Especial Produtos Regionais: Se Baco ressuscitasse certamente viria ao Sardoal

Concelhos 2018-11-22

É verdade! O vinho produzido neste concelho é um verdadeiro néctar.

E isso, leva-nos a dizer que Baco como Deus do vinho, das festas e do lazer, bem como amante da paz e fomentador da civilização, viria à terra que, direta ou indiretamente, impeliu a cumprir os seus princípios, o Sardoal.

Por norma, a maioria dos seus habitantes que possuem algumas courelas, uma é dedicada à vinha. Na sua grande maioria, fazem alguns litros de vinho que não chega para consumo próprio.

Porém, para quem não sabe e ainda não visitou, há duas quintas, sitas no concelho, de grande produção, que têm produzido vinho de qualidade superior e muito apreciado “a Quinta do Coro e a Quinta do Vale do Armo”.

A mais antiga, sobranceira à Vila do Sardoal, com cerca de setenta hectares é a Quinta do Coro. Esta propriedade pertencente à família Vieira Graça desde 1966, possui 20 hectares de vinha plantada em terrenos argilo-calcários, de encostas ligeiras e solarengas e locais com um microclima acentuado, onde predomina casta tinta com cerca de 90%, destacando-se a Touriga Nacional, Trincadeira Preta, Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Boushet e Petit Verdot. A restante área, é destinada a castas brancas como o Encruzado, Verdelho e Arinto.

 

Quinta do Coro

Possui uma adega com equipamentos modernos, mas similares aos antigos com tanques e pisa. O estágio dos seus vinhos é feito em pipas de carvalho americano ou francês.

Com uma vasta gama de vinhos de grande qualidade, e medalhada várias vezes, tem como seu ex-libris o branco encruzado D. Florinda e o tinto com o mesmo nome, com Touriga Nacional, Syrah, Petit Verdot e Trincadeira.

Este rótulo é uma homenagem a Florinda da Silva Pires, proprietária da quinta, como nos disse Paulo Graça, seu único filho.

D. Florinda, com os seu 91 anos repletos de vitalidade e com uma sanidade invejável, é a grande obreira, inspiradora criativa e responsável pela outra vertente desta quinta, as compotas, donde se destacam a marmelada, geleia de marmelo, os figos delícias de pingo mel e a geleia de pétalas de rosas.

Para Paulo Graça, médico de profissão e agricultor por devoção que tem dado continuidade à expansão e conservação desta propriedade familiar, este ano, foi particularmente mau para a vinha tendo tido uma quebra na produção de cerca de 50%, contudo, assegura que a qualidade dos vinhos promete ser excecional.

Atualmente, 25% de toda a produção (doces e vinhos) é exportada, sendo que a fasquia pretendida é de 50 a 60%.

Quinta do Coro

Mas há mais, na quinta há duas casas para acolher oito a dez pessoas, serve refeições por encomenda e possui um pequeno Museu Agroindustrial, bem como uma sala de provas com capacidade para 40 pessoas, onde poderá apreciar o contraste do sabor da compota e do vinho.

Por seu lado, a Quinta do Vale do Armo, como nos conta o seu gestor Tiago Pita Mora Alves, começou a sua remodelação a partir de 2004, após aquisição pelo seu atual proprietário Américo Vermelho, construtor civil e com negócios no ramo do turismo e hotelaria, que pretendia possuir no concelho uma moradia familiar.

A dimensão da Quinta naquela data era de 13 hectares. Tiago Alves foi o criador desta propriedade e iniciou a atividade vinícola, com a plantação de 9 hectares, a parte sobrante à área de lazer.

Aos poucos, com o entusiasmo envolvente do proprietário, construíram adega em 2007 e foram aumentando a extensão da Quinta comprando vários terrenos contíguos perfazendo 30 hectares.

Na procura de crescimento foi comprado o terreno no Casal das Mansas, com boa exposição solar, possuidor de solos mais fortes e argilosos e de fácil obtenção de água dada a sua proximidade ao rio Tejo.

Num processo similar ao anterior, a quinta foi aumentando e como diz Tiago Alves “o Vale do Armo passou não do oito para oitenta, mas sim de nove para noventa”, que é a área vínica atual.

O objetivo desta quinta é atingirem uma produção de meio milhão de litros de vinho atingindo, o seu auge daqui a cerca de 4 anos se não existirem calamidades como a deste ano.

Vale do Armo

A vindima, dada a impossibilidade de ser totalmente manual, tem uma apanha de 20% manual e 80% mecânica. A mecânica é feita durante a noite, para que a uva chegue mais fresca à adega e mantenha uma qualidade inalterável.

No que concerne a castas imperam as tintas com cerca de 80%, essencialmente Touriga Franca, Touriga Nacional, Syrah, Trincadeira, e Tinta Barroca que mais povoam a vinha, não fugindo muito ao tradicional dos vinhos atuais, com exceção da Tinta Barroca e a Touriga Franca originárias do Douro vinhateiro.

No que concerne aos vinhos brancos predomina a casta Antão Vaz, de origem alentejana, Síria, Arinto e duas curiosidades na zona a Casta Alvarinho, característica do vinho verde e Viozinho uma casta pertencente aos vinhos nobres do Porto. “Vamos buscar o bom a cada lado. Tal como temos duas castas tintas que fogem ao comum da localidade, também o temos nos vinhos brancos” refere Tiago Alves.

Relativamente às marcas, todas elas são de elite, sendo os vinhos de rótulo Vale o Armo o seu topo de gama e, em anos excecionais sai a reserva de Vale do Armo, o que aconteceu por duas vezes uma em 2008 e outra em 2011. Ambos medalhados com Ouro. O primeiro na Alemanha e o segundo Grande Medalha de Ouro em Bruxelas, entre outras distinções.

 

Vale do Armo

Como novidades, uma colheita selecionada Vila Jardim branco e um tinto. O branco à base de Verdelho e Arinto e o tinto Touriga Nacional, Syrah e Alicante. São vinhos de 2016 estagiados em barrica. O espumante sairá em 2019 e é de castas Verdelho e Arinto.

A exportação após uma fase mais amorfa vai ativar este ano, pois o objetivo da quinta, é baixar o mercado a granel e aumentar o engarrafado.

Segundo Tiago Alves, a quebra de cerca de 40%, deste ano foi devida à carência de chuvas, de um arranque fora de época e ao calor extremo que assolou a região que provocou não um escaldão normal, mas a cozedura da uva.

Prevê-se mesmo assim, uma produção de cerca de 245000 litros de vinho 45000 mil branco e 200000 tinto.

Pelo que existe neste concelho, a gastronomia, a doçaria e vinhos deste tipo, até Baco viria ao Sardoal.

Sérgio Figueiredo