Mação: CAO e Lar Residencial convence deputados em Assembleia Municipal

Concelhos 2017-02-08

O futuro Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) e um Lar Residencial, numa parceria entre a Câmara Municipal de Mação e o CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, foi o tema dominante da Assembleia Municipal de Mação, que teve lugar esta terça-feira no Agrupamento de Escolas Verde Horizonte.

 

Com o auditório cheio, deputados municipais e alunos tiveram oportunidade de ouvir as explicações de Nelson Carvalho, presidente da Direção do CRIA, bem como dos técnicos José Carlos Veríssimo, diretor das respostas sociais da instituição e de Cátia Silva, psicomotricista.

O presidente da Câmara Municipal de Mação começou por referir que fez “questão que o assunto viesse a Assembleia Municipal no cumprimento da palavra dada. Isto porque sempre disse que qualquer que fosse a solução que a Câmara tivesse para apresentar para o antigo quartel dos bombeiros de Mação, pelo simbolismo e importância que ele tem no nosso concelho, deveria ser algo bem ponderado, discutido na Câmara e que a Assembleia Municipal também desse a sua opinião. E tratando-se de uma proposta para um Centro de Atividades Ocupacionais e um Lar Residencial, algo que vai ter um impacto, do nosso ponto de vista, positivo, para a Vila e para o concelho, mais se justifica que a Assembleia Municipal se possa pronunciar sobre este projeto”.

Em reunião de Câmara, realizada a 25 janeiro, o tema já tinha sido debatido entre a maioria social-democrata e com os vereadores socialistas a mostrarem algumas reservas relativamente ao local escolhido. Esta terça-feira, o presidente da Autarquia afirmou que o Executivo está “muito confortável com esta proposta. Achamos que é uma resposta social importante para o concelho, pela resposta que dá aos jovens e menos jovens com alguma deficiência e que têm necessitado do apoio do CRIA ao longo dos anos. Relembro que, diariamente, a Câmara de Mação transporta quase duas dezenas de pessoas para o CRIA. Isto é algo que poderá vir a ser evitado se esta resposta social puder ser implementada em Mação. Poderemos dar resposta a outros que possam vir a precisar, quer do concelho, quer de fora. Estamos a falar de um equipamento que irá gerar postos de trabalho, que irá ajudar à fixação de pessoas, à criação de riquezas, a dinamizar uma determinada zona da Vila e, portanto, penso que será seguramente uma mais-valia para o concelho e para todos nós”.

Vasco Estrela anunciou que a “Câmara já teve uma reunião com o ministro Vieira da Silva, onde eu estive presente com o Dr. Nelson Carvalho e com o Dr. José Carlos Veríssimo. O Governo está consciente deste projeto, temos parceiros da Segurança Social e aquilo que nós gostaríamos era que desta reunião também saísse algum conforto e algum aconchego para que possamos levar por diante este projeto que reputamos de especial importância”.

Quanto ao investimento a fazer no edifício, o presidente acrescentou que, “no âmbito do PARU, que está aprovado e contratualizado entre a Câmara e a CCDR, já está prevista uma verba para a execução deste projeto. Poderá não ser suficiente mas é substancial para o concretizarmos”.

 

“Queremos dar proximidade e tratá-los como toda a gente”

Nelson Carvalho, presidente da Direção do CRIA, foi convidado a explicar este projeto em Mação e disse estar “perfeitamente convicto que o projeto que temos em mãos é um bom projeto. Está incluído num Plano de Atividades do CRIA porque na análise que fizemos chegámos à conclusão que era uma boa iniciativa e que era bom desenvolver”. E enumerou as vantagens: “É bom, logo à partida, para a Câmara de Mação porque permite à sua comunidade o acesso a um serviço de proximidade, permite que os deixe de transportar diariamente, permite reabilitar um edifício que está no centro da Vila e, quem acompanha hoje as políticas urbanas, sabe que é muito mais recomendável reabilitar património, dar-lhes outros usos e valorizar os centros do que ir construir coisas novas na periferia. É bom para as comunidades porque vão encontrar aqui uma resposta próxima e que vai responder a mais pessoas que hoje não têm essa resposta e que vão passar a tê-la aqui.

É bom para o CRIA porque nós temos lista de espera quer para o CAO, quer para o Lar. O nosso Lar em Abrantes é pequeno, tem 20 camas. Se conseguirmos ter aqui um, serve bem as pessoas daqui e permite-nos que demos respostas à nossa lista de espera. No CAO também temos lista de espera. Permite-nos alargar a resposta a muitas mais pessoas e, obviamente, equilibra a resposta perante as comunidades, valorizando a proximidade, e hoje isso é fundamental, e equilibra o território”.

Quanto à localização, Nelson Carvalho justificou explicando que “em Abrantes a opção foi construir de raiz, mas a história das coisas não é a mesma, e foi para a periferia da cidade, na zona industrial. É uma quinta interessante, temos zona verde, agricultura, etc, etc… o que nos dá algumas vantagens”. No entanto, frisou, também levanta “um problema”. “Nós estamos a lidar com população que queremos incluir e não excluir. Queremos dar proximidade e tratá-los como toda a gente. E nós temos essa dificuldade em Abrantes”.

O presidente do CRIA explicou os constrangimentos em Abrantes e disse que “cada vez que queremos ir à cidade, temos que planear, temos que mobilizar os transportes. Aqui, está mesmo no centro, eles têm a vida em comunidade toda ao seu alcance, sem necessidade de planeamento. Podem ir ao café, podem ir ao jardim, podem ir aos correios… têm tudo à mão de semear”.

No projeto para o CAO de Mação estarão disponíveis 20 vagas enquanto o Lar Residencial contará com 30 camas.

 

Quem paga?

Quanto às dúvidas dos deputados municipais, estas prenderam-se com os custos de manutenção da instituição. No entanto, nenhum levantou qualquer constrangimento ao projeto.

Vasco Estrela explicou que, na reunião de dia 6 de setembro, em Lisboa, com o Ministro da Solidariedade, a ideia que ficou é “que as Autarquias sejam promotoras e donas dos espaços, as instituições fazem aquilo que sabem, que é cuidar, e a Segurança Social tem a sua comparticipação”.

O Autarca esclareceu que “a Segurança Social não se opõe, pelo contrário, acha que a resposta social pode ser feita naquele local” e que a Câmara já obteve uma resposta onde a Segurança Social refere que, “tendo em conta o défice que existe no País destas respostas socias, não deixará de haver apoio, cumpridos alguns requisitos”.

As obras a serem feitas no edifício serão da responsabilidade da Câmara Municipal de Mação, “pelas nossas estimativas, muito preliminares, estaremos a falar de uma obra entre os 400 e os 500 mil euros”.

Para a reabilitação do edifício do antigo quartel dos Bombeiros, a Câmara de Mação já tem parte deste financiamento aprovado no âmbito do PARU.

Patrícia Seixas