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Sociedade Iniciativas de Abrantes quer vender o cineteatro São Pedro ao Município

12/11/2018 às 00:00
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José Alberty, em representação da Sociedade Iniciativas de Abrantes, em entrevista à Antena Livre garante que a Sociedade quer vender o cineteatro São Pedro ao Município de Abrantes.

O responsável, que assumiu a mediação do processo desde o passado mês de junho, admitiu que, passados 10 meses do encerramento do equipamento cultural, a Sociedade quer entrar num processo de diálogo e conversação, onde seja possível encontrar um valor que leve à venda efetiva do cineteatro.

Para o imediato, José Alberty referiu que a situação “poderia passar pela realização de um contrato de comodato de curtoprazo, acompanhado de um contrato de promessa de compra e venda pelo valor que se estipulasse. E no curto tempo possível se procedesse à efetivação do contrato de venda com a Câmara Municipal. Este é o meu entendimento. Terei sempre que auscultar a direção que me indigitou, mas não vejo outra saída”.

“Se não se conseguir um consenso nesta ordem para pôr o edificado ao serviço da população, então teremos de partir para um contrato de comodato, com uma duração que não poderá ser muito grande, porque estes assuntos não se podem empurrar para as gerações seguintes”, vincou o representante da Sociedade.

José Alberty explicou para que se efetive a venda do cineteatro São Pedro, a Sociedade pretende “aumentar o coro da Assembleia Geral” no sentido de tomar esta grande decisão. No entanto, garante que este processo já está a ser resolvido. O principal problema passa pelo valor que vai balizar o contrato de compra e venda.

Quando questionado sobre o que pensa a Sociedade acerca do valor proposto pelo Município, que se cifra em 267 mil euros, José Alberty disse que o valor “não caiu bem na Sociedade” e lembrou que o imóvel foi avaliado pelo Município em setembro de 2017 por 844 mil euros.

“A avaliação deu o valor de 844 mil euros, mas só disse respeito ao aspeto do valor de construção. Nesse valor, não foi tido em conta o valor histórico e arquitetónico. Sem se ter se discutido o valor da avaliação, foi oferecido à Sociedade uma proposta de compra do edificado por 267 mil euros. Ora, como deve calcular, essa situação de disparidade de valores apresentados, não caiu bem na Sociedade”, fez notar José Alberty.

José Alberty em entrevista à Antena Livre e ao JA

O representante da Sociedade considera que “não tem de pesar” no valor proposto o trabalho de manutenção e requalificação que o Município foi realizando ao longo destes 19 anos, aquando assumiu a gestão do equipamento, através de um contrato de comodato. O responsável reporta-se ao contrato de comodato celebrado em 2001 e alega que no contrato está “referenciado que todas as obras e benfeitorias, no fim do contrato, reverteriam para a Sociedade”.

Para fundamentar a posição, José Alberty reporta-se às declarações prestadas por Luís Filipe Dias, vereador com o pelouro da Cultura na Câmara Municipal , no dia 16 de outubro, na reunião do executivo camarário: “Na vossa última edição do jornal, o senhor vereador que faz entrevista, diz no parágrafo 7 que ´quando o contrato foi celebrado em 2001, houve um compromisso da recuperação do cineteatro e essas obras foram feitas, e ficou salvaguardado que as benfeitorias no final do contrato reverteriam para a Iniciativas de Abrantes, o que se veio a verificar´. Ora, isto contradiz a proposta da Câmara de descontar ao valor do edificado o dinheiro que gastou em obras, porque também ocupou, graciosamente, durante 19 anos, o equipamento”.

José Alberty disse que “ainda não há um valor fechado” por parte da Sociedade. Contudo, adiantou que numa das Assembleias Gerais, “foi decidido que o imóvel não poderia ser vendido pelo valor inferior à avaliação da Câmara. E a questão até foi levantada por um dos sócios, tendo alertado que a gerência da Sociedade poderia sofrer um processo por gestão danosa havendo uma avaliação da entidade compradora e vendendo por um valor mais baixo”.

Portanto, “está tudo em aberto”, garantiu o representante, tendo referido que a Sociedade aguarda que a Câmara faça chegar “a proposta do contrato de comodato que ficou assente na reunião” do dia 26 de setembro.

No decorrer do processo negocial iniciado há vários meses, já foram apresentados vários cenários, tal como recordou o responsável à Antena Livre: “A Câmara fez-nos uma proposta que abarcava por três situações: uma seria a compra do imóvel por este valor que mencionei, a outra seria um contrato de arrendamento em que a Sociedade ficaria com o encargo de fazer todas as obras de recuperação e de negociação e, em terceiro lugar, um contrato de comodato ou o prolongar do contrato de comodato existente”.

“Numa Assembleia Geral, isto foi apresentado aos sócios e os sócios recusaram a proposta de compra devido ao baixo valor que ela apresentava”, vincou José Alberty, dando conta que a segunda alternativa, “também não era viável”, pois conforme explicou “a Sociedade sempre foi criada sem fins lucrativos e a Câmara sabe que [a Iniciativas de Abrantes] não tem meios nenhuns para poder fazer qualquer tipo de reconstrução”.

Por último, o responsável mostrou-se preocupado pelo facto de o edificado estar fechado há vários meses o que leva à sua degradação e salientou que o caminho passa agora por discutir a situação “com calma e serenidade num ambiente de entreajuda, mas num curto espaço de tempo”.

“A Câmara, assim como a Sociedade, o interesse máximo que têm é voltar a pôr o equipamento ao serviço da população de Abrantes. Esse é inequívoco, tanto da parte da Sociedade, como da Câmara”, rematou.

*Para ouvir José Alberty no alargado informativo das 12h00 desta segunda-feira, com reposição às 18h00.

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