passou em muitos outros ramos de atividade…”
No mesmo texto o ALTERNATIVAcom escreve que: “O município esconde estes números, mas basta consultar as estatísticas do INE para se ficar a saber que, entre 2015 e 2018, Abrantes perdeu peso (ou quota) empresarial no conjunto dos treze municípios do Médio Tejo, tanto no que se refere a grandes empresas, como a PME. Assim, enquanto o número de empresas na região cresceu 5,5%, em Abrantes cresceu menos de metade (2,6%), passando de uma quota de 13,2% para 12,8%. Esta quebra foi particularmente notória no sector das atividades administrativas e serviços de apoio, em que Abrantes decresceu 40,7%, contra um acréscimo de 11,8% no Médio Tejo”.
E depois deixa as propostas: “Para o movimento ALTERNATIVAcom, o investimento e o progresso económico devem ser social, ambiental e financeiramente sustentáveis. E as transições para novos modelos económicos e novas formas de comércio devem ser adequadamente planeadas e compensadas. Consideramos um desastre o abandono do comércio tradicional em favor de uma pseudo-modernidade jactante, em especial os estabelecimentos dos centros históricos da cidade, onde se inclui um dos ex-líbris da cidade, o maltratado Mercado Municipal, cujo edifício histórico se insiste em demolir, extirpando a nossa memória e identidade.
É também motivo de grande preocupação o futuro das nossas empresas, se nada for feito para assegurar a sua expansão, ou mesmo sobrevivência e continuidade. As empresas instaladas merecem outra atenção e consideração, exatamente a que têm necessitado e justamente reivindicado, mas não têm encontrado da parte do município. Com o movimento ALTERNATIVAcom, outra era se abrirá na qualidade deste relacionamento mútuo, com ganhos objetivos e ímpares para as empresas e a comunidade”.
O movimento diz que “o caso das empresas instaladas no parque industrial de Abrantes (zonas norte e sul) e nas zonas do Pego e Tramagal, é paradigmático. Atraídas por preços de instalação, condições de acesso e benefícios fiscais (que já não se diferenciam dos oferecidos por parques e zonas industriais de outros municípios), estas empresas têm visto as suas expetativas goradas por uma gestão amadorística destas infraestruturas, onde sobra em indisponibilidade, negligência e desinteresse o que falta em diálogo, conservação e melhoramentos. Sendo Abrantes um território industrial, a falta de investimento e promoção das zonas industriais explica muito da debilidade económica do concelho”.
E no texto continua a contabilizar problemas: “Os exemplos são inúmeros, uns mais visíveis do que outros. Entre os primeiros, estão problemas de acessos, manobrabilidade, pavimentação, drenagem, sinalização horizontal e vertical, estacionamento, limpeza, eliminação de ervas, etc. Nos segundos, estão dificuldades com comunicação e negociação, burocracia e demoras injustificadas, planeamento e captação de investidores, serviços partilhados de apoio, estudos de impacto social e ambiental, etc. Para que o parque e zonas industriais de Abrantes, Pego e Tramagal não sejam meros “depósitos” de empresas, importa que se assuma uma efetiva orientação para o mercado e capacidade de resposta às necessidades dos investidores”.
Na ordem do dia está o encerramento dos grupos a carvão da Central do Pego. Neste contexto o movimento revela que: “Como já alertámos, estamos também apreensivos quanto ao futuro da central termoelétrica do Pego e dos cerca de 300 trabalhadores permanentes e 500 ocasionais que lá trabalham, assim como dos 80 trabalhadores da insolvente FRASAM - Fundições do Rossio de Abrantes. No conjunto, estes trabalhadores diretos representam cerca de 12,5% do emprego por conta de outrem do concelho, devendo também ser tidos em conta os impactos indiretos. Esta é uma realidade que o município não pode ignorar ou apenas simular empenho, devendo pôr os interesses de Abrantes antes e acima dos interesses partidários ou outros”.
O movimento ALTERNATIVAcom conclui o comunicado com a assunção da “perfeita consciência da importância dos agentes económicos, grandes e pequenos, na recuperação e relançamento económico do concelho, bem como da responsabilidade e do papel do município na prossecução deste objetivo primordial. A missão é difícil, mas possível. Connosco, a iniciativa e o empreendedorismo serão uma realidade sociocultural, as empresas e os empresários serão parceiros estratégicos e singulares, os artífices e pequenos produtores/comercializadores serão acarinhados e estimulados, o desemprego será debelado e Abrantes atrairá novos trabalhadores e empreendedores”.