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Mação: Arlindo Consolado Marques é Prémio Cidadania 2017

19/02/2019 às 00:00
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A Assembleia Municipal de Mação atribuiu esta segunda-feira, 18 de fevereiro, o Prémio Cidadania 2017 a Arlindo Consolado Marques. Este Prémio representa “uma distinção pelo seu importante trabalho em defesa do Rio Tejo e dos Munícipes maçaenses”.

A atribuição do Prémio teve lugar na Assembleia Municipal que se realizou no Auditório da escola-sede do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação, perante dezenas de alunos.

José Saldanha Rocha, presidente da Assembleia Municipal, começou por falar da admiração que sente pela coragem do ambientalista. “Dou-lhe os parabéns pela postura que o Arlindo tem vindo a ter ao longo destes últimos meses e na atitude para com o rio Tejo. Admiro-te imenso, Arlindo, pela tua coragem em defender um património que é de todos nós”.

José Saldanha Rocha terminou a sua intervenção, dedicando umas frases da poesia de Bertolt Brecht: “Dizem violentas as águas deste rio. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”.

Depois foi o presidente da Câmara, Vasco Estrela, quem tomou a palavra para destacar os riscos que Arlindo Consolado Marques enfrentou e ainda enfrenta nesta luta pelo Tejo. No entanto, lembrou que “dentro daquilo que nos tem sido possível, temos sido solidários na defesa do rio e, mais do que isso, solidários com a pessoa em causa. Todos nós sabemos no concelho, na região e no país a importância do trabalho que o Arlindo fez, o facto de ter dado o corpo às balas, o facto de ter denunciado, muitas vezes com riscos pessoais evidentes (…) se não fosse a sua valentia, a sua vontade de denunciar, nada disto tinha sido possível”.

O autarca referiu que “estamos hoje na situação que estamos, a Câmara poder retomar o Festival da Lampreia e os pescadores dizerem que nunca viram o rio como o veem agora” se deve também ao trabalho do ambientalista.

Vasco Estrela reforçou que Arlindo Marques "conta com o apoio unânime de todos os eleitos da Câmara e da Assembleia Municipal porque tem ajudado a resolver um problema que é de todos". Vasco Estrela, a par de muitos outros, será testemunha abonatória de Arlindo Consolado Marques no processo que a Celtejo lhe moveu.

João Filipe, líder da bancada socialista na Assembleia Municipal de Mação, foi uma das pessoas que acompanhou Arlindo Consolado Marques em muitas iniciativas e falou de como o processo da Celtejo acabou por beneficiar a causa. “Por incrível que pareça, provavelmente o processo que a Celtejo lhe colocou em tribunal foi a forma de levar o problema do Tejo, que é um património da Humanidade, para planos nacionais e até internacionais. Parabéns Arlindo e força. Sabes que contas connosco e a vitória, no final, será tua. Quase de certeza”.

Do lado dos sociais-democratas, Duarte Marques, outra das pessoas que muitas vezes acompanhou Arlindo ao rio, destacou o facto de ter havido muitos a alertarem para os focos de poluição do Tejo mas que foi o ambientalista a único “que nunca largou o osso”.

Em 2014, inícios de 2015, começou-se a falar muito da poluição do Tejo. Na altura, fizemos uma resolução a criticar o que se passava e a pedir soluções”, começou por recordar o deputado municipal que lembrou que “nessa altura, o Arlindo já andava por aí a fazer vídeos”, que às vezes “parecia um refugiado que andava lá sozinho no meio do Tejo e que era quem trazia as provas”.

E se muitos de nós se preocupavam com o Tejo, há aqui uma grande diferença para hoje fazermos esta homenagem. É que o Arlindo teve uma coisa que mais ninguém teve”, e, dirigindo-se a Arlindo Consolado Marques, disse: “é que tu nunca largaste o osso”.

Todos os dias, a toda a hora, em todos os momentos, o Arlindo nunca largou a perseguição aos poluidores e a defesa do Tejo”, concluiu Duarte Marques.

Faltava ouvir o homenageado. Perante os alunos da Escola de Mação, Arlindo Consolado Marques disse-se “em casa”, falou da sua luta e também da qualidade das águas do rio e das espécies que já voltam novamente a aparecer pois, como contou, o rio “está 99% melhor do que o que estava” e que, no domingo, “apanhei 12 ameijoas do rio quando elas já tinham desaparecido todas. Desde 2013 que nunca mais vi nenhuma, só cascas, e no domingo estavam vivas. O rio melhorou e muito”.

Estou muito contente com este Prémio que para mim é muito, muito importante como também é muito importante o rio que vocês conhecem”, proferiu.

Por fim, Arlindo também agradeceu a quem o acompanhou nesta luta, como o Executivo da Câmara e a Assembleia Municipal de Mação, referindo-se particularmente a Vasco Estrela, Duarte Marques e João Filipe, a quem partilhou os seus vídeos nas redes sociais e a quem participou na angariação de fundos para a sua defesa.

Deixou, no entanto, um agradecimento mais especial a quem levou o tema até à Assembleia da República, “o deputado Duarte Marques”.

Isto tinha que chegar à casa das leis, à Assembleia da República e aos deputados porque lá não pode haver barreiras políticas nem partidos porque o Rio é nosso!”, garantiu Arlindo Consolado Marques.