Abrantes: Dispositivo Municipal de combate a incêndios apresentado (C/ÁUDIO)

2020-05-18

Foi apresentado esta segunda-feira, dia 18 de maio, o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2020 para o concelho de Abrantes. Tratou-se de uma apresentação pública uma vez que na semana passada já tinha sido apresentado o dispositivo distrital onde se enquadram os dispositivos municipais.

E em Abrantes o DECIR 2020 municipal enquadra os Bombeiros Voluntários de Abrantes, os sapadores florestais [as equipas da Associação de Agricultores e da Comunidade Intermunicipal], as equipas de primeira intervenção de sete das 13 juntas de freguesia do concelho, o Regimento de Apoio Militar de Emergência de Abrantes (RAME), a Cruz Vermelha Portuguesa (núcleo de Abrantes/Tomar), e as forças policiais (PSP e GNR). De referir que a Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede tem duas equipas de primeira intervenção e que a GNR está no terreno com os militares do SEPNA (Ambiente) e do GIPS (Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro). E depois entra ainda o Serviço Municipal de Proteção Civil que contempla meios da própria autarquia, como, por exemplo uma máquina de rastos que está pronta a ser acionada para fazer aceiros, em caso de necessidade.

A quantificação dos meios a envolver ainda não divulgada, mas o dispositivo está pronto a ser acionado quando for necessário. “Se for preciso amanhã estaremos a postos”, disse à Antena Livre o comandante dos Bombeiros de Abrantes, António Manuel de Jesus.

Na apresentação do dispositivo, o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, dirigiu-se a todas as entidades do DECIR, uma a uma. Fez questão de fazer uma referência especial à Junta de Freguesia de Tramagal que segundo disse fez um esforço para ter a sua viatura pronta para esta apresentação. E no que diz respeito aos Kits de primeira intervenção das freguesias (Abrantes e Alferrarede, Aldeia do Mato e Souto, Bemposta, Mouriscas, Rio de Moinhos, S. Facundo e Vale das Mós e Tramagal) representação um investimento de 125 mil euros. Há o apoio do município de 15 mil euros por cada kit, em que dez mil foram transferidos no momento da assinatura dos compromissos e o remanescente será transferido quando as freguesias apresentarem os documentos de prova da despesa. O Tramagal teve um investimento maior (20 mil euros) por ser o primeiro ano em que está no programa.

Em termos globais, estas equipas das juntas de freguesia vão estar operacionais entre os dias 1 de junho e 30 de setembro. Ficam na dependência hierárquica do comandante dos Bombeiros de Abrantes e está, desde logo, estabelecido que nos dias em que exista o alerta laranja ou vermelho (os mais graves) para risco de incêndio sejam pré-posicionadas em locais definidos pelo comandante dos Voluntários de Abrantes.

O objetivo, afirmou António Manuel de Jesus, é criar uma grelha em todo o concelho para que nos dias de maior risco haja uma cobertura, se possível, de cinco em cinco quilómetros com meios de ataque muito rápido. E tanto o comandante dos voluntários como o Comandante Operacional Distrital de Santarém (CODIS), Mário Silvestre, afirmaram que há a definição clara de um ataque rápido a cada ocorrência com estes meios. E trata-se de um ataque rápido e musculado tanto mais que os meios, se disponíveis, são acionados na totalidade. “Os que tivermos disponíveis”, disse o comandante dos Bombeiros de Abrantes, explicando que só deixam de ser acionados quando o comandante de operações parar de pedir reforços.

Um ataque rápido aliado a uma limpeza de terrenos bem feita, junto das casas e aldeias, pode fazer a diferença de uma ignição perigosa, mas rapidamente controlada, a uma ignição perigosa e que ganha dimensões enormes. É que, disse ainda o comandante, se os “homens não tiverem de se preocupar com casas e pessoas [se os terrenos estiverem bem limpos] podem preocupar-se em combater o fogo de forma mais direta. António Manuel respondeu desta forma à pergunta sobre a limpeza das matas e aquilo que é o ordenamento florestal que temos, ou que não existe.

Pegando num exemplo claro de como funcionam os meios explicou da seguinte forma: “O ano passado no incêndio entre Maxial e Fontes acionamos os meios. Todos os que tínhamos disponíveis. Terrestres e aéreos. E como não tivemos de defender casas e habitantes pudemos centrar-nos no combate ao fogo. Numa hora, um incêndio que parecia gigante, acabou por ficar controlado. Os meios só pararam de ser acionados quando entendemos que tínhamos o fogo controlado”. E depois reforçou a ideia que não há meios para defender todas as casas num hipotético incêndio que avance descontrolado em direção a uma aldeia.

Desta forma, António Manuel de Jesus, revelou ainda que a corporação está preparada para ligar com a COVID-19 em modo de operações de combate aos fogos. O uso de máscara nas viaturas é obrigatório, há medidas restritivas no refeitório ou nas camaratas. E há as duas vias operacionais: a da COVID a funcionar desde março e, agora, a do combate aos incêndios florestais.

Voltando à apresentação do DECIR de Abrantes, o presidente da Câmara destacou a importância do trabalho em equipa e agradeceu a generosidade de todos os envolvidos em mais um dispositivo de combate aos fogos de verão. E aproveitou a oportunidade para apresentar publicamente o novo Coordenador Operacional Municipal, que está em funções mais ou menos há um mês.

Paulo Ferreira dirigiu-se ao dispositivo que é constituído por diversas fardas, mas com um chapéu comum: Proteção Civil. E depois deixou o principal pedido a todos quantos integram o dispositivo: segurança. Paulo Ferreira pediu a todos o desempenho das funções em segurança, o mais importante, afinal de contas.

Paulo Ferreira, Comandante Operacional Municipal

Mário Silvestre, comandante operacional distrital, disse que os tempos que “aí vêm não são fáceis, nunca são. E este ano tem mais uma coisinha a acrescentar que se chama COVID. Afinal todos estão de máscara por alguma razão.” E depois frisou que estas questões não vão ter influência no trabalho que cada um vai fazer nos próximos meses.

Mário Silvestre, Comandante Operacional Distrital de Santarém

Manuel Jorge Valamatos destacou o trabalho e empenho de todas as entidades que integram o DECIR e vincou o trabalho que é feito nas freguesias que têm os Kits de primeira intervenção. É um daqueles trabalhos que tem provado que a proximidade e o ataque rápido pode mesmo resolver muitas situações. E a prova é que no ano passado verificou-se que em muitos casos quando os bombeiros chegavam ao local das ignições as equipas das juntas e/ou dos sapadores florestais tinham os fogos apagados.

Manuel Jorge Valamatos frisou ainda que há algum trabalho a fazer ao nível das limpezas de terrenos, mas mesmo assim deixou a indicação de que não há assim muitos casos. “O ano passado tivemos algumas situações em que o Município teve de se substituir aos proprietários. Não consigo quantificar, mas não foram assim tantos casos”, afirmou o presidente da Câmara de Abrantes que apontou depois a um território muito grande e com grandes diferenças. “A zona norte tem efetivamente muita floresta, mas no sul também temos algumas manchas de grande densidade”, indicou o autarca que apontou também à necessidade de um ataque rápido no caso de ocorrências porque “um incêndio é uma coisa devastadora. Ao nível humano e ano nível da natureza”.

Manuel Jorge Valamatos na apresentação do DECIR 2020

Depois, sem poder cumprimentar os elementos presentes na “parada” em representação de todas as entidades que integram o DECIR 2020, Manuel Jorge Valamatos, António Manuel de Jesus, Paulo Ferreira e Mário Silvestre fizeram questão de passar junto de todas as viaturas deixando duas palavras: “obrigado” e um “bom trabalho”.

Neste momento o Dispositivo de Combate a Incêndios Rurais está na fase II, até ao final do mês. Entre 1 e 30 de junho é acionada a fase III, a que reforça o dispositivo atual. A fase IV entra em vigor a 1 de julho e termina a 30 de setembro. Sendo esta a fase mais crítica, o dispositivo distrital de Santarém, já se sabe, contará com 49 Equipas de Combate a Incêndios (ECIN) mais 25 Equipas Logísticas de Apoio ao Combate (ELAC), o que corresponde a 295 operacionais, a par de 21 equipas (105 elementos) das Equipas de Intervenção Permanente (EPI), de meios técnicos e humanos da AFOCELCA - Agrupamento Complementar de Empresas de Proteção Contra Incêndios, Associação de Produtores Florestais, ICNF, militares do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro, agentes da PSP e militares da GNR/SEPNA), além de apoio ao nível de postos de vigia e sistema de videovigilância, entre outros.