Novo modelo de avaliação avança no agrupamento da Solano de Abreu (com áudio)

Educação 2019-06-24

O Agrupamento de Escolas Solano de Abreu, em Abrantes, apresentou esta segunda-feira, 24 de junho, um novo modelo de avaliação vai substituir o peso tradicional dos testes por uma avaliação de forma contínua nas várias competências dos alunos. Ou seja, os alunos serão avaliados num conjunto de indicadores que vão fazer uma média sumativa final.

Com este modelo definido, e adaptado a cada disciplina, de forma a fazer com que os alunos sejam avaliados pelo que aprendem e não pelo que decoram para os testes, a linguagem escolar vai evoluir para patamares diferentes dos que existem.

Na apresentação deste novo modelo que o Agrupamento nº 1 de Abrantes vai aplicar a partir de setembro o secretario de Estado da Educação, João Costa, explicou que o objetivo é fazer com que os alunos aprendam as matérias, mas que aprendam a analisar, discutir, socializar e por aí fora. Uma forma de colocar os alunos a terem a aprendizagem em termos daqueles que depois irão encontrar na vida profissional. Não interessa que os alunos decorem a matéria para terem uma nota alta nos testes, só por si.

"O modelo, a implementar no próximo ano letivo, passa por não dar notas aos testes e outros instrumentos de avaliação dos alunos, tal como são conhecidas, mas por várias menções descritivas do seu desempenho em vários itens e em cada momento de avaliação, seja escrita ou oral, indicando onde pode melhorar o seu desempenho", disse o presidente daquele Agrupamento de Escolas, que abarca cerca 200 professores e 1.900 alunos do pré-escolar ao 12º ano de escolaridade.

Segundo Jorge Costa, este novo modelo representa uma "avaliação ao serviço da aprendizagem" e é o "tomar a dianteira" relativamente a "novos critérios de avaliação e outra forma de avaliar, ensinar e aprender", num projeto idealizado e concebido no âmbito da autonomia de gestão pedagógica do Agrupamento de Escolas de Abrantes, no distrito de Santarém.

"É uma alteração significativa no modelo de avaliação", notou, tendo referido que "o que se vai começar a avaliar são descritores, ou seja, as competências que um aluno consegue ter em cada domínio, em cada disciplina", num modelo que privilegia o "caráter contínuo e sistemático" da avaliação.

Nesse sentido, acrescentou, "o aluno deixa de carregar com uma nota negativa e é avaliado por vários descritores ficando a saber onde pode melhorar o seu desempenho em cada domínio, através de uma classificação parcelar e não através de uma nota global". Ou seja, se um aluno tiver uma nota negativa no primeiro teste, em outubro, e no segundo período for avaliado novamente com nota positiva a primeira nota fica sem efeito porque o aluno aprendeu.

Para Jorge Costa, a mais valia do novo modelo "passa por colocar a avaliação ao serviço da aprendizagem e de conseguir arranjar uma estratégia" para a sua consecução, sendo apenas atribuídas notas de 0 a 20 no final de cada um dos três períodos letivos, para que, através da avaliação formativa, se chegue à avaliação sumativa, atribuída no 3º período letivo.

As mais valias do novo modelo, frisou, "não passam por baixar o número de retenções, mas antes que os alunos aprendam mais e fiquem com informação mais fina para saberem o que melhorar", sendo que, reconheceu, "o sucesso da estratégia terá reflexos no sucesso dos estudantes".

Na sessão de apresentação do novo modelo de avaliação, a que assistiu o secretário de Estado da Educação, foram dados vários exemplos de operacionalização do mesmo nas nos grupos de línguas, matemática e ciências e no 1º ciclo, mostrando que o modelo pode ser adaptado a todas as disciplinas e ciclos de ensino.

O secretário de Estado da Edução, João Costa, vincou à plateia que "a mudança, por si só, não é um objetivo" e que existe "uma intencionalidade" que passa por "entender que alguma coisa tem de ser feita porque muitos dos jovens não estão a aprender". E adiantou ainda que a explicação socioeconómica para o insucesso não pode ser a justificação para tudo, clarificando que tem de se olhar para os alunos e perceber quais são as suas dificuldades em aprender e ajudar a ultrapassar as competências mais fracas. Até porque, como lembrou, há uma taxa de "35% de jovens com experiência de insucesso no secundário.

O Agrupamento Escolar nº 1 de Abrantes engloba a educação pré-escolar, 1º, 2º e 3º ciclos, secundário dos cursos científico-humanísticos e dos cursos profissionais. O número de alunos no pré-escolar é de 208, no 1º ciclo 466, no 2º ciclo 215, no 3º ciclo 388 e no secundário 550.
A unidade é composta pelas seguintes escolas: Jardim de Infância de Abrantes, Jardim de Infância do Carvalhal e Jardim de Infância de Mouriscas, Escola Básica de Alvega, Escola Básica de Bemposta, Escola Básica de Mouriscas, Escola Básica do Pego, Escola Básica Maria Lucília Moita, Escola Básica n.º 1 de Abrantes, Escola Básica do Rossio ao Sul do Tejo, Escola EB 2/3 D. Miguel de Almeida e Escola Secundária Dr. Solano de Abreu.