Especial Abrantes: As Festas, o regresso aos "Mourões" e 100 dias de presidência

Entrevistas 2019-06-12

 

Com um modelo de Festas semelhante aos anos anteriores, a grande novidade é o regresso dos concertos aos Mourões. Com 100 dias de presidência, Manuel Jorge Valamatos abriu a porta das suas ideias e revela que a grande obra que gostaria de deixar era a definição da nova ponte sobre o Tejo no concelho. A entrevista de Manuel Jorge Valamatos ao Jornal de Abrantes, no especial sobre as festas de Abrantes deste ano.

 

 

Quais são os destaques e as mudanças para as Festas da Cidade, as Festas do Concelho 2019?

Não há grandes mudanças. Quando esta equipa tomou posse o programa das festas já estava em marcha. Há aqui duas ou três coisas que fomos corrigindo, mas não tem haver com o facto de sermos uma equipa nova, é pelo facto das circunstâncias. O que me parece mais relevante é o concerto do dia 14 de junho que fizemos três anos seguidos no Castelo será feito no Aquapolis Sul. Vamos voltar aos Mourões.

 

Vai ser mesmo no relvado?

Sim, mesmo no relvado. Este ano já com o espelho de água a funcionar como todos sabemos. Voltámos a ter boas condições para ter um concerto no Aquapolis Sul, já que durante alguns anos não o fizemos porque tivemos o açude em baixo, houve obras na ponte (…) e depois também voltámos a ter o concurso de cavalos que bateu em cima das festas. Não são coisas compatíveis. O concerto vai sai do Castelo por questões, fundamentalmente, de acessibilidade. O Aquapolis é muito mais acessível. E o castelo é muito curto para tanta gente que quer ver este concerto, que é único. As pessoas foram percebendo que estes concertos, nos últimos três anos, são únicos. O TIM faz 40 anos de carreira e a Mafalda Veiga faz 30. Há uma grande expetativa em torno deste concerto que não se vai repetir em Portugal…

 

E o fogo de artificio?

Será similar com aquele o dos últimos três anos, do Castelo. Talvez um bocadinho mais acentuado, um bocadinho mais relevante, mas sem ser aquele fogo de artificio que já foi em tempos, de meia hora. Isso não vai acontecer. É um fogo de artifício simples, que acompanhará o concerto, e que parte final terá ali um momento de mais entusiasmo.

 

Em termos globais, as festas, os moldes são idênticos? Ou seja, centro da cidade, mas a saída de tudo do castelo...

Sim e não. Nós vamos fazer as cerimónias oficiais no Castelo, no dia 14 de manhã. Estamos empenhados em ter uma cerimónia muito digna, com muita envolvência também emocional, é sempre um momento em que de alguma forma felicitamos, os nossos trabalhadores fazem 25 anos e aqueles que se reformaram (…) e este ano com ênfase muito vincado, dirigido ao RAME (Regimento de Apoio Militar de Emergência). Queremos, de alguma forma, homenagear, valorizar o trabalho do RAME no nosso território que depois tem um espectro nacional. É uma mudança também paradigma da forma de olhar para a atividade do exército.

 

Estacionamento. o Vale da Fontinha e os circuitos de autocarros de Alferrarede e do estádio voltam a funcionar?

Vamos voltar a fazer dois circuitos. De Alferrarede para Abrantes e do Rossio que apanha depois ali as Barreiras do Tejo para Abrantes. O movimento da Cidade Desportiva para o centro da cidade não funcionou, não vamos voltara a repetir. Vamos ter circuitos de Alferrarede para o centro , e do Rossio, Barreiras do Tejo para o centro. No dia 14, vai ser um bocadinho ao contrário: Os autocarros vão funcionar do centro para os Mourões e depois vice-versa. As pessoas podem estar aqui nas Festas a jantar, podem apanhar o autocarro para o concerto, e depois regressar outra vez ao centro.

 

Mas já vai ter o parque de estacionamento do Vale da Fontinha?

Vamos ter o Vale da Fontinha operacional para receber as viaturas. Vai ser uma bolsa muito importante de apoio às nossas festas e nessa altura já vai estar disponível. Os trabalhos podem não estar totalmente concluídos para o fim a que se destina, mas este efeito de apoio ás festas, vai estar ali com grande força, capaz de dar essa ajuda.

 

Como é a vivência das festas, o cidadão Manuel Jorge Valamatos e o presidente de Câmara. Há, ou vai haver diferença?

Não. Sempre vivi as festas com muito entusiasmo, mesmo antes de estar na vida autárquica. Sempre estive ligado ao associativismo. Passava as festas a servir nas tasquinhas. Portanto, essa altura é que era mais difícil porque reconheço o trabalho extraordinário que as nossas associações fazem na dinamização das tasquinhas (…) é um orgulho, um gosto enorme ver as nossas associações em nove tasquinhas, a dinamizar aquilo que são as nossas festas. Também enquanto vereador sempre tive muito preocupado que tudo corresse bem e sempre preocupado em criar as melhores condições para que todos pudessem festejar da melhor maneira e é assim que me encontro também nesta altura.

 

Estamos com 100 dias da sua presidência da Câmara. Que balanço é que se pode fazer destes três meses?

Positivo. Eu acho que que no fundo, de alguma maneira, isto acaba por vir ao encontro do que foi a minha experiência ao longo destes anos. É esta lógica de democratização do concelho. O nosso concelho é muito grande, a minha experiência ao longo da minha vida enquanto vereador teve muito ligação de proximidade com as juntas de freguesia, até porque durante muitos anos estive à frente do Gabinete de Apoio ás Freguesias. Aquilo que eu sinto é que nós precisamos de democratizar o concelho. Precisamos de olhar para a cidade e para o que ela nos dá, mas depois, olhar também para o concelho de forma muito equilibrada e equitativa…

 

como é que isso se faz?

Faz-se com proximidade. Procurando ouvir e estar atento àquilo que são os problemas de cada um, dos diferentes lugares. Faz-se indo aos locais. Indo lá e verificando o que está a acontecer. Por toda a minha experiência, e da equipa da qual faço parte, é isso que temos procurado. Não é que não tivéssemos feito antes. Estamos a tentar reforçar essa atitude e esse pensamento. Estamos preocupados com uma maior aproximação às freguesias, aos seus presidentes e equipas. E com isso criar estratégias para fazer um trabalho mais equitativo, mais bem distribuído pelo concelho. Um exemplo disto são os contratos interadmnistrativos com as freguesias, o concerto do 25 de Abril em S. Facundo, a Assembleia Municipal em Mouriscas. O concelho é muito grande e temos muitas freguesias, com muita especificidade.

 

O programa eleitoral é o mesmo, porque foi uma equipa que foi sujeita a votos, mas em termos de estratégia há alguma alteração e uma adequação a este novo presidente?

Eu estive também na construção de um plano estratégico. Eu e todas as pessoas que fazem e fizeram parte da equipa. Os planos são apenas um plano, são uma perspetiva. Depois, no dia a dia vamos corrigindo aqui e ali, mesmo que não tivéssemos mudado de presidente. Nem tudo o que está no plano é executado porque entretanto há coisas que mudam. Também há muitas coisas que vamos fazendo que não estão no plano. É um pensamento que temos de ir ajustando...

 

mas há a sensibilidade de cada um dos elementos?

Há sensibilidades pessoais que têm mais a ver com questões mais práticas do que com questões do pensamento. Em termos de pensamento não há grandes mudanças. As mudanças são mais do ponto de vista operacional. Como é que as coisas se põem marcha. Quanto tempo é que demora. Qual a primeira prioridade. É isso que tem de mudar, mais do que o pensamento. O Partido Socialista habituou os abrantinos a uma ideia muito bem estruturada para desenvolvimento do concelho. E tem-no provado ao longo dos anos. Há uma matriz que nos identifica. Depois, do ponto de vista prático até os vereadores da oposição acabam por muitas vezes estar em sintonia connosco pelas questões de funcionalidade e operacionalidade. O que é que pretendo dizer com isto? Uma coisa é o pensamento e depois, outra coisa, é o pragmatismo.

 

A presidência caiu-lhe nas mãos ou seria expectável que a antecessora pudesse ter outros voos durante o decorrer do mandato?

Eu acho que não era numero dois por acaso. Quando construímos a lista, o facto de eu estar em número dois indiciava já que, se acontecesse, era eu quem teria de assumir a presidência, se reunisse condições físicas e mentais. Antes do início do mandato começou a perspetivar-se a possibilidade de a ex-presidente poder sair e de como é que nos colocaríamos perante esse facto. Foi uma transição normal. Também com uma decisão minha, obviamente. E percebi que os meus colegas estavam comigo e com vontade de fazer parte desta equipa nova, avançamos com garra e determinação.

 

100 dias depois da tomada de posse, sente-se bem?

Sinto. Sinto porque digo sempre aquilo que penso. Não gosto de magoar ou ofender quem quer que seja, no entanto digo aquilo que penso. Sou um homem livre que tenta fazer o melhor pela comunidade e foi isso que me trouxe até aqui e que me faz ter energia para levar o mandato até ao fim.

 

Dos Serviços Municipalizados, que mantém a presidência do conselho de Administração, continua o objetivo de abastecer todo o sul do concelho a partir do Castelo de Bode?

Sim, mantenho esse desígnio. Eu gostava muito de já podermos ter feito uma transição nos Serviços Municipalizados para um dos meus colegas vereadores assumir a presidência. Isso ainda não aconteceu porque estamos na reta final do abastecimento de água ao sul do concelho. São muitos quilómetros de conduta, do açude para o Crucifixo e Alvega. Eu e os vereadores, Luís Dias e João Gomes, entendemos que não era o momento para fazer mudanças. Depois das contas destas empreitadas fechadas, aí pensaremos na transição nos Serviços. Não é muito importante ser o presidente dos Serviços. Nesta equipa, o importante é estarmos nos sítios certos para tomar as decisões.

 

Senhor presidente qual a primeira grande obra que gostaria de lançar?

Há uma obra que, num futuro próximo, para nós é muito importante: a futura travessia do Tejo, a nova ponte. Estamos a tentar perceber a sua localização e alguns pormenores. Não é uma obra do Valamatos, é umas décadas de políticas porque ela promove o nosso concelho. A ligação a Ponte de Sor e ao sul. Pode ser uma revolução nas acessibilidades do nosso concelho. Já estamos a trabalhar. Já pedimos reuniões ao ministro e ao secretário de Estado que tutelam estas áreas e vamos procurar sinergias com os autarcas nossos vizinhos para lutar pelos interesses da nossa região. Seria muito bom vê-la lançada nos próximos tempos. Faltam dois anos e meio para o final do mandato, ficaria muito satisfeito se deixasse o processo, até lá, fechado e arrumado de acordo com os nossos interesses. Ficaria muito satisfeito.

 

O grande projeto do Castelo, resultante do concurso internacional de ideias, vai mesmo avançar?

Nestes três meses uma das coisas que fizemos foi um contrato com a Junta de Freguesia de Abrantes e estamos já a fazer uma revolução no jardim do Castelo. Já tem outra cara e já não nos envergonha. Depois há três coisas em torno do Castelo. O MIAA (Museu Ibérico de Arqueologia e Arte), que não podemos descurar. É um processo de grande volume financeiro que queremos fechar para podermos respirar. Depois temos o edifício Carneiro que vai acolher o espólio do escultor Charters de Almeida. Esse edifício vai-se cruzar, nas traseiras, com o jardim do Castelo, por isso já estamos a falar ali numa nova linguagem. Em terceiro lugar a igreja de Santa Maria do Castelo, de onde vamos tirar todas as peças para o MIAA. Estamos a falar de um investimento da ordem dos 300 mil euros para a transformar no Panteão dos Almeidas. Há um conjunto de coisas a acontecer que seguramente vão obrigar até a repensar o próprio projeto vencedor do concurso de ideias para o Castelo. O planeamento é uma coisa e a vida acaba por nos conduzir para outras ideias, para outras concretizações. Há muita coisa a acontecer. Mas tem de haver equilíbrio. Mas temos de democratizar o território e há muitas outras freguesias a necessitar de intervenções. Vamos com bom senso, de forma mais equilibra e mais sustentada.

 

Entrevista: Jerónimo Belo Jorge

Fotos: Carolina Ferreira