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Política

Autárquicas/ Abrantes: Candidatos do Bloco de Esquerda apresentam-se para “incomodar” poder instalado e têm oito pontos estratégicos (C/ ÁUDIO)

17/07/2021 às 17:28
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O Bloco de Esquerda em Abrantes apresentou os seus candidatos aos órgãos autárquicos no concelho numa cerimónia que teve lugar na sexta-feira, 16 de julho, no Jardim da República.

Perante uma plateia bem composta, com cerca de meia centena de pessoas, contou com as presenças de Catarina Martins, coordenadora nacional do BE, e de Fabíola Cardoso, deputada eleita pelo círculo de Santarém.

Sob o mote “Mudança Já!”, Carlos Dias é o mandatário da candidatura do Bloco de Esquerda aos órgãos autárquicos no concelho de Abrantes e começou por dizer que, há quatro anos, Abrantes percebeu que há oposição e que “tem funcionado”. Criticou a passividade e o “deixar andar” que acontece num concelho “em que há um partido que ganha invariavelmente por vários motivos” e esse acomodar nota-se até por parte dos partidos políticos.

“Pior que a pandemia é o ambiente” e pediu que as pessoas apareçam, participem, questionem e coloquem desafios aos candidatos.

Não deixou de referir que é difícil ter candidatos em todas as freguesias pois “as pessoas têm-se afastado da política”.

Pedro Grave, 47 anos, operador de Produção Térmica, volta a ser o candidato do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal de Abrantes e reconhece que “não é fácil encontrar quem esteja disposto a enfrentar o poder instalado por aqui há demasiado tempo, a mensagem mais ou menos velada é para estarmos sossegados, que «eles» é que sabem e tratam das nossas vidas por nós, é só não levantar poeira e estar quietos e calados com a política, que disso se encarregam os iluminados do poder”.

Criticou “o poder instalado até agora” que considerou de “absoluto e autista, auto-validado e auto-elogiado” e que “tem minado, asfixiado e estreitado a democracia local”.

Especificamente para a candidatura à Assembleia Municipal, Pedro Grave disse ter “grandes desafios pela frente” e, um deles, começa pelo novamente candidato à Assembleia Municipal de Abrantes pelo Partido Socialista, António Mor. Explicou Pedro Grave que “durante o atual mandato, foram várias as vezes que tivemos de intervir a pedir correção do modo na condução dos trabalhos, demasiado tolerante para com a Câmara e o seu presidente, assim como pedir celeridade em processos a cargo do presidente da Assembleia. Lembramos o protesto pela alteração do horário das sessões para horas que impedem a participação de quem está a trabalhar; a demora excessiva em implementar a transmissão online das sessões (esta apesar de estar prevista no regimento por sugestão da nossa bancada, passou bem de metade do mandato para se tornar efetiva); a falta de ligação e consequência relativamente às moções e recomendações aprovadas na Assembleia”, entre outras críticas.

Acrescentou o candidato bloquista à AM de Abrantes que “ainda houve alguma tolerância da nossa bancada, pois o atual presidente (agora recandidato) ao ser criticado, afirmou várias vezes que seria o seu ultimo mandato. O PS aposta na manutenção da zona de conforto e não quer surpresas, mas para nós há desde já um mote bem vincado” e pediu “Mudança Já!”.

Quanto às “lutas que pretendemos continuar”, assinalou “a revogação da demolição do edifício do antigo mercado diário, sua requalificação e subsequente regresso do mercado diário ao seu local natural; a prossecução da instalação de um julgado de paz em Abrantes, com a consequente agilização de processos e redução de custos; a alteração do horário das sessões de Assembleia para horário pós-laboral, conforme sempre tinha sido e é desejável que volte a ser”.

Já Armindo Silveira, 56 anos, licenciado em Ciência Política e Administrativa pela Universidade Aberta, atual vereador eleito pelo Bloco de Esquerda no Executivo Municipal de Abrantes e que novamente se recandidata ao órgão autárquico, deu início à sua intervenção com críticas à atual governação socialista do concelho a quem acusou de ter perdido mais quatro anos, “consequência de uma gestão que não resolveu, mas, pelo contrário, agravou a vida de todos nós”.

Lembrou que “o concelho continua a perder população, a deficiente assistência de cuidados primários de saúde aumentou assimetrias; não há política de habitação que fixe pessoas; os apoios às empresas são ineficientes e os incêndios são apenas uma catástrofe anunciada em consequência de uma gestão predatória do espaço rural”. 

Também “a degradação do património edificado municipal é visível tornando-se um perigo para a segurança e saúde pública e um desincentivo a quem nos visita e se quer fixar”, e apontou como exemplos “o Cine-Teatro de São Pedro, o antigo Mercado Diário, a antiga Galeria Municipal, a casa onde nasceu a única primeira-ministro de Portugal, engenheira Maria de Lourdes Pintasilgo, a Ermida de Santo Amaro...”

O candidato à Câmara de Abrantes defendeu então que “está na hora da mudança, pois esta terra que tem tudo para dar certo, mas está num declínio que urge estancar”. Adiantou que “ao longo dos anos, a governação PS revelou total inabilidade para junto do poder central evitar a saída de serviços públicos essenciais de diversas freguesias e que “as pessoas perderam a esperança no poder local e deixam-se ficar passivamente pois já não acreditam em quem tem o dever de nos guiar”.

Na sua intervenção em dia de apresentação de candidaturas, Armindo Silveira adiantou com oito pontos essenciais na estratégia do Bloco de Esquerda. Começou pela defesa da “memória coletiva e o património de todos” que, “será valorizado e preservado para as gerações vindouras”.

Destacou a “importância da floresta, dos ecossistemas e da sustentabilidade da vida”. Ao nível da floresta “reconhecemos a importância da produção lenhosa e não lenhosa. Reconhecemos a necessidade da remuneração dos serviços de ecossistemas e a urgência da regeneração, da proteção da natureza e da sustentabilidade da vida. Queremos valorizar os espaços públicos com um programa de plantação de arvores com um duplo objetivo: a fruição dos espaços e a mitigação das alterações climáticas. Queremos conceber um plano ambicioso de aquisição de terrenos para preservar, regenerar e florestar para potencia a biodiversidade e tornar a floresta mais resiliente”.

No que diz respeito à prestação de cuidados de saúde de proximidade, “tudo faremos por criar soluções de proximidade. Com uma população envelhecida e baixas reformas, poucos transportes públicos, trajetos incompatíveis e os horários desfasados, afastam as pessoas do regresso às aldeias não fixando população. Terão que ser os serviços a ir ao encontro das pessoas”.

Um outro pilar defendido pelo Bloco de Esquerda de Abrantes tem a ver com a Educação e a requalificação do Parque Escolar. “Construiremos um Centro Escolar Moderno na UF de Alvega e Concavada sendo uma das medidas para fixar alunos e jovens como forma de evitar o êxodo populacional. É uma batalha que temos que vencer”, afirmou Armindo Silveira que, disse ainda que irá acompanhar “a requalificação da Escola Otávio Duarte Ferreira em Tramagal e as obras necessárias na Escola Profissional e Desenvolvimento Rural e Agrícola em Mouriscas”. Prometeu empenho “na execução das conclusões do relatório final do Projeto Educativo Municipal de Abrantes”.

Na habitação, “avaliaremos a recente Estratégia Local de Habitação de Abrantes, criaremos as ARU´s necessárias para uma cobertura mais efetiva do território e asseguraremos que nenhum proprietário do concelho de Abrantes será excluído dos incentivos fiscais”.

No que diz respeito à economia, defendeu “o retorno do mercado diário ao seu edifício de origem” como uma prioridade do BE Abrantes.

Na cultura, “tendo em conta a entrada em breve de alguns equipamentos culturais, juntando aos que existem e tendo como referência o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, a escolha de uma pessoa de reconhecido valor para chefiar o novo desafio que temos pela frente, é fundamental para afirmar Abrantes com uma referência no panorama cultural nacional e ibérico”.

Dar voz às populações para se pronunciarem ao abrigo da nova Lei das Freguesias é outra das prioridades do candidato do BE que disse lutar “para que as freguesias tenham mais autonomia financeira e menos dependência do executivo autárquico”.

Catarina Martins, coordenadora nacional do partido, fechou as intervenções da sessão de apresentação das candidaturas do Bloco de Esquerda de Abrantes.

Disse que o BE “já provou ser capaz de mudar as políticas autárquicas”, trazendo temas à discussão que, “se não fosse o Bloco não estariam em cima da mesa” e “não tinham ninguém que falasse nelas”. Afirmou saber “que o Armindo foi vítima de muitas tentativas de intimidação nestes quatro anos porque tocou em questões que mexem com interesses económicos instalados, muito poderosos, com as questões da poluição do Tejo mas não só. E se alguém achava que o Armindo ou qualquer eleito do Bloco de Esquerda era intimidável, já percebeu que isso não é verdade”.

Catarina Martins disse que “é com esse património de sabermos que começamos a mudar a política autárquica que nos candidatamos, com a expectativa de aumentar os nossos eleitos”, tendo feiro notar o “enorme orgulho com o trabalho que o Armindo (Silveira) tem feito em Abrantes, com o poder económico incomodado com a sua primeira eleição, sinal que fez um excelente trabalho e que o vai continuar a fazer”.   

Foram também apresentados os candidatos do Bloco de Esquerda a algumas freguesias do concelho, sendo que a candidatura afirma que ainda irão surgir mais.

Esta sexta-feira foram apresentadas quatro candidaturas e Marisa Grácio, operária fabril, concorre à Assembleia da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede. Eduardo Jorge, assistente social, é o cabeça de lista à União de Freguesias de Alvega e Concavada. Vasco Catroga, técnico de manutenção, concorre à União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, e João Carlos Pio, operário fabril, à Assembleia de Freguesia de Tramagal.

 

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