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Mação: Autarca assume disponibilidade para “encontrar soluções” para apoiar comércio local (COM ÁUDIO)

6/03/2020 às 00:00
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O assunto veio a reunião de Câmara de Mação quando um munícipe, proprietário de um bar na sede do concelho, no uso da palavra no espaço destinado à intervenção do público, expôs a sua preocupação face à falta de população e, consequentemente, de clientes.

Em Mação há 20 anos, o empresário disse que atualmente o negócio “não dá”, e que o atual estado da situação não permite aos comerciantes “de maneira nenhuma, sair do sufoco”.

O munícipe disse também que após os incêndios de 2017 a situação piorou, defendendo que “se era possível antes dos fogos estarmos confortáveis e ter lucro, depois dos incêndios de 2017, com a saída das pessoas, com o envelhecimento da população, é insuportável neste momento conseguir suportar os custos”.

Apesar de reconhecer que a autarquia tem apoiado os comerciantes, o proprietário questionou a Câmara sobre com que apoios é que os empresários vão poder contar no futuro “já que o presente está muito muito muito difícil”, e reiterou que “é preciso fazer mais qualquer coisa”.

Assim, deixou algumas sugestões à autarquia em termos de iniciativas, dando como exemplo pensar-se em fazer algo como a Feira de São Matias, em Abrantes, ou como a feira das velharias, em Tomar, como forma de atrair mais gente ao concelho.

“Estou muito pessimista no futuro, preciso da vossa ajuda, é sufocante neste momento”, terminou o comerciante, que se mostrou “à disposição para aquilo em que for preciso ajudar”.

 

O LADO DA AUTARQUIA

Em resposta, o presidente do Município, Vasco Estrela, referiu que o pouco movimento de pessoas no concelho é uma preocupação “transversal a todas as pessoas que de alguma forma têm responsabilidade política em relação à matéria”, assumindo que a Câmara “não tem nenhuma varinha mágica para dar a volta a esta questão”. “Suponho que se o tivesse isto já não era problema em Mação nem em grande parte do interior de Portugal”, acrescentou.

Relativamente ao efeito negativo gerado pelos incêndios de 2017, Vasco Estrela disse que foi “uma tragédia que aconteceu por todo o concelho e que atingiu todos os ramos de atividade e, portanto, a Câmara não pode ter um tratamento preferencial aos proprietários dos cafés, porque a do supermercado pode estar igual, a cabeleireira pode estar igual, o mecânico, e temos um problema global e que não se pode cingir a quem tem estabelecimentos da área comercial. A Câmara tem de olhar para estes problemas de uma forma global”.

Já em termos das iniciativas que decorrem no concelho ao longo do ano, Vasco Estrela deu conta de que “não há uma única atividade” da responsabilidade da Câmara que tenha saído da sede do concelho nos últimos e disse que ia fazer chegar um documento ao munícipe com as respetivas atividades realizadas em Mação.

Vasco Estrela diz ainda que a questão “não pode ser colocada no termo 'venha ajudar-me a mim', quando temos um concelho todo para gerir. A sede do concelho, nesse ponto de vista, é mais privilegiada do que os outros porque as iniciativas, por estarem aqui muitas das infraestruturas da Câmaras, são mais feitas aqui”.

“Diria que os comerciantes da vila de Mação estão privilegiados em relação aos outros. E digo isto sem qualquer problema, porque isto é um facto. Basta ver as iniciativas que são feitas não só pela Câmara como por outras associações do concelho que desenvolvem aqui, é essencialmente aqui na sede do concelho”, acrescentou.

O autarca virou depois a questão: “E o que é que vocês fazem por vocês? Já se juntaram entre todos para fazer um espetáculo qualquer para ganhar algum dinheiro? Porque é que tem de ser sempre a casa grande a resolver os vossos problemas? Vocês também têm de fazer por vocês, para estimular o vosso negócio”.

 

AUTARCA MOSTRA-SE DISPONÍVEL PARA ENCONTRAR SOLUÇÕES

Vasco Estrela admite que “a Câmara tem de remover obstáculos, ajudar, ter iniciativas que possam chamar pessoas à terra” mas que “os empresários também são donos do seu negócio e eles próprios têm também de encontrar soluções”

Vasco Estrela disse ao empresário que, apesar de “não termos nada previsto de apoio direto”, existe “no nosso programa para este ano iniciativas para estimular o comércio local. Iremos tentar perceber de que forma é que o podemos fazer”.

Em declarações à Antena Livre o autarca explicitou que “a Câmara tem previsto e iremos até ao final do ano lançar um conjunto de apoios para estimular o comércio local e tradicional. Nós apoiamos muito os empresários na área industrial e podemos tentar encontrar uma forma ajudar estes agentes económicos de porta aberta, comércio propriamente dito. É isso que podemos vir a estudar”.

“Há da parte da Câmara total abertura, como não poderia deixar de ser, para encontrarmos soluções para que os empresários possam potenciar o seu negócio, mas isso não pode nunca implicar uma exclusividade ou uma preferência para um determinado setor de atividade e muito menos para uma determinada pessoa, essas coisas têm de ser vistas de forma global”, disse o autarca à Antena Livre.

O presidente maçaense destacou ainda o “papel importante” das associações comerciais para arranjar soluções: “O problema deste empresário há-de ser o problema de muitos empresários na nossa região, e, havendo uma associação comercial, podíamos ter aqui um diálogo mais fácil e tentarmos encontrar soluções que possam ajudar”.

“Neste caso, acho que era bom termos até uma conversa para perceber como é que em conjunto – porque a associação comercial há-de ter entre os seus associados várias pessoas com os mesmos problemas – de alguma forma, nos pudessem ajudar a encontrar um programa conjunto. Acho que era bom e podemos ter aqui uma conversa com a associação comercial, no sentido de podermos encontrar aqui uma solução e uma alternativa”, disse.

Não obstante, o autarca defende que têm existido “medidas de apoio, na tentativa de ajudar os comerciantes” como é o caso daquilo que acontece na Feira Mostra: “irem para lá cinco dias, sem pagar rigorosamente nada, poderem vender à sua vontade praticamente sem horário, é uma ajuda que acho que não há paralelo aqui perto”.

Vasco Estrela fala à Antena Livre sobre a questão exposta pelo munícipe relativa à falta de população no concelho e à necessidade de apoio aos comerciantes locais 

Ana Rita Cristóvão