Abrantes: Vereador do BE questiona maioria socialista sobre degradação da estrada que liga Barca do Pego a Valhascos (C/IMAGENS)

Concelhos 2019-07-11
Créditos: Ana Rita Cristóvão
Créditos: Ana Rita Cristóvão

Na Reunião de Câmara de Abrantes realizada a 9 de julho, o vereador do Bloco de Esquerda Armindo Silveira questionou a maioria socialista sobre a situação da estrada que liga a Barca do Pego a Valhascos.

O vereador bloquista questionou sobre para quando está prevista a integração da requalificação desta estrada no Orçamento do Município, uma vez que “está degradada” e que lhe chegaram relatos de vários munícipes sobre a situação – que se arrasta há já muitos anos.

Em resposta, o vice-presidente João Gomes admitiu que “esta é uma estrada que nos preocupa” e que, apesar de uma intervenção não estar prevista no Orçamento deste ano, vai ser necessária dar uma resposta. Resposta esta que “não sei se será este ano ou no princípio do próximo ano”, disse o vice-presidente.

Recorde-se que atualmente, com o desvio resultante do corte de trânsito entre Sardoal e a Avenida António Farinha Pereira para pesados superiores a 3,5 toneladas (corte este devido a uma intervenção a realizar-se numa passagem hidráulica), muitos dos veículos têm de passar por esta estrada entre Barca do Pego e Valhascos, que liga os concelhos de Abrantes e Sardoal. Uma situação que faz com que esta estrada “sofra ainda um desgaste maior”.

“Vai ter de ser uma resposta que vamos ter que dar depois deste desgaste que ainda vai sujeitar esta estrada e que não podemos deixar degradada sobretudo para as pessoas que ali passam todos os dias”, disse João Gomes.

“Neste momento vamos fazer uma avaliação desta intervenção e que contamos o mais rapidamente possível – mas não está previsto no Orçamento e temos de ver se o conseguiremos – vir a resolver”, concluiu o vice-presidente da autarquia de Abrantes.

O TESTEMUNHO DE QUEM PASSA DIARIAMENTE PELA "ESTRADA DOS BURACOS"

A situação da estrada que liga a Barca do Pego a Valhascos (do lado do concelho de Abrantes) é um troço que se encontra num estado de degradação visível há já muitos anos. A situação crítica começa junto à antiga Igreja das Necessidades, que se encontra em ruínas. A partir daí, a luta para chegar até ao limite urbano que dá acesso ao Sardoal é atribulada e incerta.

 Antiga Igreja das Necessidades, situada após a passagem pela ponte sobre a A23, é o local onde o estado de degradação da estrada se torna crítico

Ao longo do percurso são visíveis os “remendos” que são feitos pontualmente nos pontos com buracos mais profundos. No entanto, estes “remendos” de pouco servem para quem tem de passar por esta estrada diariamente.

É o caso de Elias Matos. Passa pela estrada que dá acesso aos Valhascos (do lado de Abrantes) há mais de 10 anos “pelo menos quatro vezes por dia” para tratar de uma horta. A distância é curta mas a viagem é longa devido aos buracos (in)esperados que obrigam a “ir devagar para não dar cabo do carro”.

“É só pedras soltas na estrada, só buracos, não é preciso sair-se de um para estar logo dentro de outro”, diz.

Rebentar um pneu, estragar a suspensão dos carros ou ter um acidente são algumas da preocupações dos utilizadores

A situação já é preocupante mas torna-se ainda mais quando “os carros, para escaparem aos buracos, se colocam em contra mão e, por vezes, quase acontecem acidentes”. Um problema que se agrava no Inverno, com as chuvas que “não permitem desviar para as bermas” e “reduzem a visibilidade, acabando por passar em cima de buracos que são muito grandes e o carro acaba por resvalar”.

A mesma situação é partilhada por “n” cidadãos que utilizam este acesso. Domingos Matias é mais um. Um cidadão que viu o vidro frontal do seu veículo atingido por uma das pedras soltas que se encontram no caminho, aquando trabalhadores faziam a limpeza das bermas naquela a que chama, inevitavelmente, de “estrada dos buracos”.

Os 2 km que faz são suficientes, diz, para “rebentar com a suspensão, com os amortecedores, com tudo”.

No local, são visíveis pequenas “lombas” resultantes dos remendos feitos com alcatrão. No entanto, Domingos admite que não facilitam nem resolvem o problema: “Já não sei o que é que estraga mais os carros: se os buracos ou os ‘altos’ ”.

“O perigo existe, e só não vê quem não quer ver”, termina.

Situação da estrada perto do limite entre o concelho de Abrantes e o concelho de Sardoal

É possível ver a delimitação entre os concelhos de Abrantes e de Sardoal através do estado da estrada (lado de cima: Sardoal; lado de baixo: Abrantes)

À berma da estrada que dá acesso a Valhascos, no lado do concelho de Abrantes, é possível ver um monte de alcatrão com ervas, que outrora seria usado para pequenas "reparações"

 

Reportagem e Fotorreportagem: Ana Rita Cristóvão