Pesquisar notícia
sábado,
18 set 2021
PUB
Concelhos

Semana Santa Sardoal: “A minha ligação com Sant’Ana não tem explicação. É a minha Santa”

27/03/2018 às 00:00
Partilhar nas redes sociais:
Facebook Twitter

A Capela de Sant’Ana, na Rua 5 de Outubro, em Sardoal, é mais uma das capelas que se enfeitam e abrem portas aos visitantes por alturas da Semana Santa. Fernanda Grácio é a responsável pela Capela de Sant’Ana e enfeita-a “desde muito pequena pois a minha mãe já a enfeitava”.

Fazendo as contas, “eu tenho 72 anos e desde sempre que me lembro de enfeitar a capela com a minha mãe e a minha madrinha. Ou melhor, eu não enfeitava nada… estava lá a fazer número porque ainda era muito pequenina”, lembra, com um sorriso rasgado.

Mais tarde, “já mais crescida, já ajudava mesmo”. “Após a morte da minha mãe, fiquei eu com a chave. Agora, juntamos lá as vizinhas e somos nós que enfeitamos”.

Quanto ao desenho do tradicional tapete de flores, já foram várias as pessoas responsáveis por tão importante tarefa. “Nos últimos anos tem sido a Patrícia Rei que nos tem ajudado com o desenho”, refere.

Mas quisemos recuar no tempo e saber como era feito o tapete por alturas da mãe de Fernanda Grácio. “Nessa altura”, recorda, “havia umas formas. Havia uma cruz feita em madeira e uma estrela. Cada ponta da estrela tinha uma cor diferente… naquela altura era assim. O desenho era sempre o mesmo e era só encher as formas com flores e depois retirar. Agora não, todos os anos se faz um desenho novo”.

E como se faz a recolha das flores?, quisemos saber. Fernanda Grácio explicou que essa recolha é feita por si, pelo filho, pelo irmão, pela cunhada, pelas vizinhas que estiverem disponíveis e “pelo meu neto de 5 anos, que já gosta e já pergunta quando é que vamos enfeitar a capela”, conta, entre risos. Voltando às flores, “se forem flores campestres, vamos para o campo apanhar o que precisamos e, muitas vezes, o que houver. Se forem flores de jardim, temos que ir pedindo às pessoas e toda a gente colabora”.

Já no que diz respeito à passagem de testemunho, “andamos a tentar tratar disso”, confessa. “Nós vamos ficando velhotas e tem que haver outros para dar continuidade”. No entanto, “vejo isso muito escuro”, revela com algum humor, pois, como diz, “o pessoal mais novo ainda não tem grande interesse”. E revela que tem um objetivo: “Nós queríamos ver se até conseguíamos entregar o enfeite da capela a uma Associação pois sempre têm gente mais nova. É que quando foram os presépios nas capelas, por alturas do Natal, já foi a Banda Filarmónica que lá foi fazer o presépio. Pode ser que tenha sido um começo”.

Outra das responsabilidades durante a Semana Santa, “é ter a capela sempre aberta”. Fernanda Grácio conta com a ajuda do irmão, “que vem sempre cá passar a Páscoa e a casa dele é mesmo ao lado e sempre lá vai deitando o olho”. Uma ajuda preciosa pois, “de ano para ano, nota-se a diferença de visitantes. Vem cada vez mais gente”.

Já a ligação pessoal que Fernanda Grácio tem com Santa Ana “não tem explicação. É a minha Santa”.