Especial Feira do Tejo: “A aposta em espetáculos diferentes que pretendem mostrar outras formas de arte”

Entrevistas 2019-06-08

A Feira do Tejo está de regresso ao Parque Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha, de 8 a 13 de junho. A marcar pela diferença, está a aposta nas artes, no teatro e nos espetáculos de rua. A animação musical também está garantida com os HMB e um espetáculo com artistas do Concelho. As tasquinhas, o artesanato, o desporto e as exposições também são garantias de mais um grande evento. Marina Honório, vereadora da cultura, conta-nos como é vivida a Feira do Tejo.

 

A Feira do Tejo já se implementou como a grande festa da Barquinha?

Sim. A Feira do Tejo é o nosso grande evento anual. Para além de termos outros eventos, é um evento participado por toda a comunidade, pelas associações do concelho, por várias instituições e é o nosso evento, é a nossa grande mostra em Vila Nova da Barquinha. Vamos ter o fim-de-semana, dois feriados, grande animação, muito arte, mais uma vez dedicado à arte e ao teatro de rua e à animação de rua.

 

Nota-se que há uma aposta clara em projetos diferentes, para além dos grandes concertos. Para se demarcarem da oferta que existe na região?

Não dizia para demarcar mas sim para afirmar a Barquinha como um território de arte e ir ao encontro também do âmbito das festas desta própria marca da Barquinha e da vivência que aqui está instalada atualmente. Vila Nova da Barquinha faz uma grande aposta no domínio das artes, quer pelo CEAC, quer através das suas associações nos eventos que tem ao longo dos anos, quer na própria escola porque este ano também tivemos a parceria com o Agrupamento de Escolas e com a associação CIEC, na primeira Vila da Arte e da Ciência. Temos ainda as nossas residências artísticas, a nossa Galeria de Santo António e temos muitos artistas neste momento também a residirem e a fazerem vida em Vila Nova da Barquinha. Tudo se conjuga na nossa Feira do Tejo, uma grande mostra das atividades destes artistas, dos artesãos e das gentes da terra. Daí também esta aposta em espetáculos diferentes que potenciam outros públicos e que pretendem mostrar às pessoas outras formas de arte.

 

Tasquinhas e artesanato, como é que vai ser este ano?

Vamos ter na mesma as tasquinhas, bem como a mostra de artesanato nos stands das festas. Serão 58 stands de artesanato e oito stands de restauração.

 

O envolvimento das associações é de extrema importância...

Sim. As associações são, de facto, algo essencial para a realização da Feira do Tejo. Temos praticamente todas as associações do concelho envolvidas quer no programa, quer depois na realização de outras atividades fora da Feira do Tejo, como o passeio “Vespa Almourol”, o Trail do grupo de cicloturismo, caminhadas....

 

Essencialmente na parte desportiva?

Sim, uma grande parte na vertente desportiva e as restantes associações na vertente cultural, inseridas no programa das festas.

 

Quanto ao orçamento da Feira do Tejo para a edição deste ano...

O orçamento anda sempre por dentro do valor normal dos cento e poucos mil euros de custos diretos, porque depois temos sempre os custos indiretos que não são contabilizados. Falamos dos funcionários e de toda a logística que é necessária para estes dias, quer na sua preparação, quer para depois.

 

Como é que a cidadã Marina Honório vive estas festas?

Com grande orgulho. Orgulho de ver o envolvimento das pessoas, dos residentes do nosso concelho. Acho que existe um orgulho generalizado nas festas, não só pelo seu enquadramento, pelo espaço em si, o Parque Ribeirinho, que potencia a realização das festas e é, só por si, um espaço de excelência e que nos enche de orgulho todos os dias. Depois, por ver toda esta dinâmica que existe entre as pessoas, as associações, a vontade de participar e de mostrar o seu trabalho e também na receção de quem nos visita nestes dias. Acho que ,de facto, as pessoas são bem recebidas e isso transmite-se de pessoa para pessoa durante as festas.

 

Agora como vereadora, fica mais ou menos tempo na Festa?

Neste cargo fico mais tempo, essa é a realidade. Fico até mais tarde e venho mais cedo. Desde que ocupo este cargo, temos de acompanhar as pessoas, porque também a maior parte delas e as associações veem voluntariamente e acho que merecem o nosso respeito em estarmos presentes e em ver o seu trabalho. Para além disso, temos de acompanhar as equipas de trabalho que estão no terreno, porque na Feira do Tejo temos de trabalhar todos diariamente, ao minuto, porque acontecem sempre situações que têm de ser resolvidas no momento.

 

É visível que há cada vez mais gente no concelho. A estratégia do turismo em Vila Nova da Barquinha está consolidada?

A estratégia está, digamos, que a ser implementada. Não digo que está consolidada porque não a vejo de forma ainda fechada. Existe um longo caminho a percorrer, quer na afirmação de alguns produtos turísticos e na sua estruturação, quer no alcance de outros públicos. Mas desde o final do ano passado, é notório o caminho que se fez, nomeadamente com a abertura do Centro de Interpretação Templário (CITA) e da biblioteca arquivo. De facto, acho que é uma aposta ganha, não só para o município de Vila Nova da Barquinha mas também para toda a região do Médio Tejo. Temos notado nos últimos meses, o crescer do número de visitantes ao CITA e é algo que alavancou a estratégia que há muito se ambicionava, a de trazer os visitantes desde o Castelo de Almourol até ao centro da vila. Um dos grandes problemas do nosso concelho era que os visitantes iam até ao Castelo de Almourol mas não vinham conhecer a vila. Agora, é muito agradável, ver os números a aumentarem. Existe aqui uma grande parceria entre o Município, o Exército e a Junta de Freguesia de Tancos e, com a criação do bilhete único, obriga-nos a potenciar aqui também o CITA. De facto, é essa a estratégia.

 

O que é que as pessoas procuram? E que tipo de público procura o CITA?

Temos de tudo. Temos desde as famílias que vêm passar um fim de semana e vêm ao castelo, ao CITA, ao parque... até excursões organizadas e ao o turista que já vem mais sobre a temática dos Templários e vem mesmo no encalço e na certeza que aqui vem encontrar algo diferenciador. Quando entram na biblioteca arquivo, ficam de facto espantados com o espólio que lá temos e com a documentação e a informação que está no CITA, tão bem descrita. Isto deve-se ao trabalho e acompanhamento do curador, do professor Manuel Gandra na realização daquele espaço em termos científicos e históricos e ficam espantados da maneira como está descrita a história, como está feito o enquadramento da nossa região na história e também com itens que temos em exposição, que estão muito bem conseguidos.

 

Portanto as pessoas já conhecem o CITA?

As pessoas já começam a conhecer o CITA e nós esperamos que estes números disparem. É essa a nossa estratégia e vamos continuar a trabalhar para isso, para dar a conhecer o CITA, também a nível intermunicipal, para potenciarmos a visitação de toda a história Templária na região, nomeadamente com Ferreira do Zêzere, Dornes, e Tomar com o Convento de Cristo. Faz todo o sentido que assim seja.

 

O Parque Ribeirinho , o Parque de Escultura, Almourol, o CITA... O que é que a Barquinha pode oferecer mais a quem visita?

O Parque de Escultura existe, também é bastante visitado por alunos e por entidades que vêm no encalço da escultura e, neste momento estamos a complementar a oferta do Parque de Escultura com o Roteiro da Arte Publica. É algo que pode alavancar a visitação ao Parque de Escultura de Vila Nova da Barquinha. São duas coisas que se conjugam para o visitante e para o turista que vem à procura da parte artística do nosso concelho. O Roteiro ARTEJO vai potenciar novamente a visibilidade sobre o Parque Escultura Contemporânea porque são dois projetos com a Fundação EDP e são dois projetos que se complementam.

 

Para quem chega a Vila Nova da Barquinha à procura desse Roteiro de Arte Pública, de que forma é que o pode fazer? Já há um roteiro definido para as pessoas saberem onde é que estão as pinturas...

Esse roteiro foi lançado oficialmente do dia 18 de maio. Vamos ter com o programa visita ao Parque de Escultura pelas 10h e depois às 14h30 vamos então visitar esse roteiro, já com toda a documentação, o guia, chamemos-lhe assim, o guia do roteiro ARTEJO na mão, onde tambem está referenciado o Parque de Escultura e onde as pessoas depois poderão ter o mapa e ter a explicação das obras, dos artistas e todo esse roteiro em papel para acompanhar a sua visita.

 

Portanto, o roteiro de Arte Publica é algo que volta a impulsionar aqui o turismo ?

É. É virado para o turista que vem na procura da arte publica e assim que alcançamos outro publico. Para quem já nos visita, temos uma oferta e uma razão para nos visitar novamente. Está espalhado por todas as freguesias do concelho e as obras nasceram de assembleias comunitárias que foram feitas em cada uma das freguesias com as pessoas que nela quiseram participar e com os artistas.

 

A parte hoteleira, está capaz de acolher todos os visitantes?

A parte hoteleira está capaz de acolher porque há alguns anos triplicámos a oferta que tínhamos com serviços de muita qualidade, com muita capacidade e que estão a funcionar.

 

Depois, temos uma Barquinha renovada. O programa de reabilitação urbana aqui do concelho está a ser um sucesso?

Está. Eu acho que é um sucesso e até diria mais, acho que é um caso de exemplo de como os municípios podem potenciar a reabilitação urbana e como podem fazer renascer os seus centros históricos e os centros das vilas. Nós sabemos que tudo começou há muito tempo com o Parque Ribeirinho, não podemos esquecer essa situação porque o Parque Ribeirinho também abriu uma nova visão sobre a vila, potenciou a vila e continua a potenciar e a devolver o rio. Depois, toda a estratégia de comunicação, de sessões de esclarecimentos feita pelo Município sobre as medidas de apoio à reabilitação urbana para privados, em paralelo com o PARU, o plano de estratégia municipal de reabilitação urbana onde também já houve várias intervenções, uma das quais é o exemplo da nossa Praça da República. Também o ninho de empresas e uma outra que já está a funcionar há bastante tempo, de reabilitação da zona envolvente à Galeria de Santo António e da Loja dos Sabores, que foi outro espaço que foi dignificado e bem dignificado. São estas pequenas reabilitações, em planos estratégicos com a criação e a oferta, seja de serviços, seja de uma nova visão sobre o espaço, que vai potenciando a vinda de pessoas para Vila Nova da Barquinha. Vila Nova da Barquinha, também devido à sua posição estratégica no Médio Tejo e perto de todas as vias de comunicação, sejam elas, a ferrovia, ou sejam as autoestradas, a rodoviária, é o sitio certo para morar.

 

Quem é que está a vir para cá com esta reabilitação? Os que já cá estavam ou os de fora?

As duas coisas. Temos pessoas que estão a vir para o centro da vila que já moravam noutras zonas do concelho, mas grande parte vem de fora. Temos novas famílias a vir, quer aqui para o centro da vila quer também para a zona envolvente ao Parque Escolar, porque após a reabilitação e organização que ocorreu em torno daquele espaço, É um espaço de entrada digno da vila e nota-se a vinda de novos casais para esse espaço.

 

A Praça da República está concluída, o Ninho de Empresas está em construção... Na área empresarial, como está o concelho?

Na área empresarial, continuamos com o nosso plano estratégico no âmbito do Centro de Negócios e da dinamização, na tentativa de atrair novos negócios para Vila Nova da Barquinha. Vamos continuar no encalço dessas estratégias, através do gabinete de apoio ao desenvolvimento local que presta aqui bastante apoio na área da receção dos empresários, em conjunto com o Centro de Negócios e com os técnicos que fazem este acompanhamento por forma a tentar criar aqui as melhores condições para receção de novos empresários em Vila Nova da Barquinha.

 

Algo que também já está a mexer?

E há algum tempo. Vamos ter aí a grande novidade do Bark – Biopark Barquinha, um projeto que, a concretizar-se, devido a ser privado, temos de falar sempre desta forma, que a concretizar-se será certamente uma grande alavancagem a nível económico. Esse projeto, devido à sua dimensão, irá impulsionar outros negócios e a instalação de outros negócios a nível locar e na região.

 

E o Ninho de Empresas é dirigido a quem?

O Ninho de Empresas, em cujo regulamento ainda estamos a trabalhar, está preparado para receber todo o tipo de negócios. Desde as indústrias criativas, porque dentro das salas existem pontos de água e está preparado para instalação de bancadas necessárias a essas industrias, mas poderá ir até a empresas no ramo da tecnologia porque também estará preparado para isso. Vamos fazendo o caminho com calma.

 

Já há interessados?

Já, bastantes. A nossa questão, no domínio artístico é mesmo essa. Como temos as Galerias de Santo António, como o CIAAR – Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo também abriu o seu espaço à instalação de outros negócios e tem a sala de coworking onde até está funcionar o CTeSP com o IPT no âmbito da Proteção Civil e já tem todo o espaço ocupado, não têm mais nenhuma sala... várias pessoas já se dirigiram à Câmara, nomeadamente no domínio artístico, a dizer que se pretendem instalar em Vila Nova da Barquinha. Querem saber qual o espaço que a Câmara tem para eles, mas vão ter que aguardar mais um pouco para poderem concorrer a instalarem-se no Ninho de Empresas”.

 

Vila Nova da Barquinha é uma Capital da Cultura permanente?

Acho que vai ser uma Vila da Cultura e da Arte permanente.

 

Patrícia Seixas