Abrantes celebra Dia Mundial dos Castelos

2020-10-07

Esta quarta-feira, dia 07 de outubro, celebra-se o Dia Nacional dos Castelos. Construções que são testemunhos da memória coletiva dos vários povos e representam uma importante referência arquitetónica, histórica, cultural e simbólica do nosso país.

Esta data comemora-se em outubro com a finalidade de promover em todo o país iniciativas e atividades para que se possa reforçar o património lusitano.

À entrada do castelo abrantino, esta grande estrutura de pedra onde ficam escondidas as várias memórias, hoje com mais gente do que o costume, esteve à nossa espera José Martinho Gaspar, técnico da Câmara Municipal de Abrantes que se disponibilizou para nos contar um pouco da história. Subindo a rampa inicial onde está exposta uma âncora recolhida do Tejo, deparamo-nos com a Igreja de Santa Maria do Castelo, um templo quatrocentista de carácter paroquial, mas edificado em contexto essencialmente palaciano, uma vez que não se pode dissociar a sua construção do paço que os condes de Abrantes edificaram por essa mesma altura no perímetro do castelo e a escassos metros do templo.

A sua construção é mais antiga, recuando, presumivelmente, ao reinado de D. Afonso II, compondo-se de dois espaços justapostos, uma nave retangular e uma capela-mor quadrangular, mais pequena e de menor altura e um arco triunfal, apesar de amplo, é igualmente simples, de perfil quebrado e marcado apenas por impostas salientes.


José Martinho Gaspar fortaleceu que foi neste espaço que o conselho de guerra, nomeadamente D. João I e Nuno Álvares Pereira decidiram, com ideias divergentes, que Portugal iria participar na batalha de Aljubarrota, sendo que D. João I estava reticente quanto à ideia de guerra e Nuno Álvares, com sangue nos olhos, queria a todo custo participar nesta batalha, acabando por ter força na decisão de combater os castelhanos. E mostrou-nos a grande pedra presente à entrada da Igreja, utilizada por D. João I, um homem de baixa envergadura, que necessitou de ajuda para subir ao seu cavalo a caminho da batalha contra os castelhanos.

José Martinho Gaspar revelou também a abertura para o novo museu, sendo que vai ocorrer a musealização da Igreja de Santa Maria do Castelo enquanto Panteão da Família Almeida e que no interior do novo museu, que irá abrir sensivelmente dentro de três meses, teremos informações muito importantes para uma melhor perceção da realidade do Castelo de Abrantes. O historiador realçou a importância da Igreja de Santa Maria do Castelo e do Palácio dos Governadores assim como também a evolução da muralha do castelo ao longo dos anos, reconhecendo que neste momento “não temos muitos elementos informativos dentro do próprio castelo”.

Durante a conversa, celebrando o Dia Mundial dos Castelos, deparamo-nos com um casal de turistas, proveniente da região de Aveiro, que se deslocou até Abrantes, encontrando-se a fazer o percurso da “Nacional 2” de mota e explicaram que não poderiam vir a Abrantes, sendo uma das suas paragens, sem tirar um pouco do tempo de “comer quilómetros” para conhecer o famoso e vistoso Castelo abrantino, aproveitando assim a paragem para conhecer um pouco da cultura e da história de Abrantes.


Aproveitando o acompanhamento de um historiador, José Martinho Gaspar não conseguiu ficar indiferente à presença destes turistas e, em poucos minutos, contou um pouco da história do espaço de visita escolhido pelo casal motard, dando uma melhor experiência para estes dois viajantes no Dia Mundial dos Castelos.

Pedro Santos