Especial Produtos Regionais:“Quem começa a consumir o biológico, que foi o meu caso, nota a diferença nos alimentos”

Concelhos 2018-11-23

Quinta do Canas é o mais recente projeto de agricultura biológica que existe em Vila Nova da Barquinha. Tem cerca de 2 anos e é Filipa Consolado, com 34 anos, que está ao seu comando.

Filipa, trabalhava na área do ensino especial, mas decidiu mudar a sua vida profissional e familiar. Largou a cidade e veio para Vila Nova da Barquinha com o seu marido, Tiago Nunes, e a sua filha, para se dedicar a um projeto que afirma trazer muita “qualidade de vida”.

A Quinta do Canas era pertença do avô do seu marido e teve alguns anos sem destino, até que Filipa e Tiago decidiram iniciar uma produção biológica no local.

“Na quinta, existia um viveiro de plantas de jardim que era do avô do meu marido. Contudo, há cerca de 15 anos ele acabou por falecer. E desde que ele morreu, as coisas acabaram porque, de facto, ninguém deu seguimento ao negócio”, conta Filipa ao JA.

Há cerca de dois anos, com o arranque do projeto, o caminho passou por dar seguimento à certificação dos produtos e árvores já existentes, bem como, fazer uma candidatura no âmbito do PDR 2020 que ainda não foi aprovada, mas que não limitou Filipa e Tiago a investir.

Atualmente, na Quinta do Canas produz-se vários hortícolas e plantas. Tudo é biológico e certificado.

“Temos muitas culturas ao mesmo tempo. Temos couve roxa, couve lombarda, alface e acelga. Na terra estamos a acabar a colheita do tomate. Depois, apanhamos tudo o que a terra tem para nos dar, como a laranja, a azeitona”, entre outros produtos, refere Filipa dando conta que o ano passado, pela primeira vez, surgiu o azeite da Quinta do Canas, proveniente de azeitona biológica.

As árvores também são uma constante e no local existem diversas, desde pereiras, macieiras, laranjeiras, oliveiras, damasqueiros, diospireiros e figueiras.

Para o escoamento dos produtos, Filipa faz a revenda dos produtos em alguns espaços comerciais e prepara todas as sextas-feiras um cabaz com produtos diversificados da Quinta do Canas.

Cabaz da Quinta do Canas

Para elaboração do cabaz, a empreendedora conta com a corporação de mais 5 parceiros que também fazem produção biológica certificada e que colaboram com produtos que não existem na quinta.

Para além da conceção do cabaz, Filipa ainda assegura a distribuição do mesmo e são sobretudo as pessoas da região os principais clientes. A publicidade ao cabaz é feita através da página da Quinta do Canas no Facebook e segundo nos refere tem corrido bem: “O cliente encomenda o cabaz até quinta-feira e nós entregamos na sexta com hora e local combinados. Tudo o que nós temos aqui e o que conseguimos produzir é escoado”, vincou.

Para o futuro, ideias não faltam. Filipa quer colocar no espaço uma nova estufa, avançar com a produção de ovo biológico e proceder à construção de uma loja para a venda dos seus produtos, “onde o cliente pode ir diretamente a nossa quinta adquirir os nossos produtos e de outros parceiros”.

A área da formação continua a ser uma aposta de Filipa que no espaço pretende desenvolver e potenciar a vertente “pedagógica” através de workshops, formações e outros eventos abertos ao público. Eventos sempre destinados a aprofundar o tema dos produtos biológicos, até porque considera Filipa, as pessoas mais velhas continuam muito resistentes à aquisição deste tipo de produtos.

“As pessoas mais antigas ainda acham o produto biológico caro e ainda continuam a valorizar muito o que produzem nas suas hortas”, referiu a empreendedora, tendo feito notar que a produção biológica tem um conjunto de exigências associadas “pois falamos de um regime de produção natural”, onde é colocada “matéria orgânica nos solos e demora muito mais tempo do que uma produção feita e tratada com fertilizantes e outros químicos”.

“Temos produtos de muito maior qualidade e muito saborosos. E ao contrário do que muitas pessoas pensam, não são produtos mais pequenos e com menos peso do que os outros, têm um sabor muito mais natural. Quem começa a consumir o biológico, que foi o meu caso, nota a diferença nos alimentos”, vincou a empreendedora, dando conta que os produtos podem ser mais onerosos, mas “é preferível gastar na alimentação do que gastar em consultas”.

Em Vila Nova da Barquinha, Filipa diz ter muito mais tempo para se dedicar à família e que embora não seja fácil a vida agrícola, porque acaba por ser mais duro fisicamente, sente-se muito feliz, porque também vê a sua família mais feliz.

“Sempre entendemos que este projeto devia de ser amigo do ambiente. Sempre quisemos ter produtos saudáveis para que os nossos clientes também comessem de forma saudável. E, no nosso caso, já estamos a ganhar em qualidade de vida, porque há dois anos temos vindo a mudar a nossa vida familiar devido a este projeto. O maior exemplo, foi a mudança para cá, para a Barquinha”, finalizou.

Joana Margarida Carvalho