Projeto Esperança de Paulo Flores e Prodígio edita hoje álbum de estreia

2020-11-07
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 O álbum de estreia do conjunto Esperança, que junta o cantor Paulo Flores e o ‘rapper’ Prodígio, duas gerações de músicos nascidos em Angola, “A Benção e a Maldição”, foi editado esta sexta-feira, 06 Novembro.

“Este trabalho é um jorro de impulso, intuitivo, desamarrando as memórias e os desejos mais profundos sobre a nossa gente, a nossa dor, a nossa terra e o nosso mundo”, descreveu Paulo Flores, em declarações à agência Lusa.

A ideia de gravarem juntos, partilhou Prodígio, surgiu “durante as típicas longas conversas” que costumam ter.

“Durante essa conversa o ‘Ti Paulito’ mencionou que não se sentia muito bem de saúde, e eu senti uma preocupação e aflição tão grande e disse: ‘Nós não podemos partir sem termos feito um álbum juntos’. Aquilo saiu-me tão espontaneamente que eu disse e logo de seguida pensei devia ter dido doutra forma. E, sem me deixar dizer mais nada o ‘Ti Paulito’ disse ‘bora, vamos fazer'”, recordou o ‘rapper’, acrescentando que, depois desse dia, deixaram que “o processo fosse o mais natural possível”.

“A Benção e a Maldição”, composto por oito temas, foi gravado em apenas duas sessões.

“Durante [as sessões], sorrimos, gritámos, chorámos e sobretudo sentimos muito tudo o que fizemos. Foi muito especial e, no final de tudo, acabámos por assumir os erros da 'demo'. Tentámos gravar os temas finais mas não chegou nem perto do sentimento que a demo carregava. Embora com muitos erros, a 'demo' tinha uma falta de cumprimento com a perfeição e um laço muito grande [com] a nossa imperfeição e a nossa verdade”, contou Prodígio.

Paulo Flores conta que algumas vezes choraram “mesmo a gravar as músicas”. “Abdicámos do tecnicamente perfeito para deixar os registos crus dos momentos em que os cantámos pela primeira vez, com toda a emoção de ter de sobreviver a todas as palavras”, disse.

Prodígio terminou a gravação do álbum “com uma sensação de transparência assumida para com as músicas” e “com a certeza de que este não é de longe o último projeto” que fará com Paulo Flores..

“Foi das coisas mais espontâneas que alguma vez fiz e não é todo os dias que um ‘puto do bairro’ cresce p'ra gravar um disco com o herói da sua infância”, afirmou.

Isso mesmo é dito pelo ‘rapper’ no tema que abre “A Benção e a Maldição”: “História”.

“É uma honra e privilégio estar em estúdio com um herói da minha infância. Obrigado meu ‘cota’, falo por mim e pelos meus que são teus”, ouve-se no tema onde o ‘rapper’ fala também numa “Angola sem truques, onde toda a gente desfrute”.

Em “História”, tal como no tema “Esquebra”, “é a violência” que “assola” os músicos. “Mas, também temos orgulho na ancestralidade de ser negro e assumir toda a história de dor e sobrevivência com esperança e fé no futuro”, referiu Paulo Flores.

Já em músicas como “Fome”, “A vida é curta” e “Viola”, os dois sentem “revolta pela dor ultrajante de miséria e a fome”.

O álbum termina com “Minga”, “uma história de amor”. “A esperança que temos em nós e nos outros que são nossos, uma história de amor aos lugares às pessoas e aos sonhos que carregamos juntos, num mundo melhor, onde todos se sintam parte integrante e importante nessa construção de uma nova identidade, dessa nova ordem, nova vida com valores sustentados na solidariedade”, explicou Paulo Flores.

A carreira de Paulo Flores começou em 1988, ano em que nasceu Osvaldo Moniz, agora conhecido como Prodígio.

Paulo Flores conta já com mais de 30 anos de carreira e mais de 15 álbuns gravados. Prodígio, que faz parte do coletivo de rap Força Suprema, começou a rimar com 11 anos.

O álbum de esteia a solo, “Prodígios”, foi editado em 2015. Antes disso tinha gravado seis ‘mixtapes’, que disponibilizou em formato digital.