CRÓNICA: «Um amanhã melhor e votos de felicidade», por Luís Barbosa

2020-12-22
Luis Barbosa
Luis Barbosa

SALPICOS DE CULTURA….

 

Um amanhã melhor e votos de felicidade

Como é timbre dos textos que tenho publicado no âmbito da parceria da A.I.E.S.M.P. - Associação Internacional de Estudos sobre a Mente e o Pensamento e a Rádio Antena Livre,o que escrevo, e deixo à consideração de terceiros, versa normalmente questões de divulgação do conhecimento científico. Tal significa que, mesmo assinando em nome pessoal, sinto que muito tenho que agradecer a estas duas instituições pela confiança que têm demonstrado, aceitando publicar o que vou escrevendo.

Por isso, e também porque estamos na quadra natalícia, não queria deixar que a mesma passasse sem expressar às duas organizações um muito obrigado, referindo também a esperança que o futuro possa vir a ser vivido com outra expectativa que aquela que transcorre no atual momento social.

Então, deixem que diga que escrevo este texto tendo a convicção que o seu conteúdo deve ser diferente do habitual. Porquê? Porque tenho a certezaque a vida de todos nós faz-se hoje com compassos muito particulares e possuo mesmo a convicção que, para muitos, é marcada por ritmos e vivências que podem não ser nada agradáveis.

Pelas razões acima referidas vacilei entre limitar-me a expressar os tradicionais votos de boas festas e a transmissão de palavras que fossem mais no sentido de expressar solidariedade a todos, e esperança num futuro melhor.Bem, passados alguns momentos de hesitação, resolvi que criando um texto algo híbrido poderia fazer três coisas: referir como tenho sentido que as dificuldades sociais do momento são de facto muito implicantes, deixar expresso a todos o voto que cada um as vá ultrapassando com o mínimo de sofrimento e desejar que, tanto quanto seja possível, quer o Natal quer o Ano Novo possam ser momentos lembrados.

Assim, desta vez, falar sobre o conhecimento científico fica num plano mais escondido, a não ser apenas para sublinhar alguns aspetos que me parecem ser de realçar: a extraordinária rapidez com que os cientistas e instituições de investigação conseguiram fazer estudos que permitiram adquirir conhecimento sobre um vírus totalmente desconhecido,a inimaginável maneira como inventaram formas de trabalhar em equipa que permitiu transferir informação sobre as descobertas que se iam fazendo, a elevadíssima competência com que marcaram as avaliações das metodologias que utilizaram e a forma expedita como colocaram as vacinas à disposição da humanidade.

São, quanto a mim esforços que têm de ser aplaudidos. Sem dúvida. Então,deixem-me que expresse um sentimento de agrado pelo facto de estarmos a assistir a um dar de mãos que em muito pode vir a fazer com que muitos de nós possam sofrer menos com a pandemia que bateu à porta.Mas deixem-me também expressar a pena que tenho se, no futuro,estes gestos não se transformaremnum comportamento vulgar.

Bem, contudo, tenho para mim que não nos podemos deixar vencer por pessimismos, já que a esperança num amanhã melhor é coisa que devemos manter sempre como bandeira bem hasteada.

Despeço-me com amizade,

Luís Barbosa*

*Investigador em psicologia e ciências da educação
SALPICOS DE CULTURA, uma parceria com a Associação Internacional de Estudos Sobre a Mente e o Pensamento (AIEMP)